
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), converteu a prisão preventiva do pastor Márcio José Matos Poncio em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. A decisão foi tomada no âmbito de um inquérito que investiga a atuação de milícias, facções criminosas e a contravenção do jogo do bicho no Rio de Janeiro.
O magistrado fundamentou a medida em razões humanitárias, visto que o investigado é portador de uma doença intestinal grave e incurável desde 2013 e sua esposa, de 50 anos, atravessa uma gravidez de alto risco.
Para a manutenção de sua liberdade restrita, Poncio deverá cumprir condições rigorosas impostas pela Suprema Corte. Entre as medidas cautelares determinadas está o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, com zona de inclusão restrita ao seu endereço residencial, além da proibição total de contato com os demais envolvidos no processo e do veto ao uso de redes sociais.
O pastor também deve realizar a entrega imediata de seus passaportes e teve suspensos quaisquer documentos de porte ou registro de armas de fogo. Já as saídas para tratamento de saúde dependem de autorização prévia, salvo urgências que precisam ser justificadas em até 48 horas. O descumprimento de qualquer uma dessas normas implicará o retorno imediato do investigado ao regime fechado.
O investigado foi alvo da quinta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 2 de julho. A investigação o aponta por ligação com um esquema de lavagem de dinheiro do jogo do bicho chefiado por Adilson Oliveira Coutinho Filho, o "Adilsinho".
Além disso, empresas ligadas à família Poncio, que atua no setor de fabricação de cigarros, devem R$ 2,9 bilhões em impostos ao governo federal. Diante do cenário, Moraes determinou o sequestro de R$ 22 milhões em bens dos investigados no processo.
As apurações tiveram origem em novembro de 2022, após a apreensão de anotações na casa de um bicheiro que citavam 20 autoridades, entre parlamentares e chefes do Executivo, associadas a valores financeiros.
O inquérito foi distribuído à relatoria do ministro Alexandre de Moraes em 5 de novembro de 2025, com o objetivo central de investigar conexões entre grupos criminosos violentos e agentes públicos.
Entre as principais diligências autorizadas no curso do processo, destacam-se o acesso da PF a dados cadastrais de notas fiscais da Receita Federal e aos sistemas de monitoramento da Polícia Rodoviária Federal, além da criação de um escritório avançado do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no Rio de Janeiro para auxiliar na "asfixia financeira" das organizações.
As apurações incluem investigações individualizadas sobre facções como o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP), bem como milícias e o vazamento de operações policiais anteriores.
Outros nomes citados na investigação são o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, e o ex-deputado federal Marco Antonio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral. Diante das acusações, a defesa de Márcio Poncio nega o envolvimento dele com grupos criminosos e afirma que os valores em espécie apreendidos em sua residência são lícitos e foram devidamente declarados no Imposto de Renda.
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