
O presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, negou neste sábado (11/7) haver irregularidade na sua atuação de indicar de emendas parlamentares de deputados federais a prefeituras pelo país. O cacique da legenda do presidenciável Flávio Bolsonaro, segundo relatório da Polícia Federal (PF), teve participação direta na destinação de R$ 111,8 milhões em emendas de comissão, mesmo sem mandato desde 2013.
"Eu fiz sugestões a deputados para destinar emendas a prefeituras do PL. Esse é um pleito de muitos prefeitos no Brasil. Eles vão falar com a presidência (do partido para receber emendas de deputados). Sugerimos para a liderança e às comissões para destinar a emenda a esses municípios. É nisso que eu entro. Eu recebo prefeitos e avalio quem precisa mais ou precisa menos de emendas", afirmou Costa Neto, em entrevista à CNN.
Ao dizer que seu papel era de "sugerir" a destinação de emendas de deputados do PL, o presidente do partido respondeu à acusações da PF, que o apontou como responsável por um esquema de orçamento paralelo dentro da Câmara de Deputados.
"As emendas são são repasses sérios, tudo para municipios do PL", continuou o presidente do PL, ao destacar não ter havido repasses para institutos ou associações que poderiam se encaixar em entidades de fachada usadas para lavar dinheiro.
A investigação da Polícia Federal na participação de Costa Neto no repasse de emendas embasou uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabeleceu o bloqueio de R$ 119.216.703,15 em ativos de Valdemar da Costa Neto.
O presidente do PL criticou a decisão de Dino e disse que o magistrado poderia tê-lo procurado para dar explicações. "Primeiro que não tenho esse dinheiro. (...) Podiam ter chamado para cobrar explicações. Se você chama o camarada para explicar e ele está errado, chumbo", protestou.
As críticas de Valdemar da Costa Neto à decisão do minsitro do Supremo também foram entoadas pelo presidente da Câmara Federal, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). Segundo o republicano, a decisão de Dino tem tem o potencial de criminalizar a política.
"A Presidência da Câmara dos Deputados manifesta seu inconformismo diante da indevida intervenção judicial no mérito de atividade típica do Parlamento. A decisão em questão não identifica desvio, abuso ou aplicação irregular de verbas públicas. Limita-se a inferições e a tentar criminalizar a atividade política", afirmou.
Na entrevista à CNN, Valdemar da Costa Neto repercutiu a posição de Motta e afirmou que essa opinião deve ser corroborada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). "ele (Motta) me ligou, acho que Alcolumbre também deve tomar providência no Senado porque isso (indicação de emenda) é politica", finalizou.
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