
A governadora do Distrito Federal e pré-candidata à reeleição pelo PP, Celina Leão, falou, nesta quinta-feira (9/7), sobre a composição de sua chapa depois da desistência do ex-governador Ibaneis Rocha de concorrer ao Senado. Em entrevista ao CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília — Celina afirmou acreditar que Michelle Bolsonaro (PL) será candidata ao Senado e que tem, para a outra vaga, a deputada federal Bia Kicis (PL-DF). Mencionando que a oposição tem duas candidatas mulheres ao Senado, ela declarou estar feliz com a participação feminina. Sobre a decisão de Ibaneis, avaliou que deve haver motivos de foro íntimo e que ainda não conversou com o antecessor. Às jornalistas Ana Maria Campos e Denise Rothenburg, Celina elogiou o trabalho que o antecessor desenvolveu ao longo de quase oito anos, mas avaliou que Ibaneis Rocha fez movimentos que não foram positivos politicamente. Caso seja reeleita, a pré-candidata dará prioridade à saúde, à educação e a obras de infraestrutura, com atenção para uma governança digital.
Como fica sua chapa depois da desistência do ex-governador Ibaneis Rocha de concorrer ao Senado?
É importante ressaltar que a gente sempre trabalhou numa grande e ampla aliança de direita para não termos uma divisão que prejudicaria muito um projeto majoritário, tanto para o Senado quanto para o GDF. Acredito que Michelle Bolsonaro (PL) será, sim, candidata. Sempre falo com ela e acho que é muito importante a participação de mulheres. Em todas as pesquisas, colocam-na em primeiro lugar. Então, acho que isso é realmente algo de que ela não pode abrir mão. A Bia Kicis, o segundo nome do PL, também estará conosco. Estou marcando uma reunião com o MDB na semana que vem. Não tive a oportunidade de falar com o governador Ibaneis sobre a desistência dele, mas acredito que deve ter sido motivada por decisão de foro íntimo. Foi isso o que ele colocou nas entrevistas. A gente precisa continuar trabalhando em uma ampla aliança de centro-direita.
A senhora avalia que Ibaneis sentiu que as chances de ele se eleger eram remotas e que seria um desgaste devido ao que houve com o BRB?
É muito difícil você falar sobre uma motivação que foi pessoal. Ele foi governador por quase oito anos. Até os nossos adversários precisam reconhecer que ele fez muita coisa, com muitas obras e entregas. É muito leviano da minha parte fazer alguma especulação nesse sentido. Acredito que foi uma decisão de foro íntimo, e que foi motivada por ele estar querendo cuidar da família.
Há cerca de um mês, Ibaneis foi à direção nacional do MDB e disse que não abria mão de sua candidatura ao Senado. O que mudou desde então?
Acho que ele fez dois movimentos que não foram positivos. Um foi a cobrança pública a meu respeito. Foi muito ruim. Eu me posicionei com muita firmeza e clareza. O segundo foi o de tentar retirar o Wellington Luiz da presidência do MDB-DF. Wellington continuou como presidente e trouxe um desgaste. Eu realmente não tive a oportunidade de conversar com Ibaneis, mas o MDB é um partido que tem um deputado federal eleito e cinco deputados distritais. É um partido que tem entregas aqui no Distrito Federal. No que depender da gente, vamos caminhar juntos com o partido neste próximo pleito eleitoral.
O deputado Wellington disse que agora o jogo está aberto. Havia um acordo com o Republicanos para que o partido indicasse o vice da sua chapa. Está colocado o ex-chefe da Casa Civil Gustavo Rocha. Mas o MDB é um partido forte. Acha que vão reivindicar um espaço na sua chapa como vice?
Não sei. Ainda não tive essa conversa com o Wellington. A política é a arte do diálogo. Ontem, eu falei rapidamente com ele, que não estava em Brasília, por telefone. Acredito que tudo pensando em um projeto maior consegue acomodar todo mundo.
A senhora falou que vai insistir para que Michelle Bolsonaro seja realmente candidata ao Senado pelo PL na sua chapa. A segunda vaga fica com Bia Kicis?
É. Está fechado. O PL vem com duas candidaturas ao Senado, nos apoiando. São três mulheres em uma chapa. Isso é emblemático. Por parte da oposição, serão duas mulheres ao Senado. São projetos totalmente diferentes, mas que têm representatividade feminina. Fico feliz em ter mulheres se colocando à disposição para serem candidatas.
Além de ser aliada política de Michelle Bolsonaro, a senhora também tem uma relação próxima de amizade com ela. No momento do embate com Flávio Bolsonaro, ela conversou com a senhora. Foram momentos essenciais para que Michelle permanecesse filiada ao PL. Em sua opinião, ela vai ser candidata ao Senado?
A primeira percepção que eu tenho sobre Michelle é de que, se ela tiver que fazer uma escolha entre família e política, ela escolhe a família. Ela jamais vai fazer algo sem a anuência do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ela está em um momento de muito desgaste emocional e físico. Teve o marido preso. Ela fica, praticamente, presa junto. É ela quem prepara todas as refeições. O ministro Alexandre de Moraes não autorizou ninguém a entrar. Ela não pode ter funcionários e Bolsonaro tem uma restrição alimentar muito grande. Talvez as pessoas tenham interpretado errado. Na política, esse atropelo é muito normal. As pessoas são muito acaloradas. Quando ela sai do movimento do PL Mulher, ela se retira de uma obrigação, porque ela também é muito disciplinada. O que a Michelle construiu e o que ela fez nesses quatro anos pelo Brasil é o que a tornou do tamanho que ela é. Ela não é mais só esposa de Bolsonaro. Ela virou uma líder do movimento de mulheres. Ela montou diretórios no Brasil inteiro.
Qual vai ser o foco do seu mandato, caso seja reeleita?
É um governo muito humanizado. Para humanizar, você tem que ter uma saúde que funcione, precisa ter dados para tomar decisões. Então, a gente está investindo muito nessa parte de tecnologia. Temos governança digital. Tenho todos os dados do GDF numa sala ao lado. Sei o que é que eu tenho de obra paralisada ou qual secretaria está tendo uma gestão eficiente ou não. Para que isso? Para tomar decisões alinhadas com aquilo que a população quer, que é melhorar o investimento na área da saúde, cuidar da educação e continuar as obras de infraestrutura. Será um governo de cuidado, mas também de obras. Estamos entregando, no Parque da Cidade, a Casa da Mãe Atípica, ao lado da administração. Essa é a força. Sou muito presente. Meus secretários sofrem na minha mão, porque eles sabem que eu ligo meia-noite ou cinco horas da manhã. Tem que ter time, as pessoas precisam entender que vão ser cobradas. Acho que eu dou exemplo, porque eu acordo às cinco e meia da manhã e, às vezes, vou dormir quase uma hora da manhã. Não tenho sábado nem domingo. Gosto de trabalhar, porque, para mim, não tem entrega maior do que as pessoas reconhecerem o que você faz. Já começamos a entregar mais de 10 mil unidades unifamiliares. São lotes da época do Joaquim Roriz. Os primeiros beneficiários foram pessoas com deficiência.
Como está a situação do BRB e das contas do GDF? O GDF está quebrado?
Não. Pegamos o GDF com muita dificuldade financeira. Troquei toda a equipe econômica. Fiz um trabalho firme de corte de gastos, de corte de contratos e de economia de recursos públicos. Determinei a transferência para o Centro Administrativo (em Taguatinga). Estamos pagando todos os nossos fornecedores em dia, mas eu peguei muita coisa atrasada. De toda forma, estamos colocando o custeio da máquina pública em dia e estamos investindo. Investi quase R$ 200 milhões no GDF na Sua Porta. Encontrei dificuldades, mas dei uma solução rápida e nós não usamos nenhum centavo do GDF para nada de BRB. Por isso, fizemos um empréstimo.
O dinheiro do empréstimo já chegou?
Estão terminando de assinar. Assim que estiver tudo assinado, vamos publicar o balanço (do BRB).
O que dá para fazer de imediato para socorrer as famílias em Samambaia que estão com as casas rachadas por causa do metrô?
A determinação que nós demos é de que elas sejam acompanhadas e se precisar fazer alguma remoção ou indenização, a secretaria vai fazer. A Defesa Civil disse que foram rachaduras e que a parte estrutural não está prejudicada. Se houver necessidade, temos, inclusive, um cheque de construção que pode ajudar as famílias a fazer a recuperação. No entanto, ainda estamos avaliando se vai ter alguma outra situação na estrutura.
Na área de transporte, a senhora tem algum projeto de expansão do metrô?
Temos um projeto de estudo de viabilidade técnica que já está sendo feito do veículo leve sobre trilhos (VLT) entre Ceilândia e Taguatinga. Há, também, a expansão do metrô que sai do fim da Asa Sul, passa pelo Núcleo Bandeirante, pelo Recanto das Emas e vai para o Gama. Trata-se de um outro braço do metrô. Publicamos agora a compra de mais vagões. É uma licitação internacional.
Vai rever o subsídio para transporte?
Quando eu assumi, fizemos um decreto de congelamento sobre qualquer tipo de reequilíbrio econômico. Então, se tem um decreto, não pode fazer reequilíbrio econômico, e a gente está fazendo uma auditoria para ver o que realmente se deve e o que não se deve, para a gente melhorar esse tipo de custeio para os cofres públicos.
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