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Política Forasteiros?

Forasteiros? Domicílio eleitoral vira arma na pré-campanha

As críticas a candidaturas por falta de enraizamento local provoca embates entre adversários. Especialistas explicam que a lei exige apenas o vínculo com a região

13/07/2026 às 09h00
Por: João Araújo Fonte: Correio Braziliense
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Forasteiros? Domicílio eleitoral vira arma na pré-campanha

A fala do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), sobre as origens políticas das pré-candidatas ao Senado pelo estado Simone Tebet (PSB-SP) e Marina Silva (Rede-SP) reacendeu o debate sobre a naturalidade e o domicílio eleitoral. Na quarta-feira, Tarcísio criticou a trajetória política das duas e disse que elas "não começaram a fazer política em São Paulo, não elegeram este estado para servir". 

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O governador afirmou que as pré-candidatas "levaram cartão vermelho" nos próprios estados, por isso, tentam se eleger por São Paulo. "Com todo respeito às duas candidatas ao Senado dos outros partidos, elas não começaram a fazer política em São Paulo, não elegeram este estado para servir. Foram servir Mato Grosso do Sul e o Acre, e levaram o cartão vermelho. Se fossem concorrer por lá, lá não seriam eleitas", disse Tarcísio. 

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Em indireta ao atual governador, Tebet disse que não precisa declarar outro endereço para se candidatar, já que mora na cidade há muito anos. "Sou corintiana, não flamenguista, e pago imposto em São Paulo há 10 anos. Não precisei dar endereço alheio para me candidatar", disse Tebet à CNN.

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Tarcísio foi investigado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) nas eleições de 2022 por ter mudado o endereço de residência para São José dos Campos para concorrer a governador. 

Marina Silva também rebateu a fala do governador. Segundo a pré-candidata, a atitude teve um viés machista. "É claramente uma pessoa que tem dois pesos e duas medidas. Ele acha que para ele vir fazer política aqui é natural, e para mim e a Simone, não. E eu acho que tem também uma atitude de preconceito contra as mulheres, de se acharem os donos do mundo. Nós podemos montar o nosso território, a nossa barraca, onde quisermos. As mulheres vão ser sempre vistas como estrangeiras, como devem ficar do lado de fora", comentou.

Welliton Nazario, advogado eleitoral e membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (ABRADEP), entende que a controvérsia envolvendo Tarcísio de Freitas, Simone Tebet e Marina Silva é muito mais política do que jurídica. "O argumento do pertencimento territorial não é usado como princípio, é usado como munição. Liga-se quando serve, desliga-se quando o próprio autor está na mira. Marina já cravou a hipótese de que esse filtro pesa mais sobre mulheres: 'quando é homem, tapete vermelho; quando é mulher, forasteira'", avalia.

O advogado considera que as mudanças nas regras de elegibilidade devem decorrer da Constituição e da legislação, e não dos interesses políticos do momento. "Transformar um argumento de campanha em requisito jurídico significaria admitir que as condições para o exercício dos direitos políticos variam conforme o adversário da vez", argumenta. "A discussão que resta, resolvida a legalidade, é outra: cobrar enraizamento de um candidato é exercício legítimo de escrutínio democrático, ou é apenas seletividade vestida de defesa do 'paulistanismo', aplicada com uma régua para quem ataca e outra, mais generosa, para quem ataca primeiro", questiona.  

Uma polêmica semelhante ocorreu com um dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em dezembro, Carlos Bolsonaro (PL) anunciou que estava transferindo o domicílio eleitoral para São José, em Santa Catarina, a única que faz limite terrestre com Florianópolis. O filho '02' foi vereador do Rio de Janeiro por nove mandatos, até o fim do ano passado, quando decidiu renunciar ao cargo para tentar uma vaga ao Senado pelo estado catarinense. 

Em vídeo publicado nas redes sociais no mês passado, Carlos justificou a decisão de concorrer pelo estado e disse que o lugar foi onde renasceu. "Eu sei que tem gente que vai falar: 'mas o Carlos não nasceu em Santa Catarina'. Eu respeito quem pensa assim. Eu não nasci aqui, mas foi aqui que eu renasci. Encontrei a paz, a generosidade de um povo de bem que defende os mesmos valores que eu", disse na publicação.

A decisão causou atrito dentro do próprio PL, que precisou lançar uma chapa "puro-sangue" para a reeleição do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL). Antes, o partido planejava lançar Carol de Toni (PL-SC) e Esperidião Amin (PP-SC) como senadores. No entanto, como o aval do ex-presidente, Carlos foi o escolhido para compor a chapa para o Senado junto a De Toni.