
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), enfatizou, no programa CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília — , a importância da representatividade feminina da capital. Aos jornalistas Ana Maria Campos e Carlos Alexandre de Souza, a governadora reeleita com 57% dos votos ressaltou que a saúde seguirá como prioridade do GDF e prometeu ampliar o contato com a população, avançar em projetos de mobilidade e manter diálogo com o governo Lula e a oposição local, apesar das divergências políticas.
Como a senhora se sente após ser a primeira governadora eleita pelo voto direto no DF?
Primeiro, eu quero agradecer a cada pessoa que votou, na confiança do nosso trabalho, votou para que realmente a gente melhorasse a qualidade de vida, cuidasse das pessoas mais humildes do Distrito Federal e, a partir do momento que você ganha, você é a governadora de todos, daqueles que votaram em você ou não. Quero ter um governo realmente que cuide das pessoas e de muito trabalho, que é o nosso ritmo, um ritmo bem acelerado. Nos últimos cinco meses, eu acho que isso ficou muito comprovado, essa foi a perspectiva do eleitor e é isso que vamos manter nesses quatro anos: trabalho, presença, entrega, escuta e um governo com sensibilidade. Porque as mulheres têm uma diferença, nós somos diferentes, apesar de termos a mesma capacidade (de um homem), a mulher tem um olhar especial.
A senhora pretende manter um governo com um contato próximo com a população, como foi durante a campanha?
Eu vou continuar, até porque a gente tem um programa que se chama GDF na Sua Porta, e se eu consegui manter isso na campanha, com 21 GDF na Sua Porta, eu vou conseguir manter no governo. É um programa maravilhoso, ele vai continuar, e é a presença da governadora quase toda semana numa das nossas regiões administrativas, cuidando da cidade, dando ordens de serviço, resolvendo problemas locais, tendo um olhar muito próximo da população. E a minha presença é diária nas cidades, sempre gostei muito de andar, de ouvir e de resolver. Você não consegue fazer todas as mudanças que quer em cinco meses, mas deixa muito claro o ritmo do seu governo, o ritmo da sua equipe, e quem se alinhar com você vai ter que estar no mesmo espírito.
Qual será a prioridade do próximo governo?
A saúde continua sendo a prioridade, é a maior reclamação da população, tenho que escutar e resolver. Não conseguimos resolver tudo da noite para o dia, mas com presença, investimento, cuidado, gestão, e é isso que estamos fazendo. Tanto com o Expresso da Saúde, nosso programa de cirurgias eletivas no privado, com contratação de mais mão de obra, melhora da estrutura dos nossos 13 hospitais, que também fazemos no IgesDF (Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal). A saúde é investimento e presença. Uma saúde que tem presença constante, que tem consultas sendo geradas, vai ter sempre filas. Só que temos que trabalhar com um tempo de espera digno. Conseguimos lançar o prontuário eletrônico na época da campanha, com o primeiro teste no Hospital do Gama. Ele dá toda a rotina do paciente. Isso dando certo, vamos colocar em toda a rede.
Como a senhora vai trabalhar para ampliar a tarifa zero?
Estamos fazendo uma auditoria, vendo aquilo que podemos diminuir dos gastos para termos recursos. Queremos que o primeiro Vai de Graça seja para as pessoas que estão no CadÚnico. Isso é uma necessidade, de ir fazendo por etapas e atender primeiro quem mais precisa.
Quais são seus planos em relação ao transporte público?
O estudo de viabilidade técnica do metrô está pronto. Só esse estudo gasta quase um ano, adiantei isso. Esse estudo é da linha 2 do metrô, que vai até o Gama. Dois VLTs também estão com os estudos prontos: o de Sol Nascente, que vai até Taguatinga, e o do aeroporto, que vai até o Noroeste. O do aeroporto vai requalificar a W3. São as obras que queremos começar a licitá-las, obras grandes e estruturantes. Talvez em quatro anos eu não dê conta de entregar todas. Mas vamos deixar um cronograma pronto, porque quando se busca financiamento internacional para uma obra dessa, você pega para a obra toda, só que vai recebendo o recurso conforme as etapas das obras vão avançando. Vamos deixar isso montado para o novo projeto que venha daqui a quatro anos dar continuidade, entregar o metrô 100%.
A senhora reconhece a vitória do presidente Lula? Como vai ser a sua relação com ele?
Claro, precisamos reconhecer, eu fui eleita pelas urnas também. A minha relação tem que ser republicana. Tenho pessoas que precisam, que contam comigo, que contam com a minha civilidade, o meu gesto republicano. Sempre fui conhecida por ser uma pessoa que tem diálogo e respeito. Eu tenho um lado, meu lado não é o lado do presidente Lula. Nunca foi, eu fui oposição ao PT, eu fiz campanha ao lado de Michelle (Bolsonaro), de Bia (Kicis), mas quando saem os resultados das urnas, você tem uma cidade para governar e entregar tudo aquilo que as pessoas têm expectativa. Eu sou a governadora que conseguiu trazer essa cidade para a normalidade no 8 de Janeiro e devolvê-la para o governador da época. Todas as vezes que eu tiver que ter alguma conversa republicana pela minha cidade, pelo meu estado, eu terei.
Como a senhora vê o diálogo sobre o BRB com o governo federal após as declarações dadas durante a campanha?
Espero que tenha uma mudança de postura, porque sempre achei que tinha muita interferência política. Falava-se que poderia contaminar o processo eleitoral tanto para um lado quanto para o outro. A gente espera que isso mude, que a gente tenha uma relação republicana. Que aquilo que for melhor para a cidade, que sempre seja o passo a ser dado pelo presidente da República.
A senhora iniciou o diálogo com a oposição?
Já. Falei com o Leandro (Grass) no dia da eleição. Ele me ligou desejando sucesso, boa sorte. Eu agradeci o gesto dele, falei que estava aberta a todo o diálogo que fosse feito em nome da nossa cidade. Acho que as pessoas esperam um pouco disso, querem que acabe a campanha, que acabe esse clima de guerra. Nos dois turnos eu fui muito atacada. Aquilo que for republicano, as pessoas sabem que podem dialogar comigo. Os deputados da oposição também sabem que têm uma governadora que tem diálogo, que respeita as diferenças e, principalmente, respeita as urnas. Nós temos a maioria dos deputados, são 18 deputados da base, mas temos deputados de oposição. Cada um ali pensa de uma forma e vamos respeitar e governar a cidade para quem mais precisa.
O que a sua vitória representa para as meninas e mulheres que sonham em ocupar espaços de poder?
Minha relação com as crianças é muito forte, acho que é por mostrar que as mulheres podem chegar aonde elas querem chegar. Tem um livro da deputada Margarete Coelho (PP-PI) que fala sobre teto de cristal. Furar esse teto é muito difícil. Tem que ter muita resiliência, muita força. Mas acredito que as mulheres terão um novo olhar sobre a política do DF. Somos um estado que tem quatro mulheres nos cargos majoritários: três senadoras (além de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, o DF é representado por Damares Alves, do Republicanos) e eu. É o único estado da Federação que tem essa configuração. Isso fala muito sobre as mulheres. Sempre lutei por mulheres no poder.
Como a senhora espera contar com a ajuda das senadoras eleitas?
Acho que elas vão nos ajudar principalmente colocando recursos para as áreas que são prioritárias para nós. Essas áreas de inclusão, que eram áreas que não tinham muita coisa no DF. Tiramos muita coisa do papel, mas acho que pode melhorar ainda mais. Ampliar essa questão da capacitação da mulher, queremos fazer um grande projeto de capacitação para o ano que vem. Tenho certeza de que elas vão nos ajudar muito também nacionalmente. Ter a força das três, investindo recursos, emendas, vamos ter um avanço muito grande.
O que os políticos e as mulheres que estão na política estão fazendo para as cidadãs?
Nós criamos uma Casa da Mãe Atípica, no Parque da Cidade. Também abrimos o segundo centro TEA (transtorno do espectro autista) em Taguatinga, na QNL, com tudo de mais alta tecnologia embarcada. Esse é o segundo centro TEA. O primeiro que nós criamos é ligado à saúde, esse é ligado à educação para que a nossa rede tenha um lugar para fazer esses encaminhamentos, porque as professoras reclamam de falta de monitores e lugares especializados. Isso é uma escuta poderosa, que escuta e toma providência. É um olhar feminino. Nós firmamos um convênio com a Apae para atender à fila de neurodivergência. Eu tenho 17 mil pessoas nas filas, eu assinei o convênio para atender 13 mil. Esse é um olhar muito feminino, é diferente.
A senhora pretende fazer mudanças nos cargos do seu governo?
Eu vou fazer uma transição. Nesses seis meses de governo, não tive condição de fazer uma transição. Fiz algumas transições de cargos que acho que são muito estratégicas. Eu mudei o secretário de Economia, mudei o Inas (Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do DF). O Inas, por exemplo, pegamos com débito de R$ 280 milhões. Hoje está no azul com uma gestão eficiente, com cuidado, que hoje é um patrimônio do próprio servidor; foi criado pelo nosso governo, mas é o patrimônio do servidor público. Algumas coisas precisamos melhorar, ter uma transição de verdade. Porque eu era vice, peguei uma coisa montada, mas a gente vai mudar, sim.
Qual vai ser a relação da senhora com seu vice?
Eu tenho um perfil muito diferente do Gustavo (Rocha). Eu sou uma pessoa de rua, política mesmo. O Gustavo é uma pessoa tímida, mas ele tem uma capacidade técnica grande, ele tem condição de me ajudar administrativamente dentro do governo. É claro que a visibilidade do vice também é grande. Ele até fez muitas reuniões para mim, não conseguia estar em todos os lugares, mas acho que ele vai me ajudar muito nessa parte administrativa. Como eu estou sempre muito na rua e eu cobro muito para acompanhar as coisas que estamos fazendo, ele vai me ajudar muito, tenho certeza que ele vai ser um grande colaborador do nosso governo.
Qual a sua prioridade para esses dois últimos meses do ano?
Terminar as articulações que estamos fazendo deste governo de transição, fazer as composições que precisamos fazer, aprovar o orçamento na Câmara Legislativa. A parte fiscal está sob controle, tiramos Brasília do vermelho, as contas vão fechar no azul.
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