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Dados do LesboCenso são apresentados à Comissão de Direitos Humanos

Pesquisa aponta que oito em cada dez entrevistadas sofreram lesbofobia e 13.158 conhecem alguém que já sofreu violência, entre outros dados

28/08/2026 às 18h05
Por: Robson Silva De Jesus Fonte: Agência CLDF
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Foto: Tiago Hardman/Agência CLDF
Foto: Tiago Hardman/Agência CLDF

Em reunião extraordinária na tarde desta sexta-feira (28), a Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativada Câmara Legislativa do Distrito Federal debateu osdados do primeiro censo sobre a situação das lésbicas no Brasil e no Distrito Federal, o LesboCenso. O presidente da Comissão,deputado Fábio Felix (Psol), destacou a importância dos dados da pesquisa para a formulação de políticas públicas. 

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Fábio Felix ressaltou que a produção de dados é uma demanda provocada pelo próprio segmento. “Não é possível produzir política pública sem dados. Se para todos os segmentos os dados já são escassos, a realidade para a comunidade LGBT é ainda mais escassa, por causa de sua invisibilidade histórica”, analisou. 

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O LesboCenso é uma iniciativa nacional da sociedade civil, conduzida pela Liga Brasileira de Lésbicas, a partir de uma iniciativa local do movimento Coturno de Vênus. Os dados nacionais já foram apresentados em outras quatro regiões do país.

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Os dados foram apresentados pelas articuladoras nacionais da Liga Brasileira de Lésbicas. Segundo Leo Ribas, da Liga, a pesquisa contou com a participação de 21.050 lésbicas em mais de mil municípios de todos os estados e em todas as regiões do país, cobrindo cerca de 25% das cidades brasileiras. 

De acordo com os dados nacionais, oito em cada dez entrevistadas já sofreram lesbofobia (aproximadamente 16 mil respondentes). O estudo aponta que 13.158 das participantes conhece alguém que já sofreu violência, sendo que 1.063 pessoas conheciam alguém que morreu por ser lésbica. O censo também indicou que 6.079 entrevistadas disseram que foram impedidas de sair de casa e 15.334 foram interrompidas em suas falas.

Foto: Reprodução/Agência CLDF
Foto: Reprodução/Agência CLDF

Para Leo Ribas, o principal achado da pesquisa está relacionado à violência sexual. “10.651 pesquisadas foram estupradas, sendo 4.125 com penetração e 6.526 sem penetração. 11.872 não falam da sexualidade em atendimentos médicos por medo. Ainda, 4.059 sofreram discriminação no atendimento ginecológico”, revelou ela, acrescentando que a pesquisa foi referendada como a maior do mundo com este tema.

A apresentação dos dados nas regiões brasileiras é a etapa atual da incidência política do movimento. Na opinião de Dayana Brunetto, uma das articuladoras da Liga Brasileira de Lésbicas, quanto mais a mulher se apresenta com características menos femininas, mais ela está sujeita à violência. 

De acordo com os dados do DF, das 790 entrevistadas, 498 relataram ter sofrido violência sexual e seis são sobreviventes de estupro coletivo. Para Dayana Brunetto, os dados regionais agora precisam ser apropriados pelos territórios. Todos os dados da pesquisa estão disponíveis em https://lesbocenso.com.br . Em março de 2027 vai ser lançado o segundo LesboCenso.

Durante a discussão sobre os dados, a diretora do Distrito Drag, Rhayane Mayara, reforçou seu compromisso com a sistematização de dados para municiar as políticas públicas. Já a diretora da Associação Lésbica Feminista Coturno de Vênus, Melissa Navarro, entidade responsável pelo primeiro LesboCenso DF, afirmou que os direitos da comunidade LGBTQIA+ nunca estão garantidos e estão sempre sendo ameaçados. A Coturno de Vênus foi a primeira associação lésbica do DF e está completando 21 anos de atuação. 

A presidenta da Associação Trafeminista (Trafem), Lucci Laporta, destacou a importância da atuação dos movimentos lésbicos como inspiração para o segmento trans e feminista. Laporta classificou a parceria como uma aliança estratégica para combater a onda fascista. Segundo ela, o momento atual é de aumento da perseguição aos direitos das pessoas trans.

Foto: Reprodução/Agência CLDF
Foto: Reprodução/Agência CLDF


A representante da Atenção à Saúde da População LGBTQIA+ da Gerência de Saúde de Populações Vulneráveis da Secretaria de Saúde, Maria Aureni de Lavor Miranda, avaliou que os sistemas oficiais atuais não têm campos sobre a sexualidade nos atendimentos, o que dificulta a coleta de dados. Para ela, a inclusão do campo é fundamental para se coletar informações mínimas na atenção básica. Ela considerou ainda que os dados levantados pela pesquisa na área de saúde são assustadores e devem provocar muitas reflexões.

O coordenador de Políticas para a Juventude da Secretaria de Segurança Pública do DF, Henrique Neuro Tavares, considerou a apresentação do primeiro LesboCenso um momento histórico. “Esses dados precisam deixar de ser apenas diagnósticos para passar a orientar a formulação de políticas públicas, ações de prevenção, protocolos para a segurança pública. O desafio é fazer que cada dado produzido provoque um questionamento ao Estado sobre o que é necessário para mudar a realidade”, argumentou.

Já Patrícia Souza Melo, representante da Secretaria de Educação do DF, lembrou que estamos no período da campanha agosto lilás, que alerta sobre a violência contra todas as “mulheridades”, que inclui mulheres trans e lésbicas. Ela destacou a necessidade de se trabalhar com prevenção nas escolas. Segundo ela, há um aumento de solicitações de formação continuada sobre a pauta de diversidade e gênero para os profissionais da rede educacional. “Nossa preocupação é que o letramento sobre diversidade chegue aos professores e demais profissionais da educação”, completou.

Luís Cláudio Alves - Agência CLDF