
O consumo de ovos no Brasil deve alcançar 301 unidades por habitante em 2026, segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Caso a estimativa se confirme, o resultado estabelecerá um novo recorde para o país e representará crescimento de até 4,5% sobre as 288 unidades registradas em 2025. A mudança ganha dimensão quando comparada com o início da década passada: dados da antiga União Brasileira de Avicultura (UBABEF) mostram que, em 2010, o consumo médio era de 148,85 ovos por brasileiro. Até 2025, portanto, o avanço acumulado chegou a aproximadamente 93,5%.
O crescimento do consumo é acompanhado pela expansão da produção. A ABPA estima que o Brasil produza até 64,8 bilhões de ovos em 2026, volume 4,1% superior às 62,253 bilhões de unidades produzidas em 2025. A trajetória das últimas décadas mostra uma mudança no espaço ocupado pelo alimento na dieta brasileira, que passou de pouco menos de 150 unidades anuais por pessoa, em 2010, para uma projeção acima de 300 neste ano.
Dados mais recentes sobre os momentos de consumo ajudam a mostrar onde parte dessa mudança aparece. O Painel de Uso da Worldpanel by Numerator aponta que os ovos já estão presentes em metade dos pratos com proteína consumidos no café da manhã. Nessa refeição, a categoria avançou 3,8 pontos percentuais em 2026. Considerando todas as ocasiões de consumo analisadas ao longo do dia, os ovos aparecem em 16,2% delas, atrás da carne bovina e do frango. Apesar do avanço no período da manhã, a categoria registrou recuo de 0,7 ponto percentual no total das ocasiões acompanhadas.
Na avaliação da nutricionista Francine Schmidt, o interesse pela proteína ajuda a compreender parte da procura pelo alimento. "A proteína do ovo fornece aminoácidos essenciais que o organismo utiliza na construção e na renovação dos tecidos. Por isso, a ingestão adequada de proteínas é importante durante o crescimento, na recuperação após a atividade física e na manutenção da massa muscular ao longo da vida", afirma.
De acordo com a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA), desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP), pela Rede Brasileira de Dados de Composição de Alimentos e pelo Food Research Center, uma unidade média de ovo de galinha inteiro, cozido e sem adição de sal, com aproximadamente 50 gramas, oferece 5,20 gramas de proteína e 62 quilocalorias. O alimento também contém lipídios, vitaminas e minerais.
A projeção de 301 ovos por habitante, equivalente a aproximadamente 5,8 unidades por semana, também não representa uma recomendação individual. A especialista explica que o indicador é utilizado para dimensionar o mercado brasileiro, enquanto a frequência adequada de consumo depende das características e da alimentação de cada pessoa. "O ovo pode integrar o cardápio ao lado de outras fontes proteicas, como feijões, lentilhas, carnes, peixes, leite e derivados", explica Francine.
A mudança também é percebida por quem acompanha há décadas a produção e a comercialização de ovos. A Granja São José atua no setor desde 1958, em Palmital, no interior de São Paulo, e fornece seus produtos diretamente para supermercados de diferentes cidades da região.
"Nos últimos anos, vimos o ovo ganhar espaço nas compras e em diferentes refeições. Antes, a escolha era associada principalmente ao preço. Hoje, além do custo, o consumidor considera a proteína, a praticidade, o frescor e a procedência. Os números nacionais confirmam uma mudança que já percebemos no contato diário com supermercados e consumidores", afirma José Moleiro, proprietário da Granja São José.
Do ponto de vista do abastecimento, Moleiro avalia que a maior procura exige atenção ao volume e à frequência das entregas. Segundo o produtor, a saída das diferentes embalagens varia conforme a localização da loja, o perfil do público, o tamanho das famílias e o ritmo das compras. Os pedidos, portanto, precisam ser ajustados à demanda de cada unidade para reduzir tanto a falta na gôndola quanto o excesso de estoque.
"Quando a demanda cresce, não basta entregar uma quantidade maior de uma só vez. É preciso entender o ritmo de cada supermercado e organizar o abastecimento para que o produto chegue com regularidade. Isso reduz o risco de ruptura e evita volumes parados por tempo desnecessário", diz José Moleiro.
A perspectiva da ABPA é de continuidade desse movimento. Para 2027, a entidade projeta produção de até 66,5 bilhões de unidades e consumo médio de 312 ovos por habitante, avanço de até 3,5% sobre a estimativa de 2026. Caso a projeção se confirme, o consumo per capita brasileiro seguirá em um patamar mais de duas vezes superior ao observado no início da década passada, consolidando uma transformação de longo prazo nos hábitos alimentares do país.
Administrada pela segunda e pela terceira gerações da família, a Granja São José produz e comercializa ovos brancos, vermelhos, de codorna e líquidos. Mais informações sobre a empresa, seus produtos e o atendimento ao varejo estão disponíveis em www.granjasaojose.com.
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