
Comemorado no último dia 3, o Dia Internacional da Luta da Pessoa com Deficiência também foi celebrado na Câmara Legislativa com sessão solene realizada na manhã desta sexta-feira (8). A iniciativa da solenidade partiu do deputado Robério Negreiros (PSD), cujo mandato é marcado pela defesa das pessoas com deficiência no Distrito Federal.
“Esta data nos convoca a refletir, agir e reafirmar nosso compromisso com uma sociedade inclusiva e justa. Precisamos promover o respeito e, por meio do debate, construir novas políticas públicas para as pessoas com deficiência na capital do país. O nosso mandato já produziu mais de 15 leis nesse sentido, como a da bengala longa, a do cordão girassol e a do banco comunitário de cadeiras de rodas”, afirmou Negreiros durante a sessão solene.
Eliane Nuvem, do Instituto Você nunca Andará Sozinho, lembrou que ainda é preciso avançar na luta pela garantia de direitos. “O público que está na ponta, como por exemplo em Samambaia, ainda aguarda as políticas públicas. Muitas crianças autistas vão para a escola só para se alimentar, pois não têm o que comer em casa. E sabemos que essas crianças são seletivas na alimentação, portanto precisamos de atenção especial”, explicou.
Presidente de honra do Movimento do Orgulho Autista, Fernando Cotta criticou o baixo número de escolas adaptadas para receber alunos autistas. “Temos uma grave denúncia sobre a Secretaria de Educação em relação às turmas especiais, que estão diminuindo de forma abrupta e sem a conformidade das famílias. Ouçam as mães, ouçam o que elas têm a dizer sobre as dificuldades que seus filhos enfrentam”, observou.
A luta das pessoas com deficiência na área da saúde também foi ressaltada durante a solenidade. Silma Costa, da associação DF Down, reclamou da dificuldade para se conseguir um laudo médico para atestar a condição de seu filho. “Temos mais de 10 mil crianças com deficiência esperando para conseguir um laudo de neuropediatra. Isso é um descaso. Há dois anos estou tentando conseguir esse laudo para meu filho e não consigo”, criticou Silma.
Outras questões relacionadas às dificuldades que as pessoas com deficiência enfrentam no DF também foram levantadas durante a solenidade. Daniel Vital de Oliveira, servidor público da Câmara Legislativa, apontou a necessidade de uma legislação específica para regulamentar a aposentadoria de servidores com deficiência. Edilson Barbosa, do Movimento Orgulho Autista do Brasil, disse que a Secretaria de Saúde abandonou os autistas do DF. “A Secretaria de Saúde virou as costas para os autistas do DF. Não temos um local para emitir laudos e nem um local para fazermos as terapias. Estamos vivendo um apagão nessa área e o GDF não está fazendo nada. O prefeito de Águas Lindas criou um centro de equoterapia municipal que já está funcionando. Nós vamos ter que sair do DF para ir até Águas Lindas?”, questionou Edilson.
Representando a Secretaria de Atenção Integral à Saúde, Andriele Haddad afirmou que o Governo do Distrito Federal trabalha para garantir a inclusão desse segmento da população. “Estamos qualificando nosso pessoal e ampliando a oferta de vagas. Hoje contamos com programas que vão desde a identificação precoce ao tratamento e reabilitação. Temos o compromisso de buscar soluções para melhorar o acolhimento a essas pessoas”, disse.
Ao final da solenidade, o deputado Robério Negreiros garantiu aos presentes que todas as reclamações e sugestões serão tratadas com o Governo do Distrito Federal para os devidos encaminhamentos.
Eder Wen - Agência CLDF





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