
A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) decidiu ampliar a participação da esposa, a dentista Fernanda Bolsonaro, na construção da candidatura ao Palácio do Planalto. A estratégia busca fortalecer a conexão do parlamentar com o eleitorado feminino e ganhou força após o desgaste na relação entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que, até então, era vista como principal elo da campanha com as mulheres.
Nos bastidores do PL, a avaliação é de que Fernanda deverá assumir um papel cada vez mais ativo nas agendas públicas, na comunicação digital e na elaboração de propostas voltadas especialmente para saúde da mulher, atendimento na rede pública e políticas familiares. Integrantes da campanha afirmam que a presença dela ajuda a reforçar a imagem de Flávio como um candidato ligado à família e com um perfil mais moderado.
A movimentação, entretanto, divide opiniões entre lideranças da direita. Uma ala do partido avalia que a decisão é natural diante do distanciamento de Michelle e considera que Fernanda reúne atributos para ocupar esse espaço político. "Está certo. Ela vai ser a nova primeira-dama e precisa começar a ser conhecida pelos brasileiros", afirmou um aliado do senador, sob reserva.
Outro interlocutor defendeu que "a campanha precisava de uma figura feminina própria e Fernanda cumpre esse papel com legitimidade". Há, porém, quem veja riscos na estratégia. Reservadamente, integrantes do campo conservador afirmam que Michelle Bolsonaro mantém forte identificação com o eleitorado feminino e religioso e que qualquer tentativa de substituição pode gerar comparações desfavoráveis.
Outros aliados ponderam que Fernanda ainda precisará conquistar protagonismo político próprio antes de assumir uma posição de maior exposição nacional. Nos últimos dias, Fernanda intensificou a presença nas redes sociais e passou a aparecer com maior frequência nos vídeos publicados por Flávio Bolsonaro.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também começou a destacar a cunhada em publicações, numa tentativa de ampliar sua visibilidade entre os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. A expectativa da equipe é consolidar sua imagem como uma das principais representantes femininas da campanha.
Além do fortalecimento da participação da esposa, a pré-campanha trabalha com outras iniciativas voltadas ao público feminino. Entre elas está o lançamento do programa Brasil por Elas, previsto para a próxima semana, em São Paulo, reunindo propostas direcionadas às mulheres. A escolha de uma candidata à Vice-Presidência também segue em discussão. Entre os nomes citados por aliados estão as deputadas federais Julia Zanatta (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF), além da ex-presidente da Caixa Daniella Marques, que participa das articulações da pré-campanha.
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