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“Vou pedir a Flávio que preserve o FCDF”, diz Celina Leão em entrevista

“Vou pedir a Flávio que preserve o FCDF”, diz Celina Leão em entrevista

08/10/2026 às 08h50
Por: João Araújo Fonte: CNN Brasil
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“Vou pedir a Flávio que preserve o FCDF”, diz Celina Leão em entrevista

Em entrevista ao Correio Braziliense, a governadora e candidata à reeleição pelo PP, Celina Leão, afirmou que, se eleita, a primeira demanda que vai levar ao presidente Flávio Bolsonaro, em caso de vitória, é que não mexa no nosso Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF), "porque por duas vezes o governo do PT tentou tirar. Eu agi no Congresso Nacional, conseguimos reverter isso. Para quem não entende muito o que estou falando, estou falando dos recursos que financiam saúde, segurança e educação no DF. E esses recursos novamente estão ameaçados", destacou a governadora. No segundo turno contra Leandro Grass (PT), Celina criticou a atuação do governo federal, valorizou os resultados da direita nas urnas. Na saúde, prometeu avançar na informatização da rede, na realização de cirurgias e na construção de novas unidades.

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Um dos assuntos que vai dominar o debate vai ser a questão do BRB. Como a senhora se prepara para responder a essa questão? Como a senhora vai reagir a esse assunto?

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Faz um ano que o PT no DF não faz absolutamente nada para ajudar na situação do BRB. Eles torcem contra. Mas o BRB está saindo dessa crise, e com essa configuração (política) nacional que agora se apresenta, com o Senado totalmente diferente, Câmara diferente, tenho certeza da saída do BRB, mesmo com o PT fazendo todas as forças contrárias a isso. O BRB terá uma solução definitiva. Estamos trabalhando, inclusive, com a possibilidade de um empréstimo internacional.

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O resultado das urnas mostrou uma onda bolsonarista muito forte na eleição de senadores, governadores, parlamentares, e aqui a senhora quase ganhou em primeiro turno por muito pouco. Gostaria que a senhora fizesse uma análise sobre por que o eleitor deu essa oportunidade ao bolsonarismo e massacrou os candidatos da aliança do governo de Lula...

Tínhamos uma chapa Bia Kicis e Michelle. Todas elas eram 22. Uma configuração que as pessoas achavam que eu era 22 também. Houve erro de urna. Então esses 167 votos que faltaram (para ganhar no primeiro turno), tenho certeza que foram para o 22, que teve 26 mil votos. Mas recebemos com tranquilidade a notícia, sabíamos que teríamos o segundo turno para enfrentar. E por que o Brasil deu uma resposta nas urnas diferente do que o PT pensava? Olha a política econômica do nosso país. Quem ganha dinheiro hoje no país é quem não trabalha, quem ganha é o mercado financeiro. Os juros nas alturas. Hoje a pessoa humilde não consegue comprar uma casa, porque não consegue financiar. Vai viver pagando juros. Ela não consegue adquirir um carro. O poder de compra do brasileiro caiu no supermercado e a interferência do Judiciário na política contou muito, até para aquele eleitor que não tinha ideologia. O eleitor de centro tem certeza que há um exagero por parte do Judiciário. Isso trouxe muita gente a votar e falar um não a essas intervenções. Acho que a péssima gestão do governo e o número de interferência do Judiciário no dia a dia da política, especialmente o STF, influenciaram.

A senhora vai participar de debates neste segundo turno?

Nossa equipe de comunicação estava olhando e tem muitos convites. É um segundo turno muito curto e eu preciso estar nas ruas, preciso de governar. Tem muita coisa para faze. Preciso estar presente no governo. Decidiremos com muita cautela se vamos ou não. A campanha partiu para uma agressividade a um nível extremos. Hoje, eles estavam soltando panfletos apócrifos, que nós denunciamos na delegacia, fizemos boletim de ocorrência, denunciamos na Polícia Federal também e na Justiça eleitoral. Esse é o método do PT que, quando está perdendo, joga muito baixo. Eu não tenho medo de debate. Mas era uma mentira atrás da outra (no primeiro turno) e a gente não tinha oportunidade de responder. Minha equipe técnica de comunicação vai analisar e decidir. Meu governo de quatro meses é melhor do que o governo do PT de quatro anos.

Falando dos debates, lembramos que a senhora foi bombardeada pelos seus adversários. Mas, agora, no segundo turno, eles não estão declarando apoio para o Grass, com exceção do PSB. Kiko Caputo declarou apoio à senhora e Paula Belmonte optou pela neutralidade. Como a senhora avalia esse cenário?

É um cenário que eles entendem que sou o melhor projeto. É o que as pessoas falam, que o governo do PT foi um fracasso. Tenho lembranças firmes do que era o governo do PT, porque era deputada distrital. A única obra do PT aqui foi o estádio, que eles abriram mão de financiar com o dinheiro federal, como todos os estados fizeram, e financiaram aqui e sobrou uma megaoperação policial em cima disso. Então, o governo do PT traz péssimas lembranças. Na área social era um fracasso.

A senhora vai procurar o ex-governador José Roberto Arruda?

Acho que nesse momento recebi apoio de todo grupo dele. Ele se recolheu, então o grupo dele veio. Quando o grupo vem, é um simbolismo que ele deu autorização para isso, mas todo apoio é bem-vindo. Mas tivemos muitas divergências. Acho que fui a única candidata a falar o que tinha para falar.

A senhora pensa em mudar o secretariado e colocar alguém desses grupos que já anunciaram apoio à senhora?

Quando tivermos uma eleição definitiva, algumas mudanças precisarão ser feitas. Faremos com muita tranquilidade. Mas sempre com alguns focos: nomes limpos, com ficha limpa, e que tenham competência. Não dá para colocar uma pessoa inexperiente para ter um laboratório no seu governo. Quero pessoas que consigam trazer aquilo que quero deixar um legado. Tenho pouco tempo, são quatro anos, e não posso ter reeleição. Então, vou fazer tudo que essa cidade precisa de fazer. Minha missão é entregar um GDF engrenado, que tenha começado as grandes obras de infraestrutura, transformando a saúde pública. No mapa do Ministério da Saúde, somos o estado que mais ampliou cirurgias eletivas. Isso é orgulho para mim, porque peguei com muita dificuldade, mas trouxemos inovações.

No resultado das urnas para eleição na CLDF ficou claro que a senhora vai ter uma bancada ampla. Como a senhora vê essa situação?

Fico feliz, porque a governabilidade traz segurança jurídica para a população. Um governador vai conseguir entregar aquilo que ele prometeu, porque não vai ter uma Câmara Distrital fazendo oposição a ele. De ter duas senadoras que vão investir 100% do recurso delas aqui para o DF. Nós não vivemos isso. Vivemos com senadores colocando recurso fora do DF, do governo, das secretarias. Colocavam em ministérios e entidades para não colocar no DF. Quando você tem três senadoras alinhadas, cinco deputados federais de oito e 18 distritais, temos uma chance de construir aquilo que a população espera, que inclui a entrega de 100 mil lotes. Preciso de colocar estrutura nessas áreas. Temos metas claras e com essa bancada não vai faltar recurso e nem apoio. E a população vai ver tudo muito rápido acontecendo.

E a meta de agora até o fim do ano, nesse primeiro mandato, o que que precisa?

Precisamos aprovar o orçamento. O orçamento para o ano que vem tem uma previsibilidade de R$ 8 bilhões para investimento e é uma boa notícia. É a primeira vez que a gente consegue fazer um orçamento ajustado e estamos colocando o orçamento do jeito que você gasta, aquilo que você gasta no transporte, você vai fazer a previsão no transporte; aquilo que você gasta na saúde, também. Para você ter um orçamento exequível, não ter um orçamento totalmente fictício, que depois você não dá conta de executar. Onde nós estamos reduzindo? No custeio. Nós transferimos várias secretarias para o Centro Administrativo (CAD), estamos economizando aluguel. Estou fazendo um catálogo dos 7 mil imóveis que o GDF tem, e a ideia é que esses imóveis também gerem receita para o governo do DF.

Vão ser alugados?

Vão ser alugados. Eles não podem ficar sendo depreciados ou sendo jogados, ou às vezes até invadidos. Pedimos uma auditoria.

Vários candidatos que passaram nas sabatinas do Correio falaram que falta um prontuário informatizado na saúde…

Está sendo licitado. Semana que vem eu assino um novo sistema de regulação. Hoje essas faltas que eu tenho nas minhas cirurgias eletivas é por conta de uma fila contaminada por um sistema muito antigo. Estamos licitando um sistema novo, moderno, inteligente. É o mesmo sistema de Goiás.

Então a pessoa quando chegar numa unidade básica de saúde ou num hospital público, vai sair ali o prontuário?

Desde a unidade básica de saúde até o Hospital de Base. A primeira coisa que eu tive que fazer para isso foi criar um decreto da rede distrital de saúde. Por exemplo, o Hospital da Criança. Ele tem uma gestão autônoma e independente, mas é mantido pelo GDF. Então quando a gente monta essa rede, consigo ter uma visão de leitos de rede e isso só vai melhorar. Com esse novo sistema de regulação, se o médico da atenção básica já pediu um exame, quando ele chegar lá no Iges ou em qualquer outro hospital, ele vai saber que o exame está lá no prontuário eletrônico dele.

A senhora passou a campanha rebatendo as críticas dos seus adversários em relação à saúde e ao BRB. A senhora tem essa missão de solucionar esses dois problemas?

Vou solucionar. Acho que a questão financeira da cidade eu resolvi. Na questão da saúde, eu já sou a governadora que mais operei na história do DF, porque não tem nenhum governador que operou 20 mil pessoas. Fiz isso em quatro meses. Mas ao mesmo tempo eu estou investindo no SUS. Estou com três hospitais sendo construídos, com sete novas Upas sendo construídas, cinco serão entregues esse ano. Na saúde, você não pode fazer só um pedaço. Tem que fazer a complementaridade, que é aquela fila enorme que não dava conta de resolver a curto prazo, mas você precisa investir no dia a dia, que é contratar médico.

Flávio Bolsonaro fez algum aceno para ajudar nessa crise do BRB?

Acho que o Flávio está envolvido na campanha. Nunca vou pedir nada para mim, mas para a minha cidade, qualquer que seja o presidente da República, sempre fazendo um diálogo republicano. Mas quando a gente tem as portas fechadas, igual nós tivemos o governo federal para o DF, eu não vou cruzar os braços. Vou buscar mercados internacionais, buscar apoios e a possibilidade de um empréstimo internacional. Iremos pedir o mesmo valor que iríamos pedir, de R$ 6 bilhões. Tem uma possibilidade de uma reparação criminal por parte do próprio (Daniel) Vorcaro, que parece que está oferecendo isso ao Judiciário. E há um pedido bem claro do Governo do Distrito Federal sobre o ressarcimento. Tenho fé de recuperarmos esse recurso.