
Moradores da quadra e alunos de escola localizada na SQN 115, na Asa Norte, denunciam e pedem explicações à Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) sobre a retirada de um Ipê Amarelo que fazia parte da quadra há 15 anos. A árvore, que já estava florida, foi cortada no dia 18 de agosto. A denúncia também foi enviada à ouvidoria do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT).
Quando questionados sobre o que achavam da retirada do ipê, as crianças gritam: “Muito ruim”. Na placa de identificação, ao lado de onde estava localizado o ipê, escreveram a frase “Novacap criminosa”. Uma das crianças aponta para a placa e afirma: “É isso que achamos, o que está escrito na placa”, relata. Outra diz “Horrível, tiraram nossa sombrinha”.
A árvore, querida por moradores e frequentadores da quadra, era o único ipê totalmente florido da região e se destacava entre os prédios. A moradora Cristina Campos conta que chorou quando viu o corte. “Eu fiz os últimos registros do Ipê. Não sabia que eles iam fazer isso, jamais. Eles não nos informaram e isso é muito grave”, diz.
Segundo a botânica e prefeita da quadra, Vera Coradin, o ipê estava saudável e com o tronco sadio. Ela afirma que há dois meses, a Novacap entrou em contato com ela para avisar que pretendiam cortar a árvore. “Eles julgava que o tronco da árvore estava inclinado e sendo arrancado da terra, ”explica.
O argumento apresentado pela companhia seria o perigo de a árvore tombar em cima de um aparelho de ginástica ao lado da planta. “Essa árvore já é inclinada assim há mais de 15 anos. Ela já tinha criado uma outra raiz de suporte para contrabalancear a inclinação do tronco e sustentar ela em pé”, justifica Vera. Além disso, a prefeita defende que, em caso de queda, o ipê teria caído em direção ao lado contrário do aparelho. “Quando eles cortaram deu para ver que ele caiu pro lado do mato e não do equipamento”, defende.
Vera estava fora de casa quando recebeu a ligação da diretora da Novacap, na terça-feira (18), afirmando que agentes da companhia estavam cortando a árvore naquele momento. “Eu liguei de volta, tentei fazer de tudo, mas eles não escutam a população. Fazem uma análise superficial e sem critérios”, desabafa.
Ainda nos últimos dias, a prefeita afirma ter contactado também a Administração Regional do Plano Piloto. Segundo ela, a administração comunicou que não havia sido informada da retirada da árvore e que lamentava a situação.
Procurada pela reportagem, a administração esclareceu que “não foi acionada para a execução do serviço e não participou da intervenção realizada no local e que, portanto, não tem como se manifestar quanto aos procedimentos adotados no local”.
Célia Guimarães é vice-diretora da escola classe da 115 Norte e também está indignada. “As crianças disseram era um crime e perguntaram o porquê disso. Elas brincam aqui todo dia, todo mundo tinha amor pelo ipê amarelo”, destaca a educadora.
Em nota enviada ao Correio, a NovaCap informou que a supressão do ipê-amarelo foi realizada estritamente por motivos de segurança pública e prevenção de acidentes. Segundo o órgão, vistorias técnicas e imagens constataram que "o exemplar apresentava uma inclinação severa em direção direta aos equipamentos da academia pública, além da identificação de sinais claros de seccionamento nas raízes, o que reduz a sustentação do tronco e eleva o risco de queda iminente sobre os frequentadores do espaço”.
Ainda na nota, a Novacap explicou que, no momento da retirada, a árvore não apresentava mais floração ativa. Por fim, o órgão afirmou que compreende e compartilha do carinho e da preocupação da comunidade com a arborização da capital, mas que reforça que a “preservação da vida e a integridade física dos pedestres e usuários dos equipamentos públicos são prioridades absolutas, tornando a intervenção necessária e urgente”.
O Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) confirmou o recebimento da denúncia e afirmou que o caso está em análise.
Mesmo após uma semana da supressão do ipê amarelo, o clima na quadra continua de tristeza e revolta. A prefeita cita a falta de comunicação da Novacap com os moradores da quadra como motivo de maior insatisfação. “Eles não escutam a população que mora aqui há anos e conhece o ipê. Ainda por cima, cortam na época do florescimento, quando ela estava linda. Dava para ver à metros de distância”, afirma Vera.
Ela pede à NovaCap uma comunicação mais próxima com os moradores e a prefeitura para a consulta das demandas que afetam a comunidade do local. “Precisamos ser consultados antes de um ato como esse, não de respostas e explicações superficiais e sem critérios”, diz.
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