
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou, nesta quarta-feira (5/8), como "irresponsável" e "impensada" a decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti.
Ao comentar o caso pela primeira vez, o petista afirmou que a medida desrespeita a relação diplomática entre os dois países e acusou o governo de Donald Trump de tentar impor ao Brasil o ritmo da nomeação do novo embaixador norte-americano.
"Eu achei uma atitude irresponsável, impensada para os dois países, que têm uma relação diplomática há 200 anos", afirmou Lula em entrevista aos podcasts Meteoro Brasil, Os Três Elementos e BlaBlaLogia.
O presidente também rebateu a justificativa adotada pelos Estados Unidos para vincular a revogação do visto de Viotti à demora do governo brasileiro em conceder o agrément ao indicado de Trump para a embaixada em Brasília. Segundo Lula, Washington não tem legitimidade para cobrar rapidez do Brasil, já que deixou o posto diplomático no país sem um embaixador por cerca de um ano e meio.
"Os EUA não deram importância à embaixada no Brasil porque tem um ano e meio que [Donald Trump] está no poder e não mandou para cá. Aí tentou mandar e acha que a gente tem obrigação de fazer na data que eles querem? Não é correto, não é possível", apontou.
A declaração ocorre um dia após o Departamento de Estado anunciar a revogação do visto diplomático de Maria Luiza Viotti. O governo americano informou que a embaixadora poderá permanecer nos Estados Unidos, mas sem um visto válido, e indicou que a situação poderá ser revertida caso o Brasil aprove a indicação do novo embaixador dos EUA.
Como mostrou o Correio, o Itamaraty não foi informado previamente sobre a decisão e passou a tratar a medida como uma forma de pressão para acelerar a aprovação do representante indicado por Trump. Nos bastidores, diplomatas brasileiros avaliam que Washington rompeu com a prática diplomática ao condicionar a situação da chefe da missão brasileira a uma decisão que cabe exclusivamente ao governo brasileiro.
Lula também afirmou que não pretende receber novos embaixadores antes das eleições de outubro, sinalizando que o governo não deve alterar o calendário diplomático em razão da pressão americana.
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