
Pesquisa da Datafolha divulgada nesta sexta-feira (3/7) indica que a parcela de brasileiros que associa pobreza à preguiça quase dobrou nos últimos quatro anos, saltando de 22% em 2022 para 40% em 2026.
Embora o avanço da tese da ”preguiça” seja o maior da série iniciada em 2013, a visão de que a pobreza está ligada à falta de oportunidades iguais para subir de vida continua sendo majoritária, mas registrou queda, somando 76% em 2022 para 58% em 2026.
A análise do Datafolha aponta que a visão varia conforme o bolso e a atividade do entrevistado. O recorde de pessoas com renda familiar de até dois salários mínimos espelha exatamente a média nacional (40% preguiça e 58% oportunidades).
A pesquisa também classifica as respostas de acordo com a ocupação econômica de seus entrevistados. Para 56% dos empresários, boa parte da pobreza está ligada à preguiça, o maior valor entre todas as ocupações. A menor fatia que associa pobreza à preguiça está entre os funcionários públicos: 28%.
A maior taxa de rejeição à ideia da “preguiça” vem da faixa mais rica. Entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, 63% creditam a pobreza à falta de oportunidade.
Em questão de idade, o abismo geracional é marcante na pesquisa. Os jovens são os que mais associam a pobreza a questões estruturais do país, enquanto os idosos dividem opiniões, com 49% associando à preguiça e 48% à falta de oportunidades.
Por voto presidencial, o alinhamento político reflete as matrizes ideológicas de esquerda e direita, onde os eleitores de Lula somam 70% aqueles que apontam a falta de oportunidade e 28% que associam a preguiça; já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 52% creem na má vontade de trabalhar e 44% apontam a falha no sistema.
A pergunta faz parte do eixo comportamental da matriz ideológica da pesquisa, que coleta dados sobre temas como armas, pobreza, migração, criminalidade, pena de mortes, droga, homosexualidade, crença em Deus, e outros.
O levantamento foi realizado presencialmente com 2004 eleitores de 16 anos ou mais, em 139 municípios brasileiros , nos dias 17 e 18 de junho. O nível de confiança é 95% , e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.
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