
O novo julgamento do ex-deputado distrital Carlos Pereira Xavier, acusado de mandar matar o adolescente Ewerton da Rocha Ferreira, foi remarcado para 26 de agosto, às 9h, no Tribunal do Júri do Recanto das Emas, no Distrito Federal. A sessão estava inicialmente prevista para ocorrer nesta quarta-feira (27/5).
Carlos voltará a ser julgado pelo assassinato de Ewerton, de 16 anos, morto em março de 2004 com tiros na cabeça atrás de uma parada de ônibus entre Samambaia e Recanto das Emas. Segundo o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o crime teria sido motivado pelo relacionamento do adolescente com a então esposa do político.
O caso ganhou notoriedade no Distrito Federal e levou à cassação do mandato parlamentar de Xavier, tornando-o o primeiro deputado distrital da história da Câmara Legislativa (CLDF) a perder o cargo. Em 2014, ele foi condenado a 15 anos de prisão pelo Tribunal do Júri. No entanto, em setembro de 2024, a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) anulou a condenação e determinou a realização de um novo julgamento. A decisão foi unânime.
A revisão do caso ocorreu após declarações do policial civil Adamastor Castro e Lino de Andrade Júnior, que afirmou ter percebido interferências políticas e econômicas durante as investigações do homicídio. Segundo o agente, a apuração teria sofrido influência de interesses relacionados à sucessão da vaga parlamentar de Xavier na Câmara Legislativa.
Inicialmente, o crime foi tratado como latrocínio. Posteriormente, a investigação passou a apontar homicídio encomendado. Conforme a acusação do MPDFT, o executor Leandro Dias Duarte afirmou ter sido contratado para participar do assassinato do adolescente.
O acórdão do TJDFT destaca que a vítima foi executada “com dois tiros na cabeça, região letal, a curta distância”, circunstância que, segundo os desembargadores, evidencia “propósito homicida”.De acordo com o processo, o Ministério Público sustenta que o assassinato foi cometido por motivo torpe e mediante pagamento. A denúncia aponta que Ewerton foi sequestrado, agredido e morto após o suposto envolvimento amoroso com a ex-esposa do então deputado.