
A 44ª Reunião da PAGOS – Associação do Ecossistema de Pagamentos e Infraestrutura Financeira Digital —, realizada em 25 de março, em São Paulo, reforçou o protagonismo do Brasil no cenário global de inovação financeira. O encontro reuniu especialistas do setor para discutir o impacto do Pix, os avanços em interoperabilidade e os desafios regulatórios associados à consolidação do país como exportador de infraestrutura financeira digital.
Participaram do debate Eduardo Pires, Gilberto Martins (Giba) e Carlos Netto (TK), executivos com ampla atuação no mercado de meios de pagamento, que trouxeram perspectivas complementares sobre evolução tecnológica, regulação e integração internacional.
Segundo matéria do g1, o Pix, lançado pelo Banco Central do Brasil em 2020, consolidou-se como uma das principais infraestruturas de pagamento instantâneo do mundo. Com ampla adoção pela população e forte crescimento em volume de transações, o sistema tornou-se referência internacional em eficiência, inclusão financeira e escalabilidade.
As pesquisas destacadas pela matéria demonstram que esse avanço posiciona o Brasil não apenas como usuário de inovação, mas como potencial exportador de soluções em tecnologia financeira, influenciando modelos internacionais de interoperabilidade e pagamentos digitais.
Interoperabilidade e o avanço do QR Code multitrilho
Um dos destaques do encontro foi a discussão sobre o conceito de QR Code multitrilho, apresentado por Carlos Netto (TK). A tecnologia, que está sendo testada e implementada no mercado dos Estados Unidos, visa estabelecer um padrão de QR Code para a região, integrando diferentes infraestruturas de pagamento — como sistemas locais, redes internacionais, blockchains, stablecoins e até o Pix — em um único ambiente operacional.
Segundo o executivo, essa abordagem representa uma evolução relevante para a arquitetura dos pagamentos digitais em solo norte-americano, ao permitir transações mais fluidas que independem de uma rede ou moeda específica. O objetivo é que este se torne o QR Code padrão do mercado estadunidense, facilitando a interoperabilidade que o país busca alcançar.
"O QR Code universal que está sendo viabilizado lá fora é disruptivo porque permite pagamentos instantâneos globais sem depender de uma rede única. É a tecnologia brasileira servindo de base para modernizar mercados consolidados como o dos EUA", afirmou TK.
O executivo ressalta que, embora o modelo de sucesso do Pix no Brasil sirva de inspiração técnica, a aplicação prática deste QR Code multitrilho foca agora em resolver a fragmentação do sistema financeiro dos Estados Unidos. A iniciativa reforça uma tendência global: a busca por soluções interoperáveis em fase de testes que reduzam fricções, amplie a competição e viabilizem pagamentos instantâneos em escala internacional.
Regulação como vetor de equilíbrio entre inovação e segurança
A agenda regulatória foi apontada como elemento central para a sustentação desse avanço. Gilberto Martins, o Giba, executivo com passagens por Itaú, Santander, Mastercard e Ebanx, destacou que o Brasil construiu um ambiente regulatório robusto, que contribuiu diretamente para o sucesso do Pix, mas ressaltou a importância de preservar o equilíbrio para não restringir a inovação.
Ele comenta que, nesse contexto, ganham relevância temas como:
"O Brasil tem uma regulação robusta, mas precisamos garantir que ela não se torne excessivamente rígida, para não sufocar a inovação", disse. O executivo também pontuou a recepção positiva de executivos estrangeiros ao Pix, citando visitas de representantes de empresas asiáticas, europeias e norte-americanas atendidas pelo consultor.
Giba referencia o assunto, afirmando que o mercado financeiro internacional olha para o Brasil com respeito. "Executivos estrangeiros ficam impressionados com a escala e a eficiência do Pix, algo que poucos países conseguiram implementar".
"A regulação é fundamental, mas precisa ser inteligente. Se for excessivamente rígida, sufoca a inovação. O desafio é encontrar o equilíbrio que permita competição saudável e avanço tecnológico", avalia o executivo.
O desafio, segundo os participantes da 44ª Reunião da Pagos, está em garantir um ambiente que promova competição saudável, segurança e inovação contínua, sem criar barreiras desnecessárias ao desenvolvimento do setor.
Brasil como liderança regional e plataforma de expansão global
O executivo Eduardo Pires destacou o papel estratégico do Brasil na liderança regional em iniciativas como Open Finance e na cooperação com outros países da América Latina. Segundo ele, o momento atual representa uma inflexão relevante: "O Brasil passa a ser reconhecido não apenas como mercado consumidor, mas como referência na construção de infraestrutura financeira digital", afirma o executivo.
Pires complementa, dizendo que essa mudança amplia as oportunidades de internacionalização de soluções brasileiras e fortalece o posicionamento do país como hub de inovação no setor.
"Estamos diante de uma mudança de paradigma. O Brasil, que sempre foi visto como exportador de commodities, agora começa a ser reconhecido como exportador de tecnologia bancária", explica Pires, comentando sobre o papel do Brasil em consolidar a liderança regional e transformar o Pix em um passaporte para o Brasil no mercado financeiro global.
Dados recentes do mercado
Pagos e a articulação do ecossistema regulatório
A 44ª Reunião da Pagos reforçou o papel da Associação como articuladora do ecossistema de pagamentos e interlocutora qualificada junto a reguladores, instituições e demais stakeholders.
Pedrina Braga, vice-presidente de Assuntos Regulatórios e Compliance e diretora-executiva de Produtos e Serviços da Associação Pagos, complementa dizendo que "por meio do Comitê Regulatório e Grupos de Trabalho, a associação tem atuado na construção de agendas que conectam:
Esse modelo de atuação contribui para reduzir assimetrias, ampliar a segurança jurídica e fortalecer o ambiente competitivo no setor", pondera a executiva.
Perspectivas: da inovação doméstica à influência global
De acordo com o Banco Central, a interoperabilidade no Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) é vista como um pilar estratégico para posicionar o Brasil em uma trajetória consistente de liderança internacional. Ela garante maior segurança, resiliência e integração entre infraestruturas financeiras digitais, permitindo que o país exporte modelos de eficiência e inovação.
Segundo os executivos que participaram da 44ª Reunião da Pagos, o avanço do Pix e das soluções associadas à interoperabilidade posiciona o Brasil em uma trajetória consistente de liderança internacional. Entretanto, ressaltaram que a consolidação desse protagonismo dependerá da capacidade de evolução coordenada entre:
Pedrina Braga finaliza, dizendo que "nesse cenário, o Pix se estabelece como um dos principais vetores dessa transformação — não apenas como infraestrutura doméstica, mas como benchmark global em pagamentos digitais".