
O debate sobre a redução da jornada de trabalho e o possível fim da escala 6x1 tem ganhado espaço no Brasil, especialmente em discussões sobre produtividade e qualidade de vida. Para a IAF Brasil (International Association of Facilitators), a implementação desse modelo pode trazer desafios adicionais às organizações caso não seja acompanhada por mudanças na forma de gestão e organização do trabalho.
De acordo com o presidente da IAF Brasil, Marcelo Egéa, a produtividade está relacionada não apenas ao tempo disponível, mas também à forma como as equipes se organizam e se relacionam. "Se a redução da jornada for tratada apenas como um ajuste de escala, sem mudanças na organização do trabalho, pode haver uma concentração das atividades em menos tempo. Esse cenário pode gerar aumento de pressão sobre os profissionais e impactos no bem-estar", afirma.
Segundo a entidade, a adoção de jornadas reduzidas pode exigir revisão de práticas internas, como fluxos de aprovação, número de reuniões e processos operacionais. A avaliação é que modelos de gestão mais orientados à autonomia e ao engajamento tendem a favorecer a adaptação a esse novo contexto.
"A discussão sobre redução de jornada também passa pela forma como as empresas estruturam suas lideranças. Modelos baseados em maior autonomia e clareza de processos podem contribuir para um melhor aproveitamento do tempo e das capacidades das equipes", diz Egéa.
Facilitação pode contribuir para o diálogo organizacionalOutro ponto destacado pela IAF Brasil é a necessidade de ampliar o diálogo entre empresas, colaboradores e representantes trabalhistas durante a transição para novos modelos de jornada. Segundo a entidade, metodologias de facilitação podem ser utilizadas para apoiar esse processo.
De acordo com Egéa, a facilitação pode ajudar a estruturar conversas e alinhar expectativas entre diferentes partes envolvidas. "Em muitos casos, os desafios não estão apenas na carga horária, mas em fatores como previsibilidade, organização das escalas e percepção de equilíbrio nas relações de trabalho. Espaços estruturados de diálogo podem contribuir para a construção de soluções mais adequadas à realidade de cada organização", explica.
A entidade também avalia que mudanças na jornada de trabalho podem representar uma oportunidade para revisão de práticas organizacionais. "A adoção de novos modelos pode estimular ajustes na forma como o trabalho é planejado e executado, com foco em maior eficiência e melhor utilização dos recursos disponíveis", conclui o presidente da IAF Brasil.