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Analista da Atlas explica impacto do Carnaval em nova pesquisa eleitoral

Em entrevista ao Hora H, Yuri Sanches, da AtlasIntel, afirma que sátira à “família conservadora” no carnaval foi particularmente danosa para o governo e ajudou a aproximar disputa para 2026

Por: Redação Fonte: CNN
26/02/2026 às 09h03
Analista da Atlas explica impacto do Carnaval em nova pesquisa eleitoral

A recente pesquisa eleitoral divulgada pela AtlasIntel, nesta quarta-feira (25), revela um cenário de empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em uma possível disputa presidencial no segundo turno de 2026. Segundo Yuri Sanches, head de análise política da empresa responsável pelo levantamento, o Carnaval foi um dos fatores-chave para esse estreitamento na diferença entre os dois possíveis candidatos.

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Em entrevista ao Hora H, Sanches explicou que a sátira à "família em conserva" apresentada durante o desfile de uma escola de samba que homenageava Lula foi "particularmente danosa para o governo". Apesar de não haver envolvimento direto do presidente ou do PT com o conteúdo do desfile, a associação acabou sendo inevitável na percepção popular.

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"Particularmente a parte do desfile que faz uma sátira em relação à família em conserva foi particularmente danosa para o governo porque nas redes sociais a direita organizada, bolsonarismo, diversos candidatos, mas não apenas no núcleo político, mas também pastores, líderes religiosos, enfim, próprios fiéis, viram naquilo uma espécie de ataque aos seus valores, às suas crenças", explicou Sanches.

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Outros fatores que impactaram a avaliação do governo

O analista destacou que, além do episódio do Carnaval, outros acontecimentos recentes podem ter influenciado negativamente a avaliação do governo. Entre eles estão o caso do Banco Master, que, apesar de não ter ligação direta com o presidente, pode ter respingado no governo devido a uma associação popular entre o STF (Supremo Tribunal Federal) e a gestão atual.

Sanches também mencionou medidas econômicas do próprio governo como fatores que podem ter contribuído para a queda de popularidade, como o recente aumento de impostos sobre itens eletrônicos. "É um governo que já tem uma imagem mais consolidada disso, é um governo que aumenta impostos para arrecadação ao invés, por exemplo, de cortes de gastos", pontuou.

Disputa acirrada e eleitorado volátil

De acordo com o especialista, a eleição de 2026 se configura de maneira similar à de 2022, com dois polos bastante sólidos representados por Lula e pelo bolsonarismo, agora na figura de Flávio Bolsonaro. O diferencial está em uma parcela reduzida da população, cerca de 10%, que é mais independente ou distante da política.

"Esse eleitorado é o que está num pêndulo que pode dar uma vantagem para o presidente Lula ou para a oposição, caso entendam que o governo não está fazendo um bom trabalho", explicou Sanches.

O analista destacou que Flávio Bolsonaro vem fazendo acenos a esse eleitorado mais independente, como quando se dirige à população LGBTQIA+ ou elogia avanços na ciência, tentando se diferenciar da imagem de seu pai.

Quanto às possibilidades de uma terceira via, Sanches avalia que o espaço é reduzido. "Até aqui o espaço é reduzido, como a gente fala, entre os polos o espaço fica bastante apertado para uma terceira via", afirmou. Segundo ele, candidatos como Ronaldo Caiado (PSD), Ratinho Júnior (PSD) e Eduardo Leite (PSD) oscilam entre 4% e 5% das intenções de voto, um percentual similar ao que Simone Tebet (MDB) conquistou em 2022.