
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deve depor à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal no próximo dia 24 de setembro. Segundo apuração de Matheus Teixeira ao Bastidores CNN, a linha de narrativa a ser adotada pela defesa do banqueiro seguirá o mesmo tom usado em seu depoimento à Polícia Federal: Vorcaro planeja afirmar que não cometeu irregularidades e foi preso injustamente.
"A narrativa que ele falou para à Polícia Federal foi de que não tem todo esse esquema que falam, que se ele fosse tão poderoso assim, ele não estaria preso hoje, e que, portanto, não há motivo para essa celeuma toda, tudo isso que estão falando sobre o Banco Master", apontou o analista.
Além disso, Vorcaro deve reconhecer suas relações com figuras do mundo político, mas tentará minimizar a influência dessas conexões, seguindo estratégia similar à adotada em seu depoimento anterior às autoridades.
A expectativa é que o depoimento seja realizado em um ambiente muito mais desafiador do que o encontrado durante seu interrogatório à Polícia Federal. A sessão no Senado contará com a presença de diversos parlamentares e ampla cobertura da imprensa, criando uma atmosfera de pressão considerável.
"A gente sabe como são as comissões do Senado. Imagina como vai amanhecer o Senado Federal no dia desse depoimento - primeiro que todos os jornalistas vão estar lá, e, segundo, e principalmente, todos os parlamentares, ao menos a maioria deles, deve se fazer presente. Será que ele vai manter a mesma calma que no depoimento?", questionou Matheus Teixeira.
O presidente da CAE, Renan Calheiros, que segundo informações conversou três vezes com Vorcaro, deve permitir que todos os senadores façam questionamentos, o que poderá incluir críticas e confrontações diretas ao depoente. Diferentemente do ambiente controlado de um depoimento policial, "ele vai ter que manter um sangue de barata para manter aquela postura que vimou perante a Polícia Federal".
"Vorcaro é um cara que todo mundo reconhece que era hábil politicamente, então, não deve partir para a porradaria ou troca de acusações com senadores, pelo contrário, deve manter a calma, pelo menos tentar, e dizer que não é tão poderoso quanto falam e por isso está preso injustamente, nas palavras dele", explicou Teixeira.
A decisão de comparecer ao Senado, mesmo sob custódia devido às medidas cautelares que cumpre atualmente, é interpretada como uma tentativa de demonstrar cooperação com as investigações. Para sua segurança, o banqueiro deverá contar com escolta, já que não pode ter contato com outras pessoas investigadas no mesmo caso.
Sua equipe de advogados já está preparando a estratégia para a manifestação no Senado, mas a situação de Vorcaro é considerada difícil. Analistas apontam que, apesar dos esforços para atenuar os riscos jurídicos que enfrenta, o banqueiro dificilmente escapará de uma condenação ou consequências mais graves relacionadas às investigações em curso.