
Moradores da região de Alexandre Gusmão, em Brazlândia, denunciam uma situação que classificam como maus-tratos a animais envolvendo um idoso que mantém dezenas de cães em uma chácara. Segundo os vizinhos, o problema dura há cerca de três anos e inclui fome, falta de cuidados veterinários, reprodução descontrolada e mortes frequentes entre os próprios animais. As autoridades, no entanto, afirmam que, até o momento, não foi constatada nenhuma situação que configure crime ambiental.
De acordo com os relatos, o idoso recolhe cães das ruas e os mantém no local sem condições adequadas de cuidado. A vizinha Aline Duarte, 41 anos, afirma que convive diariamente com o problema e que a situação se agravou com o passar do tempo.
“Quando nos mudamos para cá, ele já morava aqui com cerca de 30 cachorros. Nenhum é castrado, nenhum é vacinado, e eles vão se multiplicando. Ele passa o dia fora e, às vezes, nem aparece no fim de semana. Já ficou mais de 20 dias sem vir. Os cachorros estão morrendo de fome e acabam se atacando”, relata.
Segundo Aline, além do sofrimento dos animais, os moradores enfrentam uma situação precária. “O cheiro de urina e de animais mortos invade a minha casa. A noite inteira é um cachorro matando outro. Quando um morre, o sol bate, e o cheiro fica insuportável. A gente não aguenta mais”.
Os vizinhos também afirmam que os cães têm atacado outros animais da região, como galinhas, perus, patos e gansos. “Eles entram nos quintais e matam as criações. Ele até enterra os cachorros que morrem, mas não consegue fazer covas fundas. Os próprios cães desenterram as carcaças depois. Meu marido já procurou Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Ambiental, Zoonoses… nada resolve. Ele é um senhor doente, sem condições de cuidar de si e nem desses animais”, conta Aline.
Outra moradora, que preferiu não se identificar, descreve a situação como recorrente e angustiante. “Os cachorros dominam a casa. Não se sabe se é fome, estresse ou abandono, mas os mais fortes matam os mais fracos. É horrível ouvir os gritos do animal que está sendo morto. O cheiro dos cadáveres toma conta da rua”.

O Correio questionou a Polícia Militar do Distrito Federal, que tomou conhecimento das denúncias e enviou equipes do Batalhão de Policiamento Rural (BPRURAL) ao local para averiguar a situação. No entanto, segundo a corporação, não foi possível constatar flagrante de maus-tratos, nem mesmo com os vídeos e fotos feitos pelos vizinhos.
Em nota, a PMDF esclareceu que, no momento da vistoria, o idoso estava com 22 cães, que tinham acesso a ração e água.
“O material apresentado, composto por vídeos, fotografias e relatos, não possibilita, até o momento, a comprovação categórica da prática do crime de maus-tratos a animais, o qual exige demonstração de conduta dolosa”, informou o BPRURAL.
A corporação ressaltou ainda que a atuação policial segue os princípios da legalidade e que não pode haver intervenção sem elementos concretos que caracterizem crime.
“A PMDF reforça que permanece à disposição da sociedade e dos órgãos competentes, mantendo o compromisso com a proteção ambiental e o bem-estar animal, e seguirá atuando sempre que houver elementos legais que justifiquem intervenção policial”, conclui a nota.
Enquanto isso, os moradores afirmam que continuam sem saber a quem recorrer e temem que a situação se agrave ainda mais.