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Novo salário mínimo e mudanças no IR devem ajudar a aquecer a economia no DF

Em vigor desde 1º de janeiro, novo salário mínimo e ampliação da isenção no Imposto de Renda podem aquecer a economia no Distrito Federal. Mudanças nas regras do Leão devem beneficiar mais de 247 mil trabalhadores da capital

João Araújo
Por: João Araújo Fonte: Correio Braziliense
11/01/2026 às 08h20
Novo salário mínimo e mudanças no IR devem ajudar a aquecer a economia no DF

O ano de 2026 começou com mudanças significativas para milhões de trabalhadores brasileiros. Desde o dia 1º de janeiro, está em vigor o novo valor do salário mínimo nacional, que passou de R$ 1.518, em 2025, para R$ 1.621 neste ano. O reajuste de 6,7% faz parte da política de valorização do salário mínimo retomada pelo governo federal e tem impacto direto não apenas na renda dos trabalhadores, mas também no consumo, na economia e na geração de empregos.

No Distrito Federal, as mudanças devem atingir cerca de 247,2 mil contribuintes. O Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal (CETAD) estima que mais de 147 mil trabalhadores da capital do país deixem de pagar o tributo a partir de 2026. Outras 100 mil pessoas com renda entre R$ 5 mil e R$ 7,35 mil mensais terão descontos progressivos. 

Segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (PT), apenas o aumento do piso nacional deverá injetar mais de R$ 80 bilhões na economia brasileira ao longo de 2026. De acordo com o ministro, o reajuste segue a regra adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que considera a inflação acumulada dos 12 meses anteriores somada ao crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo ano anterior ao vigente. A metodologia, segundo Marinho, garante ganho real ao trabalhador e evita a corrosão do poder de compra ao longo do tempo.

Além do reajuste do mínimo, outra medida anunciada pelo governo federal promete reforçar o orçamento das famílias brasileiras em 2026: a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês. A mudança, que beneficia diretamente cerca de 10 milhões de brasileiros, também prevê redução gradual do imposto para trabalhadores com renda mensal entre R$ 5 mil e R$ 7.350. Segundo estimativas oficiais, aproximadamente 16 milhões de pessoas serão beneficiadas pelas novas regras. Somada ao reajuste do piso salarial, a isenção deve injetar R$ 110 bilhões na economia brasileira. 

As mudanças na tributação do Imposto de Renda entraram em vigor em 1º de janeiro de 2026, mas seus efeitos práticos começam a ser sentidos nos contracheques referentes ao mês de janeiro, pagos em fevereiro. Com a nova regra, ficam totalmente isentos do pagamento do Imposto de Renda trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS ou de regimes próprios, desde que a renda mensal total não ultrapasse R$ 5 mil. Para quem possui mais de uma fonte de renda, a atenção deve ser redobrada: mesmo que cada rendimento isolado esteja abaixo desse valor, pode ser necessário complementar o imposto na declaração anual.

Para os contribuintes que recebem entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, o desconto no imposto é parcial e decrescente. Quanto mais próxima a renda estiver de R$ 5 mil, maior será o benefício; à medida que o salário se aproxima de R$ 7.350, o desconto diminui, até desaparecer completamente acima desse valor. A regra também vale para o 13º salário. As alterações na tributação também terão reflexo futuro na declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. As mudanças implementadas em 2026 serão consideradas na declaração que será entregue em 2027, referente aos rendimentos deste ano.

Boa notícia

A atendente de loja de departamento Ana Letícia Souza, 19 anos, diz que o reajuste do salário mínimo vai melhorar, ainda que de forma tímida, a fração de seu rendimento destinada aos estudos. "Há alguns meses, tenho me organizado financeiramente para iniciar um curso superior de psicologia. Então, acredito que, com esse acréscimo, eu consiga ingressar na faculdade antes do que imaginava", comenta. 

Por sua vez, Maria José Teixeira, 50, subgerente de uma loja de calçados na Asa Norte, que recebe, em média, R$ 3,8 mil, foi pega de surpresa ao perceber que o desconto deixará de existir em seu contracheque. Para Maria, esse valor extra que deixará de ser retido na fonte chega em um momento crucial, servindo como um fôlego financeiro. "Vai compensar os gastos de todo fim do mês, como o aluguel e as contas de água e luz. Vou conseguir ter mais equilíbrio nas contas de casa", diz.