
Sem contato com os vizinhos, João Batista Alves Bispo, 41 anos, conhecido também como o “Tarado do Parque”, mantinha uma vida discreta. O criminoso, preso na manhã desta quarta-feira (7/10) pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), trabalhava como cozinheiro em um restaurante na Asa Sul e morava em Planaltina.
As investigações, conduzidas pela 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), revelaram que o criminoso operava de maneira parecida junto às pessoas que frequentavam o Parque da Cidade à noite: ele dopava as vítimas — sempre do sexo masculino, com idades entre 25 e 40 anos — com “Boa Noite, Cinderela” nas bebidas, estuprava e roubava os pertences. Estima-se que, até o momento, 11 pessoas tenham sido vítimas do autor, em um período de 2008 e 2020. Na tarde desta quinta-feira (8/10), após a repercussão do caso, um mineiro procurou a unidade policial e denunciou o autor por furto.
Segundo a apuração policial, João Batista não conversava com os vizinhos e, atualmente, trabalhava como cozinheiro em um restaurante da 405 Sul. O delegado da 1ª DP Maurício Iacozzilli afirmou que, em alguns casos, o criminoso chegou a abusar das vítimas no horário de almoço e depois do expediente. “Varia por ocorrência. Ele trabalhava pela manhã e `tarde no local e aproveitava dos horários de folga para cometer os delitos”, disse.
Durante o interrogatório, João Batista tentou negar os delitos, imputando-os a um suposto amigo. Contudo, de acordo com o delegado, as investigações demonstraram que a tal pessoa não existe. “Ele não soube explicar como os pertences das vítimas estavam em sua casa e disse que os remédios foram ali deixados por este tal amigo. Os vizinhos chegaram a relatar que ele nunca recebeu visitas, saía às 5h da manhã de casa e retornava após as 23h, sempre sozinho”, detalhou o investigador.
Casos
Ao menos 11 pessoas relataram ter sido vítimas do estuprador. O primeiro caso teria ocorrido em 2008, em Planaltina, mas a vítima só registrou boletim de ocorrência este ano. Em depoimento, o rapaz afirmou que pediu ajuda ao acusado para realizar a mudança de móveis do apartamento. No local, João Batista agrediu e abusou sexualmente da vítima. À época, o rapaz tinha 16 anos.
Dois anos depois, o autor tentou estuprar um homem no Estacionamento 3 do Parque da Cidade, mas a vítima lutou e fugiu. O rapaz só registrou boletim após a repercussão do caso na imprensa. Em 2013, um jovem com deficiência mental foi vítima do criminoso. Segundo o relato, João teria prometido R$ 1 mil em troca de sexo. A mãe do garoto, no entanto, descobriu e denunciou o caso à polícia.
O acusado começou a dopar os homens com a substância química em 2017, segundo as investigações. A primeira vítima foi um jovem de 18 anos. A 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina) instaurou um inquérito, mas a vítima renunciou e não quis dar prosseguimento ao processo. No ano seguinte, o criminoso usou a droga para dopar outro homem, de 22 anos, mas o jovem também preferiu não dar continuidade à ação penal.
Neste ano, ele cometeu outros cinco crimes. O mais recente aconteceu em 10 de agosto. Um homem procurou a 1ª DP ainda na tarde desta quinta-feira, após a repercussão do caso. Ele relatou aos policiais que estava no Parque da Cidade, sentado em um banco, quando o autor se aproximou e lhe disse que estava triste pois era seu aniversário e estava sozinho. Após as conversas, criminoso perguntou se a vítima não queria "tomar uma" com ele. O rapaz aceitou, segundo apontaram as investigações. O homem desacordou e foi encontrado apenas no dia seguinte pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que o socorreu. A vítima alegou que não foi abusado, mas teve o celular furtado.
Denuncie
A polícia pede para que, quem reconhecer João Batista como autor de outros crimes, denuncie à PCDF pelo telefone 197.
Suspeito Capitã da PM morre em BH e marido sargento é preso após apresentar versão
Mãe Mãe de menina chutada pelo pai denuncia crime após ver imagens nas redes
GDF GDF amplia cotas do serviço voluntário da PMDF para reforçar policiamento nas ruas Mín. 17° Máx. 28°


