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Saúde COVID-19

Número de casos de coronavírus no RS é nove vezes maior do que o registro oficial, estima pesquisa

Projeção da terceira fase do levantamento da UFPel é de que Estado tenha 24,8 mil infectados, com apenas 2,9 mil notificados

13/05/2020 20h33
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Por: DILMAN LIMA
Número de casos de coronavírus no RS é nove vezes maior do que o registro oficial, estima pesquisa

A conclusão da nova fase da pesquisa sobre a prevalência do coronavírus (Epicovid19) na população gaúcha estima que o Rio Grande do Sul tem 24,8 mil infectados, sendo que apenas 2.917 estão registrados em dados oficiais. Ou seja, são 21,9 mil pessoas que já tiveram contato com a doença e desenvolveram anticorpos para a covid-19, mas que não sabem disso. Portanto, transmitem o vírus sem ter conhecimento desse risco.

Os resultados da nova rodada da pesquisa foram apresentados pelo governador Eduardo Leite na tarde desta quarta-feira (13), juntamente com o coordenador-geral do estudo, o epidemiologista Pedro Curi Hallal.

— Os dados do estudo são importantes porque integram os parâmetros que usamos para o distanciamento controlado — destacou Leite.

A subnotificação constatada nos resultados mostraria que, para cada um registrado, nove são desconhecidos — na segunda etapa, eram 12. Com a margem de erro, essa relação fica entre quatro e 16. Das 4,5 mil pessoas entrevistadas e submetidas ao teste rápido para detectar a presença de anticorpos no organismo, 10 tiveram resultado positivo, sendo que quatro são moradoras de Passo Fundo.

Para Hallal, o dado referente a Passo Fundo "confirma o que as estatísticas têm mostrado sobre a cidade, que é uma das que têm o maior número de mortes e casos confirmados no Estado". O epidemiologista sugeriu atenção do governo para Passo Fundo. 

E o governador afirmou que a partir dos dados o sistema de bandeiras de Passo Fundo pode ser modificado em uma próxima análise.

A nova etapa revelou aumento da prevalência de pessoas com anticorpos: 0,22% dos testados tiveram resultado positivo, enquanto na etapa anterior, o percentual foi de 0,13%. Apesar desse aumento, a prevalência ainda é considerada baixa e Hallal, reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), instituição que coordena o estudo, explica:

— A prevalência ainda baixa confirma o sucesso do Estado no combate a pandemia, especialmente porque a população aderiu às medidas de distanciamento social na hora certa.

O que é prevalência?

Prevalência é a proporção de uma doença em uma população. Segundo os pesquisadores da UFPel, é um retrato da situação de saúde que está sendo estudada, no caso, a incidência de covid-19. Cada pessoa é estudada uma vez, compondo uma amostra, e desse total é tirada a proporção de casos da doença. Depois, isso é levado, estatisticamente, para toda a população.

Ainda assim, o aumento da prevalência de pessoas com anticorpos aparece junto à constatação de que caiu o número de quem respeita as orientações de distanciamento social. 

Entre o primeiro levantamento e o mais recente, o percentual da população que relatou sair de casa diariamente aumentou de 20,6% para 30,4%. Das nove cidades que integram o estudo, Porto Alegre é a que tem o maior percentual de pessoas (61,4%) que só saem de casa para atividades essenciais.

 

Um dado novo nesta fase foi a classificação dos sintomas apresentados pelos 18 infectados que tiveram teste positivo para anticorpos desde o começo do estudo. Dentre os 18 infectados, os sintomas foram febre (6%), dor de garganta (22%), tosse (17%), dificuldade para respirar (11%), alterações de olfato/paladar (17%) e diarreia (17%).

 

As conclusões também mostram que, para cada grupo de 454 habitantes, há uma pessoa infectada. Na primeira etapa esse número era de um para cada 2 mil e na segunda fase, de um para cada 769 habitantes. Outra informação que faz parte das metas do estudo é mostrar a real letalidade da covid-19. Com base nos dados oficiais, cruzando o número de infectados com o número de mortes, a letalidade é de 4%. A partir dos dados estimados a taxa fica em 0,42%.

 

A pesquisa é aplicada em CanoasCaxias do SulIjuí, Passo Fundo, Pelotas, Porto Alegre, Santa Cruz do SulSanta Maria e Uruguaiana. Os dados que embasaram a divulgação desta quarta-feira foram coletados entre os dias 9 e 11 de maio e representam, segundo os pesquisadores, uma realidade de contaminação de duas semanas antes. 

Quando for concluída, com a última etapa de coletas entre 23 e 25 de maio, o estudo terá entrevistado e testado 18 mil pessoas. A pesquisa gaúcha foi financiada pela Unimed Porto Alegre, o Instituto Cultural Floresta e o Instituto Serrapilheira, do Rio.

O Estado terá ainda mais 6 mil testados pela fase nacional da pesquisa, encomendada e paga pelo Ministério da Saúde e que começará a ser feita em 133 cidades do país nesta quinta-feira (14). 

Além disso, estão autorizadas mais duas etapas da pesquisa local, com testagem para mais 9 mil pessoas. A pesquisa estadual tem o apoio de 12 instituições de ensino superior.

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