
A balança comercial brasileira teve o maior superávit para o mês de outubro em 37 anos, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Impulsionadas pelo petróleo, combustíveis, cereais e soja, as exportações superaram as importações em US$ 9,32 bilhões, diferença 39,4% maior que a registrada em outubro de 2025, quando foi de US$ 6,69 bilhões.
O crescimento das exportações em 20% proporcionou o resultado, o melhor desde o início da série histórica, em 1989 .
A corrente de comércio, soma de exportações e importações, alcançou US$ 56,33 bilhões, também o maior valor já registrado para meses de outubro na série histórica.
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O aumento das vendas externas foi liderado pela indústria extrativa, seguida pela agropecuária e pela indústria de transformação.
Resultado por setor:
Produtos em destaque:
No caso do petróleo, o crescimento da produção e o aumento de 36,7% nos preços médios, após o agravamento da guerra no Oriente Médio, elevaram as exportações.
As exportações cresceram para a maior parte dos principais mercados do Brasil, incluindo os Estados Unidos, apesar das tensões comerciais entre os dois países.
No entanto, caíram 5,3% para a China, por causa do fim da cota para as vendas de carnes .
Quem comprou do Brasil:
As vendas para os Estados Unidos avançaram 11,4% em outubro, mesmo em meio à aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros . Isso porque produtos de aviação e itens como carne e suco de laranja foram excluídos do tarifaço após negociações.
Com o resultado de outubro, as exportações para os Estados Unidos passaram a registrar crescimento acumulado de 0,2% no ano.
Para a União Europeia, o crescimento pode ser explicado pelo acordo com o Mercosul, que está impulsionando as vendas, principalmente de alimentos, para o bloco.
As compras brasileiras no exterior subiram 14,8%, puxadas principalmente por combustíveis, cujos preços subiram 84,2% em outubro na comparação com o mesmo mês de 2025.
Por categoria:
No caso dos bens de capital, a diminuição do ritmo de crescimento da economia provocada pelos juros altos está desacelerando os investimentos da indústria, principal compradora de máquinas.
De janeiro a outubro, a balança comercial registrou superávit de US$ 71,04 bilhões, um crescimento de 34,1% em relação a 2025.
Em outubro o Mdic revisou para baixo sua projeção para 2026. A estimativa de superávit da balança comercial passou de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões.
Mesmo com a queda, o resultado seria o segundo melhor para um ano desde o início da série histórica, em 1989. Só perderia para 2023 (US$ 98,8 bilhões).
A previsão de exportações foi reduzida de US$ 394,4 bilhões para US$ 382,5 bilhões. A projeção para as importações passou de US$ 304,4 bilhões para US$ 298,1 bilhões.
A estimativa é mais otimista que a das instituições financeiras. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal com o mercado financeiro divulgada pelo Banco Central, os analistas projetam superávit comercial de US$ 79,9 bilhões para este ano.
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