
A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos foi tema do CB.Poder, programa realizado pelo Correio em parceria com a TV Brasília, nesta quarta-feira (28/10). O professor titular do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Goulart, afirmou que ainda é preciso esclarecer se a decisão foi tomada de última hora ou se fazia parte de um plano elaborado para o caso de derrota nas eleições.
O especialista analisou que Flávio Bolsonaro chegou ao país norte-americano “com todo o conforto”. Antes mesmo de o senador entrar com o pedido de asilo, Trump já havia se manifestado que iria conceder green cards para ele, a esposa e as filhas. Para Goulart, se houver a confirmação de que a fuga contou com suporte logístico fornecido diretamente pelos Estados Unidos e seus aliados, o fato será “gravíssimo”, pois confere ao senador o status de protegido político.
No âmbito das relações diplomáticas, Goulart esclareceu que não reconhecer a vitória de um presidente é visto como um ato hostil e considerado uma regra informal. Apesar de Trump ter declarado que gosta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o norte-americano tentou projetar dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro ao dizer que “parece que houve fraude”, sem apresentar provas.
O especialista ressaltou às jornalistas Samanta Sallum e Sibele Negromonte que a eleição de Lula não sinaliza uma postura anti-Estados Unidos por parte do Brasil, lembrando que nenhuma política externa adotada pelos governos Lula teve caráter antiamericano.
Durante o programa, Goulart também avaliou que Trump chega às vésperas da eleição do Congresso norte-americano com a popularidade baixíssima. Uma eventual perda de aliados no Congresso na próxima semana, com a perda da maioria, pode enfraquecer Trump e até abrir margem para um processo de impeachment.
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