
O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou que o receio de pressões políticas e judiciais levou grandes institutos de pesquisa a superestimar o desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro. Em publicações feitas no X no domingo (25/10), Roman criticou os métodos utilizados pela Quaest e pelo Datafolha e apontou problemas também em uma das decisões adotadas pela própria empresa na coleta de dados.
“Parabéns à Futura, que teve mais coragem que a AtlasIntel, Quaest e DataFolha juntas”, escreveu Roman em uma das publicações. Na sequência, ele apresentou críticas aos levantamentos eleitorais e à forma como os institutos avaliaram o comportamento dos eleitores.
Segundo ele, o medo de subestimar Flávio Bolsonaro, diante do que classificou como “perseguição judicial constante do TSE” e da promessa de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das pesquisas, fez com que os institutos superestimaram o desempenho de Flávio.
Roman também criticou os modelos de eleitor provável utilizados pela Quaest e pelo Datafolha, que, de acordo com ele, não teriam considerado adequadamente o aumento da mobilização de eleitores lulistas, o que, em sua avaliação, deveria ter elevado a estimativa de comparecimento desse grupo às urnas.
O modelo de eleitor provável é um método estatístico usado para estimar quais entrevistados têm maior chance de comparecer às urnas. A depender dos critérios adotados, o modelo pode alterar o peso das intenções de voto de diferentes grupos e, consequentemente, a projeção do resultado eleitoral.
Apesar das críticas aos outros institutos, Roman também reconheceu uma falha na estratégia adotada pela AtlasIntel. Segundo ele, a escolha de um período de cinco dias para a coleta de dados de uma pesquisa divulgada na véspera da votação teria atenuado a tendência de redução da diferença entre os candidatos. “A última atualização do nosso tracking mostrava diferença de 0,6pp, não 1,6”, escreveu ele.
Em outra publicação, Roman ressaltou que não considera o modelo de eleitor provável um problema em si, mas criticou a forma como teria sido aplicado por outros institutos durante a eleição. Segundo ele, o erro estaria em aumentar a probabilidade de comparecimento de eleitores que perderam engajamento ao longo da campanha, em vez de considerar a redução de sua disposição para votar.
O executivo afirmou ainda que todas as aplicações desse modelo durante a disputa eleitoral falharam. Segundo Roman, a AtlasIntel, incorporando a estimativa de eleitor provável, identificou corretamente a direção da mobilização nos dois turnos, mas foi surpreendida pela intensidade do movimento.
Na publicação, o CEO também defendeu a possibilidade de mudanças no sistema de Justiça brasiliero e ressaltou que a pressão política sobre os institutos de pesquisa não deveria ocorrer. “Que isso fique de lição para todos nós. A justiça brasileira precisa, além do impeachment de vários ministros, de uma reforma e despolitização profunda. E a paixão política nunca deve se manifestar em pressões indevidas sobre os institutos de pesquisa”, disse.
Em um outro post, o CEO atribuiu à pressão judicial sobre os institutos de pesquisa os erros na identificação do vencedor do segundo turno presidencial. Ele anunciou que a empresa pretende apresentar pedidos ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra juízes que, segundo ele, teriam “atropelado” a lei, começando por casos no Rio Grande do Norte.
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