
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25/10), foi seguida por um movimento de forte instabilidade no mercado financeiro. Na segunda-feira (26/10), a bolsa brasileira acionou o circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as negociações diante de quedas expressivas.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tinha queda de 16,59% às 10h50, com 171.061 pontos. Na mínima, chegou a 169.516 pontos. O índice teve as negociações interrompidas por 30 minutos, após registrar queda de mais de 10% já nos primeiros minutos do pregão.
O episódio marca a primeira utilização desse recurso desde março de 2020, no início da pandemia de coronavírus.
A interrupção busca conter momentos de turbulência acentuada e permitir que o mercado absorva as informações antes da retomada das operações. Enquanto o mecanismo estiver em vigor, as negociações de ativos, derivativos e títulos de renda fixa privada ficam suspensas.
A reeleição também recoloca no centro do debate político a composição do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante o próximo mandato, Lula poderá indicar até quatro novos ministros para a Corte, a depender das aposentadorias e das vagas que se abrirem ao longo do período, ampliando a influência do presidente sobre a formação do tribunal.
O acionamento do circuit breaker segue critérios estabelecidos pela B3, que prevê diferentes períodos de suspensão conforme a intensidade da desvalorização do Ibovespa.
Uma perda de 10% em comparação ao fechamento anterior interrompe as operações por meia hora. Se, após a retomada, o índice acumular queda de 15%, a paralisação passa a ser de uma hora. Em um cenário de recuo de 20%, a Bolsa poderá determinar uma nova suspensão, cuja duração será definida pela própria instituição.
A turbulência desta segunda-feira contrasta com o otimismo demonstrado pelos investidores após a primeira rodada da disputa presidencial. Na ocasião, Flávio Bolsonaro havia conquistado 47,03% dos votos válidos, superando Lula, que recebeu 45,16%, resultado que alimentou expectativas de uma mudança no comando do Executivo.
A reação do mercado foi imediata. No primeiro pregão após o resultado, o Ibovespa avançou 7,70% e alcançou 206.911 pontos, estabelecendo novos recordes em valores nominais e reais.
O movimento também favoreceu o real, com o dólar encerrando o dia cotado a R$ 5,001, após uma desvalorização de 4,11%. Foi a maior queda diária da moeda norte-americana no fechamento desde 2018, quando havia recuado 5,50% em uma única sessão.
O desempenho se inseria em uma trajetória de valorização iniciada meses antes. Desde agosto, quando foram confirmadas as candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro à Presidência, a Bolsa brasileira acumulava ganhos de 15,3%, impulsionada, entre outros fatores, pelas expectativas em torno da corrida eleitoral.
Parte desse movimento estava associada à avaliação de investidores de que uma eventual vitória de Flávio poderia resultar em uma política de maior contenção dos gastos públicos. Com a confirmação da permanência de Lula no Planalto, porém, voltaram a ganhar força as preocupações sobre a capacidade do governo de promover ajustes nas contas públicas.
Essas incertezas também podem produzir efeitos sobre o custo do financiamento da dívida pública. Diante da percepção de maior risco fiscal, investidores tendem a exigir retornos mais elevados para emprestar recursos ao governo, pressionando as taxas de juros.
O encarecimento do crédito, por sua vez, pode comprometer os investimentos das empresas e reduzir suas perspectivas de rentabilidade, contribuindo para a desvalorização das ações negociadas na Bolsa.
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