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Celina e Grass: trajetórias e propostas diferentes na disputa pelo GDF

Nesta segunda-feira (5/10), os candidatos Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) começam a campanha do segundo turno com discursos distintos rumo ao Palácio do Buriti. A questão da saúde pública está entre os principais temas dessa nova etapa

05/10/2026 às 19h00
Por: João Araújo Fonte: Correio Braziliense
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Celina e Grass: trajetórias e propostas diferentes na disputa pelo GDF

Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) começam a semana com intensas negociações visando o segundo turno das eleições para o Palácio do Buriti. Celina Leão busca a manutenção do grupo político no poder, apoiada por uma ampla coligação de centro-direita e sustentada pelas entregas de obras viárias e programas sociais da atual gestão. Do outro, o ex-deputado distrital e ex-presidente do  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass (PT), encabeça a candidatura da Federação Brasil da Esperança, articulando o campo progressista com a promessa de reestruturar os serviços públicos e combater as desigualdades entre o Plano Piloto e as regiões administrativas. 

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Confira os perfis e as principais propostas de Celina Leão e Leandro Grass ao GDF. 

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Celina Leão

Celina Leão Hizim Ferreira, 49 anos, é administradora de empresas e atual governadora do Distrito Federal, cargo que assumiu em março de 2026, após três anos exercendo o mandato de vice-governadora ao lado de Ibaneis Rocha (MDB).

Celina está na vida pública há 16 anos. Natural de Goiânia (GO), iniciou sua trajetória em 2010 ao ser eleita deputada distrital, conquista reeditada em 2014, quando também presidiu a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) no biênio 2015–2016. Em 2018, alcançou uma vaga na Câmara dos Deputados como deputada federal pelo DF, destacando-se na coordenação da Secretaria da Mulher.

Nas eleições de 2022, compôs a chapa vitoriosa ao Palácio do Buriti ao lado de Ibaneis. Casada e mãe de dois filhos, Celina concorre à permanência na chefia do Executivo pelo Progressistas (PP), encabeçando uma ampla coligação de centro-direita que conta com o ex-secretário Gustavo Rocha (Republicanos) como candidato a vice-governador. A candidata declarou R$ 440,1 mil em bens à Justiça Eleitoral.

Em seu plano de governo e nas diretrizes apresentadas ao longo da campanha, Celina Leão tem como principais prioridades saúde, segurança, mobilidade urbana e educação. Ela defende a continuidade das obras de infraestrutura urbana e a consolidação de intervenções viárias pelo DF, destacando ações direcionadas às regiões administrativas mais carentes para dar fluidez ao trânsito e descentralizar o desenvolvimento.

Na saúde pública, o programa preconiza a integração do atendimento no SUS, reformas hospitalares, a entrega de novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e a criação do Centro de Referência da Saúde da Mulher. A candidata também coloca como eixos de gestão a ampliação do modelo de Escolas Cívico-Militares e a oferta da Escola em Tempo Integral, além do fortalecimento da segurança comunitária pelo Programa DF 360, a ampliação da rede de acolhimento a pessoas com deficiência e o fortalecimento do programa Mães por Inteiro para suporte às mães atípicas.

Na mobilidade, defende a ampliação da Tarifa Zero para a população de baixa renda e o avanço em projetos de expansão viária e metroviária na capital, com a expansão da Linha 1 do Metrô e implementação da Linha 2. Na área econômica e do setor produtivo, propõe incentivos fiscais, o fortalecimento de polos industriais e comerciais, além da facilitação de crédito para micro e pequenos empreendedores. 

grass

Leandro Grass

Leandro Antonio Grass Peixoto, 41 anos, é sociólogo, professor com atuação na educação básica e superior, e mestre em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (UnB). Desempenho no primeiro turno + declarações ou desempenho em pesquisa mais recente

Brasiliense, construiu sua trajetória inicial na militância social por meio da Pastoral da Juventude e de projetos voltados à sustentabilidade e direitos sociais. Ingressou na política institucional em 2018, quando foi eleito deputado distrital, pautando a fiscalização dos serviços públicos e matérias de educação e proteção social.

Nas eleições de 2022, disputou o Governo do Distrito Federal pela primeira vez, alcançando a segunda colocação no pleito com mais de 434 mil votos. Entre janeiro de 2023 e março de 2026, exerceu a presidência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Concorre ao Palácio do Buriti pela Federação Brasil da Esperança (PT, PV, PCdoB) e partidos aliados, tendo como candidata a vice-governadora a professora Dora Gomes (PV). Declarou R$ 285 mil em patrimônio à Justiça Eleitoral.

Seu programa de governo coloca como prioridade número um o plano "Saúde Sem Espera", prevendo 100% de cobertura da Estratégia Saúde da Família, médico próximo de casa e garantia de exames e consultas especializadas em até 30 dias — reduzindo a fila de cirurgias eletivas, que hoje chega a 254 dias. Na mobilidade, propõe a implantação progressiva da tarifa zero como medida de redução do custo de vida, a criação do bilhete único para trabalhadores do Entorno e o destravamento de R$ 3,2 bilhões do Novo PAC para expandir o transporte sobre trilhos e o BRT para regiões desassistidas.

Na educação e primeira infância, prevê a construção de 100 creches em quatro anos e a ampliação da escola em tempo integral nas periferias, com foco em arte, cultura e tecnologia. O candidato opõe-se à privatização do BRB, defendendo a recuperação do banco público por meio de gestão técnica, auditoria, transparência e a criação do programa Desenrola DF para renegociação de dívidas das famílias e servidores.

O plano abrange ainda o barateamento do custo de vida com refeições a R$ 1 nos restaurantes comunitários, farmácia popular, feiras sem atravessadores, uma rede fortalecida de proteção social para populações vulneráveis e a consolidação do Pacto contra o Feminicídio.

Artigo|

O segundo turno no DF

Por Lucio Rennó, cientista político da UnB

As eleições para o Governo do Distrito Federal encerram o primeiro turno com um resultado muito favorável à candidata à reeleição, Celina Leão, que obteve 49,93% dos votos válidos (825.530 votos). Superada a dúvida se haveria ou não o segundo turno, parte-se agora para disputa pelo resultado final. Nesse contexto, Leandro Grass obteve 34,47% dos votos válidos (569.930 votos). Desempenho melhor do obtido em 2022.
Certamente, Celina Leão terá tarefa menos árdua no segundo turno, necessitando apenas de meio ponto percentual para se eleger. Mas um segundo turno pode guardar surpresas e abre mais espaço para riscos.
Muitos dizem que o segundo turno é uma eleição nova. Essa é uma meia verdade. É fato que para quem lidera, são necessários menos votos para assegurar a vitória e o resultado do Distrito Federal deixa claro que a campanha de Celina foi competente em assegurar seu primeiro lugar e quase a vitória já no primeiro turno. Contudo, a dinâmica da eleição muda. O confronto passa a ser direto, contrapondo dois projetos específicos, o tempo de exposição na televisão e rádio se equipara, algo que é diferente do primeiro turno, e o ônus para deixar de participar de debates é maior, pois uma ausência é muito mais sentida.
Um segundo turno exige muito dos(as) candidatos, pois os contrapõe diretamente, e permite que erros e acertos se tornem mais explícitos e críticos para o desempenho final nas urnas, algo que é diluído pela concorrência entre várias candidaturas no primeiro turno. As propostas tem mais espaço para serem discutidas, sem prejuízo para as acusações e confrontos, que também passam a receber mais atenção. Não é uma nova eleição, mas é uma eleição com características próprias. A dinâmica da disputa muda.
Alguns elementos são centrais para esse processo. Um passo inicial é a conquista de apoios. A disputa passa a ser pela expansão da base de apoio do primeiro turno a fim de conquistar os eleitores dos candidatos derrotados. O endosso desses candidatos e candidatas colabora com a virada desse eleitorado. Assim, Celina e Grass deverão buscar os demais candidatos para que cerrem fileiras com seus projetos.
É fato que todas as candidaturas no primeiro turno se opuseram a Celina. Paula Belmonte terminou o primeiro turno em terceiro lugar com 8,51% dos votos (140.765) e foi uma crítica ferrenha do governo Ibaneis e Celina. Fez um aceno à Erika Kokay em sua candidatura ao Senado Federal na reta final da disputa. Ricardo Capelli teve desempenho mais tímido, somando 2,23% dos votos (36.828) e já declarou voto a Grass. Ambos são potenciais aliados de Grass. José Roberto Arruda, que foi impedido de disputar a eleição, também foi crítico contumaz de Celina e pediu a seu eleitorado que não votasse nela. Essas três lideranças podem vir a apoiar Grass.
Para ser contundente, contudo, esse apoio precisa se materializar em engajamento ativo na campanha. Resta ver se essas candidaturas de fato o farão.
É preciso ponderar também que os eleitores de Arruda e Belmonte não são necessariamente mais simpáticos a Grass do que a Celina. O eleitor/eleitora tem suas inclinações ideológicas próprias, exacerbadas pelo cenário de polarização que se impõe. Assim, a participação ativa dessas lideranças nas campanhas daqueles(as) que permanecem no segundo turno passa a ser expediente importante para estimular os eleitores às seguirem. Do contrário, o eleitorado migrará de acordo com sua consciência.
Kiko Caputo, por sua vez, que obteve 4,36% do voto (72.148), dificilmente virá a apoiar explicitamente Grass. Foi crítico ao PT em seus posicionamentos e claramente se coloca no campo da direita. Seu eleitorado dificilmente migrará para o PT. 
E mesmo que parte do eleitorado decida não ir votar, a abstenção, os votos nulo e branco favorecem quem lidera a disputa, pois reduzem o total de votos válidos e tornam mais fácil atingir a maioria necessária para assegurar a vitória.
Dessa forma, os desafios para Grass são maiores, mas o embate direto no segundo turno, entre dois projetos muito distintos para o Distrito Federal, permitirá que o eleitorado escolha com mais clareza o que deseja para o futuro.