
Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) começam a semana com intensas negociações visando o segundo turno das eleições para o Palácio do Buriti. Celina Leão busca a manutenção do grupo político no poder, apoiada por uma ampla coligação de centro-direita e sustentada pelas entregas de obras viárias e programas sociais da atual gestão. Do outro, o ex-deputado distrital e ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass (PT), encabeça a candidatura da Federação Brasil da Esperança, articulando o campo progressista com a promessa de reestruturar os serviços públicos e combater as desigualdades entre o Plano Piloto e as regiões administrativas.
Confira os perfis e as principais propostas de Celina Leão e Leandro Grass ao GDF.

Celina Leão Hizim Ferreira, 49 anos, é administradora de empresas e atual governadora do Distrito Federal, cargo que assumiu em março de 2026, após três anos exercendo o mandato de vice-governadora ao lado de Ibaneis Rocha (MDB).
Celina está na vida pública há 16 anos. Natural de Goiânia (GO), iniciou sua trajetória em 2010 ao ser eleita deputada distrital, conquista reeditada em 2014, quando também presidiu a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) no biênio 2015–2016. Em 2018, alcançou uma vaga na Câmara dos Deputados como deputada federal pelo DF, destacando-se na coordenação da Secretaria da Mulher.
Nas eleições de 2022, compôs a chapa vitoriosa ao Palácio do Buriti ao lado de Ibaneis. Casada e mãe de dois filhos, Celina concorre à permanência na chefia do Executivo pelo Progressistas (PP), encabeçando uma ampla coligação de centro-direita que conta com o ex-secretário Gustavo Rocha (Republicanos) como candidato a vice-governador. A candidata declarou R$ 440,1 mil em bens à Justiça Eleitoral.
Em seu plano de governo e nas diretrizes apresentadas ao longo da campanha, Celina Leão tem como principais prioridades saúde, segurança, mobilidade urbana e educação. Ela defende a continuidade das obras de infraestrutura urbana e a consolidação de intervenções viárias pelo DF, destacando ações direcionadas às regiões administrativas mais carentes para dar fluidez ao trânsito e descentralizar o desenvolvimento.
Na saúde pública, o programa preconiza a integração do atendimento no SUS, reformas hospitalares, a entrega de novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e a criação do Centro de Referência da Saúde da Mulher. A candidata também coloca como eixos de gestão a ampliação do modelo de Escolas Cívico-Militares e a oferta da Escola em Tempo Integral, além do fortalecimento da segurança comunitária pelo Programa DF 360, a ampliação da rede de acolhimento a pessoas com deficiência e o fortalecimento do programa Mães por Inteiro para suporte às mães atípicas.
Na mobilidade, defende a ampliação da Tarifa Zero para a população de baixa renda e o avanço em projetos de expansão viária e metroviária na capital, com a expansão da Linha 1 do Metrô e implementação da Linha 2. Na área econômica e do setor produtivo, propõe incentivos fiscais, o fortalecimento de polos industriais e comerciais, além da facilitação de crédito para micro e pequenos empreendedores.

Leandro Antonio Grass Peixoto, 41 anos, é sociólogo, professor com atuação na educação básica e superior, e mestre em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (UnB). Desempenho no primeiro turno + declarações ou desempenho em pesquisa mais recente
Brasiliense, construiu sua trajetória inicial na militância social por meio da Pastoral da Juventude e de projetos voltados à sustentabilidade e direitos sociais. Ingressou na política institucional em 2018, quando foi eleito deputado distrital, pautando a fiscalização dos serviços públicos e matérias de educação e proteção social.
Nas eleições de 2022, disputou o Governo do Distrito Federal pela primeira vez, alcançando a segunda colocação no pleito com mais de 434 mil votos. Entre janeiro de 2023 e março de 2026, exerceu a presidência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Concorre ao Palácio do Buriti pela Federação Brasil da Esperança (PT, PV, PCdoB) e partidos aliados, tendo como candidata a vice-governadora a professora Dora Gomes (PV). Declarou R$ 285 mil em patrimônio à Justiça Eleitoral.
Seu programa de governo coloca como prioridade número um o plano "Saúde Sem Espera", prevendo 100% de cobertura da Estratégia Saúde da Família, médico próximo de casa e garantia de exames e consultas especializadas em até 30 dias — reduzindo a fila de cirurgias eletivas, que hoje chega a 254 dias. Na mobilidade, propõe a implantação progressiva da tarifa zero como medida de redução do custo de vida, a criação do bilhete único para trabalhadores do Entorno e o destravamento de R$ 3,2 bilhões do Novo PAC para expandir o transporte sobre trilhos e o BRT para regiões desassistidas.
Na educação e primeira infância, prevê a construção de 100 creches em quatro anos e a ampliação da escola em tempo integral nas periferias, com foco em arte, cultura e tecnologia. O candidato opõe-se à privatização do BRB, defendendo a recuperação do banco público por meio de gestão técnica, auditoria, transparência e a criação do programa Desenrola DF para renegociação de dívidas das famílias e servidores.
O plano abrange ainda o barateamento do custo de vida com refeições a R$ 1 nos restaurantes comunitários, farmácia popular, feiras sem atravessadores, uma rede fortalecida de proteção social para populações vulneráveis e a consolidação do Pacto contra o Feminicídio.
Por Lucio Rennó, cientista político da UnB
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