
Um pesquisador brasileiro identificou oito planetas fora do Sistema Solar, conhecidos como exoplanetas, com alta chance de possuírem água em estado líquido e, por consequência, de abrigarem vida. O levantamento foi realizado pelo cientista Fábio Calabrio Evangelista da Silva, do Observatório Nacional.
Silva analisou dados de mais de 6 mil exoplanetas de um banco de dados da Nasa. O estudo considerou informações como raio, densidade e a distância que orbitam de sua estrela para separar os mais parecidos com a Terra.
O cientista focou naqueles que estão na chamada zona de habitabilidade. "É uma zona que possibilita a água líquida porque não é nem tão quente, mais próximo da estrela, e nem tão frio, para longe da estrela. Então é a zona perfeita", explica Silva.
A pesquisa se concentra em planetas com condições similares às da Terra, mas isso não exclui outras formas de vida. "Podem existir outras formas de vida que a gente ainda não conheça e que precisem de características químico-físicas diferentes", ressalta o professor Marcelo Borges Fernandes, orientador do estudo.
A busca por vida fora do nosso planeta é complexa, pois esses mundos estão a anos-luz de distância. A principal forma de estudo é a análise da atmosfera por meio de telescópios como o James Webb, que procuram por bioassinaturas, substâncias que na Terra são produzidas por seres vivos.
Recentemente, um estudo no exoplaneta K2-18b encontrou metano, dióxido de carbono e uma possível molécula de sulfeto de dimetila (DMS), que em nosso planeta é produzida apenas por vida, como fitoplânctons.
Muitas bioassinaturas, no entanto, podem ser geradas por processos não biológicos, como atividade geológica. Por isso, José Aponte, pesquisador da Nasa, afirma que é preciso mais de uma linha de evidência para confirmar a existência de vida.
Segundo Aponte, três aspectos combinados seriam um forte indicador:
A repetição de moléculas no ambiente.
A predominância de um tipo de quiralidade, que é como a diferença entre a mão esquerda e a direita
A simples presença de "ingredientes da vida", como aminoácidos encontrados no asteroide Bennu, não é prova de vida, pois eles podem se formar de maneira abiótica.
A expectativa de encontrar vida se concentra em futuras missões no Sistema Solar. A sonda Europa Clipper chegará em 2030 a Europa, lua de Júpiter que pode ter um oceano de água salgada sob uma crosta de gelo.
Outra missão, a Dragonfly, será lançada em 2028 rumo a Titan, lua de Saturno com atmosfera rica em nitrogênio. O robô buscará indicadores químicos de vida a partir de 2034. Outros locais de interesse são Enceladus, outra lua de Saturno, e o planeta Marte.
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