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Em posse no ABC, Lula exalta PIB e sinaliza busca por 4º mandato

Em evento do Sindicato dos Metalúrgicos, presidente destacou R$ 190 bilhões em investimentos na indústria automotiva e cobrou postura firme de novos dirigentes

27/07/2026 às 12h00
Por: João Araújo Fonte: Correio Braziliense
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Em posse no ABC, Lula exalta PIB e sinaliza busca por 4º mandato

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, neste domingo (26/7), da cerimônia de posse de Wellington Damasceno como novo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, em São Bernardo do Campo. Lula utilizou o evento, que teve clima de comício político, para reforçar sua ligação histórica com a categoria e projetar uma possível candidatura ao quarto mandato presidencial.

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Ao discursar, Lula destacou a retomada da indústria automobilística e traçou um forte contraste entre o cenário atual e as crises enfrentadas pelo setor entre 2021 e 2023. O ponto central da fala foi o anúncio de R$ 190 bilhões em investimentos feitos pelas montadoras em 2025 — um movimento impulsionado, segundo ele, pela chegada da chinesa BYD à Bahia, que funcionou como um gatilho para fazer o setor "acordar" após mais de 15 anos sem grandes inovações.

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"A vinda da BYD para a Bahia fez a indústria automobilística brasileira acordar e fazer investimento, e por isso a empresa voltou a crescer outra vez. E é esse país que a economia cresce, que o PIB cresce, que a inflação cai e que a renda do trabalhador cresce, que a gente vai continuar fazendo sem aceitar ingerência de ninguém”, destacou.

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Como exemplo dessa nova fase, o presidente citou a Volkswagen, afirmando que a marca está vendendo como nunca e que chegou a suspender as atividades por uma semana para adaptar a linha de montagem aos veículos híbridos. O mandatário atrelou esse momento industrial aos indicadores macroeconômicos positivos do país, enfatizando que a alta do Produto Interno Bruto (PIB), o recuo da inflação e o ganho na renda do trabalhador ocorrem sem que o Brasil aceite interferências externas.

Em tom direto sobre a relação com as entidades de classe, o presidente cobrou autonomia sindical e afirmou que, apesar da amizade com o dirigente Damasceno, o papel do sindicato deve ser de cobrança constante ao Executivo.

"Embora eu seja seu amigo, embora eu goste muito de você, eu quero que você saiba que enquanto presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, você não tem que me tratar como amigo quando eu estiver fazendo as coisas erradas, quando eu não estiver atendendo aquilo que é a aspiração da categoria. O correto é você cobrar”, enfatizou o mandatário.

Lula declarou que Wellington não deve tratá-lo com conivência caso as pautas da categoria não sejam atendidas, ressaltando que a verdadeira fiscalização virá dos próprios metalúrgicos e de suas famílias no dia a dia, e não do Palácio do Planalto. O chefe do Executivo acrescentou ainda o desejo de que, caso venha a vencer um quarto mandato presidencial, a parceria com a entidade sindical resulte em conquistas ainda maiores para os trabalhadores.

O evento também carregou um forte componente simbólico para a trajetória do mandatário, que lembrou ter entrado no sindicato aos 24 anos e assumido a presidência aos 27. Lula pontuou que sua ausência na cerimônia marcaria a primeira vez, desde 1969, em que faltaria a uma posse da diretoria, razão pela qual fez questão de comparecer pessoalmente.

A brevidade de sua fala foi justificada pela agenda internacional em Brasília, onde explicou que precisava retornar rapidamente para preparar a recepção ao presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-Myung, e realizar uma ligação oficial para o presidente chinês, Xi Jinping, ainda na noite de domingo.