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Especialista explica os riscos silenciosos dos anabolizantes

O uso de esteroides anabolizantes androgênicos avança em ritmo acelerado no Brasil e em outras regiões do mundo. Dr. Fernando, médico urologista co...

Robson Silva De Jesus
Por: Robson Silva De Jesus Fonte: Agência Dino
19/06/2026 às 11h42
Especialista explica os riscos silenciosos dos anabolizantes
Criado por Gemini - IA

A busca pelo corpo perfeito tem impulsionado o consumo de esteroides anabolizantes androgênicos (EAA) no Brasil a níveis preocupantes. Por trás da promessa de resultados rápidos e do corpo perfeito, há uma série de riscos ocultos que, em muitos casos, só se manifestam quando o problema já está quase irreversível.

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Segundo levantamento recente citado pelo Portal Imirante, a comercialização legal dessas substâncias cresceu 700% entre 2018 e 2025, com alta adicional de 20% apenas no último ano. Este fenômeno coloca em xeque a segurança de milhares de pessoas que o utilizam sem a orientação adequada e sem acompanhamento profissional.

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Os esteroides anabolizantes androgênicos são derivados sintéticos da testosterona, desenvolvidos originalmente para fins terapêuticos, como o tratamento de hipogonadismo e de condições que causam perda severa de massa muscular. O uso dessas substâncias com finalidade estética ou para melhora de desempenho esportivo foi proibido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) desde 2023, por meio de resolução que veta a prescrição de terapias hormonais com EAA tanto para atletas profissionais quanto para amadores.

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A norma foi construída sobre ampla base de evidências científicas que documentam os efeitos adversos do uso não terapêutico dessas substâncias. "Mesmo vetado, o consumo segue em alta, impulsionado pela facilidade de acesso ao mercado informal e pela disseminação de informações equivocadas em ambientes digitais", diz Dr. Fernando Marsicano.

Dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) indicam que cerca de 6,4% dos homens no Brasil já fizeram uso de anabolizantes, com taxas ainda mais elevadas entre frequentadores de academias. Levantamento da mesma entidade, publicado pelo Jornal da USP, apontou que um em cada 16 estudantes no país já utilizou essas substâncias, com crescimento de 67% entre alunos do ensino médio desde 1996.

A Associação Médica Brasileira (AMB) registrou crescimento de 45% nas vendas de anabolizantes industrializados entre 2019 e 2021, evidenciando que a expansão do mercado supera o alcance das regulações vigentes. Do ponto de vista cardiovascular, pesquisa publicada em 2024 no periódico Jama revelou que o uso de EAA aumenta em 2,8 vezes o risco de morte, com efeitos que incluem hipertrofia cardíaca, infarto agudo do miocárdio, aterosclerose, hipertensão arterial sistêmica e estado de hipercoagulabilidade com risco elevado de trombose.

"O papel do urologista neste cenário é o de prevenir, monitorar, acompanhar e tratar os impactos que o uso deles causa no sistema reprodutivo e hormonal masculino, reduzindo os danos durante e auxiliando na recuperação da saúde após a interrupção do ciclo. O acompanhamento urológico é indispensável para qualquer pessoa que já fez ou ainda faz uso dessas substâncias. Os danos ao sistema reprodutivo são, em muitos casos, silenciosos e progressivos", afirma Dr. Fernando Marsicano. Entre as condições diretamente avaliadas pelo especialista estão infertilidade, disfunção erétil, atrofia testicular, ginecomastia e alterações prostáticas.

Dados citados pelo Estado de Minas em fevereiro de 2025 apontam que cerca de 15% dos jovens que praticam musculação intensiva com uso de anabolizantes já apresentam sinais de disfunção hormonal e infertilidade, com base em levantamento atribuído à Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). "Na grande maioria, a pessoa só percebe o impacto na fertilidade quando o quadro já está quase irreversível. O espermograma e os exames hormonais são ferramentas essenciais para mapear o real estado do sistema reprodutivo", detalha o Dr. Fernando.

Para o especialista, "após a interrupção do uso, o organismo pode sofrer uma verdadeira pane hormonal, com queda acentuada da libido e disfunção erétil. O excesso de hormônios sintéticos pode ainda se converter em estrogênio, provocando ginecomastia, o crescimento das mamas em homens, condição que pode exigir acompanhamento clínico ou intervenção cirúrgica".

O Dr. Fernando relata ainda que "em relação à próstata, níveis elevados de testosterona podem gerar hiperfunção prostática e sintomas urinários como jato fraco, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e aumento da frequência urinária. Embora não esteja comprovado que os anabolizantes causem câncer de próstata, homens com tumores pré-existentes não tratados adequadamente podem ter progressão acelerada da doença com o uso dessas substâncias, tornando o rastreio indispensável".

Ele ressalta que, "quando o usuário decide interromper o ciclo, o acompanhamento urológico continua sendo fundamental para orientar na sua (TPC) de forma segura. Ele envolve a retirada gradual das substâncias utilizadas e o uso de medicamentos. Os medicamentos ajudarão o organismo a produzir naturalmente a testosterona, reduzindo riscos como o da abstinência hormonal".

O médico finaliza dizendo que "o urologista é muitas vezes o primeiro especialista a identificar os sinais de que algo está errado no organismo de quem usa anabolizantes sem controle médico. Uma consulta pode fazer toda a diferença entre a recuperação e sequelas permanentes".

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Assessoria de Imprensa