“Além de cuidar das pessoas em situação de drogas e álcool, a gente quer ajudar em novas oportunidades de emprego. Nós vamos fazer isso também com a Secretaria de Trabalho, para dar uma segunda chance para essas pessoas e acolher as famílias. E na lei tem algo que é muito desafiador: a internação involuntária e humanizada. E não vai ser de qualquer jeito, não vai ser com polícia. A polícia vai estar lá para dar um suporte, mas vai ser com médico, que vai ver que aquela pessoa está em surto, que ela não fala por ela própria mais, que está totalmente sem saber o que está fazendo”, explicou Celina.
A internação compulsória não será para todos os pacientes em situação de vício. "Temos pessoas que estão em surto e, essas sim, vão passar por uma análise, porque vão precisar de uma internação involuntária humanizada. E todo esse fluxograma de atendimento precisa de um olhar durante e após. Precisa de uma política de emprego para essas pessoas que querem sair e precisam trabalhar. O mais difícil elas já superaram, conseguiram vencer o vício. E agora precisam de uma alternativa para depois retornarem ao trabalho. Então, é um ciclo completo”, acrescentou Celina Leão.
Deus Proverá
O Centro de Reintegração Deus Proverá (CRDP) atua há 24 anos no DF e funciona em parceria com o GDF. O CRDP abriga 120 homens e recebe cerca de 40% do custeio total via convênio com a Sejus-DF.
Francisco Ramalho Medeiros, responsável pelo espaço, explicou que a rotina na instituição é rigorosa e focada na reconstrução integral do indivíduo. "Nós cuidamos de pessoas. Nosso formato é pegar viciados ou pessoas em situação de rua, trazer para cá, dar quatro refeições, educar, profissionalizar ele e devolver para a sociedade", detalhou. O espaço funciona de maneira estruturada para manter os internos sempre engajados no "programa de atendimento circular", com um cronograma diário. "Aqui funciona como uma escola. O sujeito não fica aqui sem fazer nada. O tempo livre é permitido, mas dentro do cronograma. E ele vai se ocupando em fazer as atividades", completou.
Com uma rotina intensa, das 6h às 22h, os acolhidos recebem quatro refeições diárias e têm acesso a educação escolar formal (EJA) e a um polo tecnológico com mais de 1.200 cursos a distância. O local oferece, ainda, oficinas de marcenaria, serralheria, jardinagem, informática, educação financeira e até manutenção de cadeiras de rodas para pessoas com deficiência, formando profissionais prontos para retornar à sociedade longe dos vícios.
Um dos milagres de superação é o de Nicanor Silva de Sá, que passou 12 meses na instituição e recebeu alta um dia antes da visita da governadora Celina Leão. “Minha trajetória aqui foi bastante árdua”, relembrou, emocionado. “A gente vem de uma vida bem sofrida. Conforme vai passando o tempo, vai ficando melhor, porque a gente vai aprendendo a lidar um com o outro. No começo, é todo mundo estranho. Hoje eu estou bem, estou tranquilo. Saí ontem e estou bem esperançoso”, contou Nicanor.