Terça, 26 de Maio de 2026
18°C 26°C
Brasília, DF
Publicidade

InternetSul faz alerta sobre fim da escala 6x1 sobre ISPs

Associação teme que fim da escala 6x1 possa gerar impactos diretos sobre a sustentabilidade dos provedores regionais de internet e comprometer inve...

Robson Silva De Jesus
Por: Robson Silva De Jesus Fonte: Agência Dino
26/05/2026 às 10h56
InternetSul faz alerta sobre fim da escala 6x1 sobre ISPs
PNGTree

A discussão nacional sobre o fim da escala 6x1 pode gerar impactos diretos sobre a sustentabilidade dos provedores regionais de internet e comprometer investimentos em conectividade, especialmente em municípios do interior e áreas rurais. O alerta é da InternetSul, entidade que representa provedores de internet do Rio Grande do Sul e que acaba de divulgar um position paper técnico sobre os efeitos econômicos e sociais da proposta para o setor de telecomunicações.

Continua após a publicidade

Segundo o diretor jurídico da entidade, Henrique Kehl, o debate sobre jornada de trabalho precisa considerar não apenas a relação trabalhista, mas também a natureza operacional da infraestrutura digital brasileira.

Continua após a publicidade

"O setor de telecomunicações opera em regime de continuidade absoluta, 24 horas por dia, sete dias por semana. Qualquer alteração estrutural na jornada impacta diretamente a operação, os custos e a capacidade de investimento dos provedores regionais", observa.

Continua após a publicidade

De acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e do Ministério das Comunicações (MCOM), o Brasil possui mais de 20 mil provedores regionais ativos. Essas empresas são responsáveis pela maior parte da oferta de banda larga fixa em mais de 70% dos municípios brasileiros, principalmente em regiões onde grandes operadoras possuem baixa presença comercial.

Segundo a InternetSul, a conectividade oferecida pelos ISPs regionais sustenta atividades essenciais como educação digital, telemedicina, trabalho remoto e acesso a serviços públicos online.

O documento também cita estudos do Banco Mundial e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que apontam relação direta entre ampliação da banda larga e crescimento econômico, especialmente em países em desenvolvimento.

A entidade argumenta que a eventual eliminação da escala 6x1 exigiria ampliação imediata dos quadros operacionais para manter serviços contínuos como suporte técnico, monitoramento de redes, manutenção preventiva e atendimento 24×7.

Segundo Henrique Kehl, o impacto seria especialmente sensível em pequenos e médios provedores, que já operam sob alta carga tributária, aumento de exigências regulatórias e necessidade constante de reinvestimento em infraestrutura.

"O aumento de custos trabalhistas não ocorre de forma isolada. Ele se soma a um ambiente já pressionado por encargos, obrigações técnicas, insegurança tributária e necessidade permanente de expansão de rede", destaca.

Entre os impactos apontados pela entidade estão:

  • aumento de encargos previdenciários;
  • crescimento do custo operacional (OPEX);
  • elevação de despesas com treinamento e reposição de equipes;
  • pressão sobre preços ao consumidor;
  • redução da capacidade de investimento em expansão e modernização de redes.

O position paper ressalta que os efeitos podem ser ainda mais severos em localidades de baixa densidade populacional, onde o custo de implantação e manutenção de infraestrutura já é elevado.

"Nessas regiões, pequenas alterações no custo operacional podem inviabilizar expansões ou até comprometer a sustentabilidade da operação", pontua Kehl.

Segundo a entidade, isso poderia ampliar desigualdades digitais justamente em regiões que mais dependem da atuação dos provedores regionais para acesso à educação, saúde digital e inclusão econômica.

O documento também alerta que famílias de baixa renda seriam diretamente impactadas por possíveis reajustes nas mensalidades dos serviços de internet.

Apesar das críticas aos possíveis efeitos da proposta, a InternetSul afirma reconhecer a legitimidade do debate sobre melhoria das condições de trabalho.

A entidade defende, no entanto, que qualquer mudança considere as particularidades operacionais do setor de telecomunicações.

"Não somos contrários ao debate trabalhista. O que defendemos é que ele aconteça com análise técnica, equilíbrio e compreensão da realidade operacional de um setor essencial para o país", enfatiza Henrique Kehl.

A associação afirma ainda estar aberta ao diálogo com o Congresso Nacional, Ministério do Trabalho, Anatel e entidades representativas dos trabalhadores para construção de soluções compatíveis com a continuidade dos serviços de conectividade.

Para a InternetSul, fragilizar financeiramente os provedores regionais pode comprometer diretamente o avanço da inclusão digital no Brasil.

"Hoje, a internet não é mais um serviço acessório. Ela é infraestrutura essencial para educação, renda, saúde e desenvolvimento econômico. Qualquer política pública precisa considerar essa realidade", conclui Kehl.