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Erros de gestão podem elevar turnover nas empresas

Especialista da Abaccus afirma que inconsistências nos pagamentos de comissões têm desmotivado vendedores e ampliado pedidos de desligamento.

Robson Silva De Jesus
Por: Robson Silva De Jesus Fonte: Agência Dino
27/04/2026 às 14h38
Erros de gestão podem elevar turnover nas empresas
Imagem de Freepik/pch.vector

Os erros no cálculo de comissões têm se tornado um dos principais fatores de desgaste na relação entre empresas e equipes comerciais. Mais do que números em planilhas, eles afetam diretamente a confiança dos vendedores e podem acelerar pedidos de desligamento, especialmente entre profissionais de alta performance.

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Jonatas Felix, diretor de tecnologia e cofundador da Abaccus, empresa especializada em soluções BRMS (Business Rules Management System), explica por que o tema é tão sensível. "Comissão é o acordo financeiro mais direto entre empresa e vendedor. Quando o cálculo está errado, você não quebra só uma regra, você quebra confiança. Quando o vendedor bate meta e o pagamento vem diferente do esperado, ele não vai questionar a matemática primeiro, mas se a empresa está sendo honesta", informa.

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Dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), com base no Novo CAGED, mostram que, apenas nos dois primeiros meses de 2025, o Brasil registrou 1,625 milhão de pedidos de demissão voluntária entre trabalhadores com carteira assinada, número 15,5% maior em relação ao mesmo período de 2024. O dado evidencia como a insatisfação com políticas de remuneração variável tem contribuído para esse aumento.

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Os impactos mais comuns para os vendedores podem ser perda de confiança na liderança, imprevisibilidade financeira e desmotivação, mesmo quando as metas são atingidas. Para as empresas, os efeitos vão desde inconsistências no setor financeiro até risco trabalhista e perda de profissionais.

"Erro em comissão não vira apenas retrabalho. Ele vira ressentimento. Já vi vendedores de alta performance pedirem demissão não porque ganhavam pouco, mas porque a comissão vinha errada com frequência. A imprevisibilidade financeira destrói qualquer plano de comissionamento, por melhor que ele seja no papel", relata.

Definir uma porcentagem justa e competitiva também é um desafio. De acordo com uma análise realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), os tipos de comissionamento mais praticados hoje em dia no Brasil são Comissionamento Progressivo, Comissão por Vendas, Comissionamento por Faturamento e Comissão por Margem de Lucro. Cada um desses pagamentos envolve suas especificidades; por isso, a atenção da empresa é essencial.

Mesmo assim, Felix destaca que não existe uma fórmula única, mas sim critérios que devem ser considerados. "A margem do produto ou serviço precisa comportar a comissão. A complexidade da venda também influencia: uma negociação consultiva de seis meses com ticket de R$ 500 mil justifica comissão maior que uma venda transacional de dois dias com ticket de R$ 5 mil", detalha.

"Além disso, o mercado de talento pesa. Se você está em um nicho em que vendedor bom é disputado, precisa pagar pelo menos na média do mercado. Abaixo disso, você só contrata quem não tem opção melhor", acrescenta.

Outro ponto crítico é a previsibilidade. Atrasos ou inconsistências nos pagamentos afetam diretamente o engajamento da equipe. "O vendedor trabalha por dois motivos: realização profissional e dinheiro. Quando você atrasa ou erra o pagamento, você tira o segundo da equação. E o pior: você tira previsibilidade. Já presenciei uma equipe comercial inteira pedir demissão em bloco porque a comissão atrasou três meses seguidos. Não era uma empresa quebrando. Era um sistema manual que não dava conta de calcular, e o financeiro priorizava outras coisas", sustenta Félix.

A documentação das regras de comissão é outro aspecto essencial. Sem regras claras e auditáveis, disputas entre empresa e vendedor se tornam inevitáveis. "Regra não documentada não existe. Ela serve para prevenir disputa, proteger a empresa em processos trabalhistas e escalar a operação, garantindo que qualquer pessoa consiga entender a fórmula, simular resultados e acessar a versão oficial. Caso contrário, cada filial cria sua própria regra e a empresa perde controle", alerta.

Nesse contexto, a tecnologia pode desempenhar papel decisivo ao adotar sistemas de CRM e ERP que ajudam a centralizar dados, automatizar cálculos e garantir consistência. No entanto, Félix ressalta que as ferramentas só funcionam se o processo for bem estruturado. "Se os dados de entrada estão errados, o cálculo sairá da mesma forma. A tecnologia amplifica o processo. Se ele é bom, ela o torna excelente. Se é ruim, ela torna ruim em escala", avalia.

A solução, segundo o especialista, é separar o motor de cálculo do motor de regras. "O CRM ou ERP alimenta os dados, enquanto o motor de regras aplica a lógica de comissionamento. Assim, a área comercial consegue ajustar critérios sem depender de TI. Isso garante agilidade e reduz falhas. Empresas que levam comissionamento a sério já operam dessa forma", afirma.

O tema ganha relevância diante do aumento do turnover e da disputa por talentos comerciais. Para Félix, a mensagem é clara: "Erro destrói confiança, gera turnover e custa caro. Regra precisa ser justa, clara, consistente e auditável. Tecnologia ajuda, mas só se você separar dados da lógica de negócio. Senão você só automatiza o caos", conclui.

Para saber mais, basta acessar: https://abaccus.com.br/