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Inadimplência torna linhas de crédito mais baratas cruciais

Segundo a edição mais recente do Mapa da Inadimplência da Serasa, fevereiro mostrou crescimento recorde no volume de pessoas com contas em aberto.

Robson Silva De Jesus
Por: Robson Silva De Jesus Fonte: Agência Dino
16/04/2026 às 11h17

O esperado início do corte da taxa básica de juros parece ainda não ter surtido efeito no bolso dos brasileiros. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), o percentual de famílias com dívidas a vencer atingiu 80,4% em março, enquanto 29,6% apresentavam dívidas em atraso. Já o Mapa da Inadimplência, da Serasa, apontou que 81,7 milhões de pessoas estavam com contas em aberto em fevereiro. E levantou que bancos e cartão de crédito lideram entre os setores que concentram a maior parcela das dívidas (26,8%), seguidos por contas de serviços como água, luz e gás (21,4%), financeiras (20,3%) e serviços (11,6%).

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Nesse cenário, que ganha complexidade com as mudanças que restringiram o acesso à antecipação do saque-aniversário e a persistência do conflito no Oriente Médio — o que tende a elevar os preços dos combustíveis e, consequentemente, impactar a inflação —, modalidades de crédito mais vantajosas se tornam ferramentas cruciais para evitar o superendividamento, afirma a Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD), representante das fintechs de crédito.

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"O cartão de crédito, muitas vezes eleito pelos consumidores pela relativa facilidade de acesso, tem se mostrado uma escolha pouco vantajosa. Recentemente, o Banco Central divulgou a elevação média de 11,4 p.p. na taxa das operações de cartão de crédito rotativo, o que resultou em mais de 400% ao ano e posicionou a modalidade como a linha mais cara do mercado. De outro lado, modalidades com garantia e, consequentemente, mais baratas se consolidam como opções mais interessantes para os tomadores", analisa Claudia Amira, diretora-executiva da ABCD.

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"Os empréstimos consignados, que oferecem colaterais de execução mais simples e, por isso, mais eficientes, destacam-se por reduzir o risco das operações, permitindo assim taxas de juros mais competitivas e possível redução da inadimplência", pontua a executiva, que ressalta o avanço da incorporação de garantias pelo mercado de crédito digital.

De acordo com a Pesquisa Fintechs de Crédito Digital 2025, estudo da ABCD e da PwC Brasil que analisou a operação de 44 fintechs em 2024, 77% das empresas analisadas aceitavam garantias em suas operações, em comparação com 70% no ano anterior. Desde 2021, quando apenas 34% das empresas adotavam garantias, o crescimento tem sido consistente.

"Em um contexto de juros elevados e maior seletividade na concessão, a utilização de garantias é um elemento crucial para equilibrar risco e retorno, trazendo estabilidade às carteiras de crédito das instituições que oferecem crédito", completa Claudia.

Na avaliação da diretora-executiva da ABCD, duas iniciativas em andamento podem ajudar a trazer alívio aos brasileiros endividados nos próximos meses: a nova versão do Desenrola, programa do governo federal para a renegociação de dívidas, e os mecanismos extras para liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).