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Arnaldo Brandão revisita 70 anos de rock brasileiro

Podcast Business Rock celebra trajetória e futuro do gênero com dados inéditos sobre o mercado musical.

Robson Silva De Jesus
Por: Robson Silva De Jesus Fonte: Agência Dino
27/03/2026 às 16h38
Arnaldo Brandão revisita 70 anos de rock brasileiro
Créditos: Business Rock

O podcast Business Rock, apresentado por Sandrão, recebeu Arnaldo Brandão — considerado um dos precursores do rock’n’roll no Brasil — para uma edição especial que marca os 70 anos do rock nacional e celebra 50 anos de carreira. Mais do que uma entrevista, o episódio é um mergulho na história viva da música, transmitido em múltiplas plataformas e países, alcançando milhões de ouvintes e reforçando o papel do gênero na cultura brasileira.

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Segundo o livro "O Calendário do Rock Brasileiro", lançado em 2025 e citado pelo portal Rock On Board, o gênero completa sete décadas de história, desde os pioneiros Bob Bolão e Ronnie Cord até movimentos como Jovem Guarda, Tropicália e o rock dos anos 80. O levantamento reúne mais de 1.800 efemérides, incluindo festivais, álbuns e episódios marcantes. No mercado atual, o Ecad distribuiu R$ 1,7 bilhão em direitos autorais em 2025, com crescimento de 10% em relação a 2024. O streaming já representa um terço da arrecadação, consolidando o Brasil como uma das maiores potências de consumo musical do mundo.

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Trajetória marcada por muitas histórias

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Nesse contexto de crescimento do estilo musical no país, Arnaldo relembrou momentos que marcaram sua trajetória: dos palcos com Caetano, Gal Costa, Raul Seixas e Cazuza às noites londrinas, quando morou com Mick Taylor, guitarrista dos Rolling Stones, e mergulhou na cena explosiva da Inglaterra dos anos 70. Essa vivência internacional ampliou sua visão artística e influenciou diretamente sua obra no Brasil.

Entre suas criações, destacou "Totalmente Demais", composta com Robério Rafael e Tavinho Paes, e originalmente gravada pela banda Hanoi Hanoi. A canção ganhou nova vida com a versão de Caetano Veloso e foi regravada por artistas como Anitta. "A música é como um espelho do tempo. Ela volta, se reinventa e continua a emocionar novas gerações. Esse ciclo mostra que o rock brasileiro nunca morreu, apenas mudou de forma", afirmou o artista.

Sobre os impactos da inteligência artificial na música, Arnaldo foi direto: "A IA pode criar composições complexas em segundos, mas a música é feita de alma. O risco é transformar a profissão em algo em extinção". Ao final da entrevista, em tom bem-humorado, reagiu a uma composição criada por San Claude e aprimorada por diversas inteligências artificiais — uma homenagem especial preparada pelo apresentador Sandrão: "Sou obrigado a dizer que gostei". A frase resume sua ambivalência diante da tecnologia.

Arnaldo também falou sobre sua convivência com Raul Seixas. "Raul era um gênio que misturava humor, dor e criatividade. Trabalhar com ele foi entender que o rock brasileiro é feito de intensidade e contradições". Ao comentar sobre sua parceria com Cazuza, acrescentou: "Cazuza escrevia como quem queimava a vida em cada verso. ‘O Tempo Não Para’ nasceu da urgência de deixar um legado, mesmo diante da doença".

Figuras históricas no debate contemporâneo

No decorrer do programa, Sandrão ressaltou a relevância de trazer figuras históricas para o debate contemporâneo. "Arnaldo é um ícone que atravessou gerações. Ouvir suas histórias é entender como o rock brasileiro se construiu e como pode se reinventar diante das mudanças tecnológicas".

O episódio reforçа o papel do Business Rock como espaço de memória e inovação cultural, celebrando o legado e apontando caminhos para o futuro do gênero. Ao finalizar a conversa, Arnaldo aproveitou para anunciar novos projetos com Frejat e Tavinho Paes, além de shows programados para Rio de Janeiro (RJ) e Joinville (SC).