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Trump abre novo embate com a Europa enquanto líderes tentar evitar guerra

Primeiro-ministro Pedro Sánchez recusa envolvimento espanhol em ataques ao Irã, apesar das ameaças de embargo comercial de Donald Trump

João Araújo
Por: João Araújo Fonte: CNN
05/03/2026 às 09h32
Trump abre novo embate com a Europa enquanto líderes tentar evitar guerra

O presidente dos EUA, Donald Trump, sentou-se ao lado de seu homólogo alemão, Friedrich Merz, no Salão Oval na terça-feira (3) e lançou um ataque contra alguns de seus aliados europeus.

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“Não estamos lidando com Winston Churchill”, disse ele sobre o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, depois de criticar mais uma vez Londres por negar aos EUA permissão para usar bases militares britânicas nas Ilhas Chagos – um arquipélago no Oceano Índico – para ataques ofensivos contra o Irã.

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Não contente em criticar apenas um líder europeu, Trump também atacou o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ameaçando impor um embargo total dos EUA à Espanha em resposta à oposição do líder socialista aos ataques americanos ao Irã.

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Merz sentou-se ao lado de Trump e permaneceu praticamente em silêncio, declarando posteriormente aos repórteres que "abordou ambas as questões com muita clareza em uma conversa particular... porque não queria expor o conflito publicamente".

Suas palavras representam mais uma ruptura entre Washington e a Europa e destacam o delicado equilíbrio que os líderes europeus têm tentado alcançar desde que os EUA e Israel começaram a bombardear o Irã no sábado (28).

Por um lado, eles têm procurado apoiar seus aliados do Golfo e apaziguar Washington, sob cuja proteção da Otan permanecem e cuja participação em qualquer possível acordo de paz para a Ucrânia ainda é essencial.

Por outro lado, os europeus estão minimizando seu envolvimento em uma guerra que muitos deles se recusam a considerar legal e que é profundamente impopular internamente.

Primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer • REUTERS/Phil Noble

Alemanha, França e Reino Unido – os países do E3 – não chegaram a endossar ou condenar explicitamente os ataques EUA-Israel em uma declaração conjunta. Em vez disso, condenaram a retaliação do Irã, reiteraram suas críticas ao regime do país, pediram a “retomada das negociações” e afirmaram que permanecem em “estreito contato com nossos parceiros internacionais”.

Ainda assim, mesmo tendo apresentado seu envolvimento como defensivo, correm o risco de serem arrastados para uma guerra regional em espiral. Esses perigos ficaram evidentes nesta quarta-feira (4), quando os sistemas de defesa aérea da Otan abateram um míssil iraniano que se dirigia para o espaço aéreo da Turquia, naquele que se acredita ser o primeiro caso em que as forças da aliança interceptaram um míssil iraniano em direção ao espaço aéreo de um país membro.

Alguns países europeus destinaram recursos militares para defender seus interesses na região. O Reino Unido concordou em permitir que os EUA utilizassem suas bases militares para "ataques defensivos" contra instalações de mísseis iranianos, afirmou Starmer no domingo.

E, em resposta ao ataque de um drone a uma base militar britânica no Chipre na terça-feira, o Reino Unido enviou helicópteros com capacidade antidrone e um navio de guerra, que levará cerca de uma semana para chegar à ilha mediterrânea.

Entretanto, uma fragata francesa chegou ao Chipre na noite de terça-feira (3), disse o presidente francês Emmanuel Macron, acrescentando que também estava enviando "recursos adicionais de defesa aérea para lá".

As defesas aéreas francesas e britânicas baseadas na região também realizaram operações limitadas, ajudando a abater drones e mísseis iranianos, tomando o cuidado de permanecer dentro dos limites da guerra legal.

A justificativa da administração Trump para atacar o Irã tem sido considerada vaga e inconsistente. Trump e seus principais assessores se contradisseram, extrapolando os limites da lógica — e das estimativas da inteligência americana — para definir a ameaça “iminente” que o Irã e seu programa nuclear representavam, sem apresentar qualquer evidência.

Eles ignoraram informações da inteligência americana que sugeriam que o Irã precisaria até 2035 para desenvolver um míssil balístico intercontinental, caso optasse por fazê-lo, bem como as próprias alegações de Trump de que o programa foi “aniquilado” pelos ataques americanos no verão passado.