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Mãe de Marielle sobre julgamento: “Momento difícil, mas de esperança”

A Primeira Turma do STF começa a julgar, nesta terça-feira (24/2), os suspeitos de matarem Marielle Franco e Anderson Gomes, em 2018

João Araújo
Por: João Araújo Fonte: Noticia Certa
24/02/2026 às 10h57
Mãe de Marielle sobre julgamento: “Momento difícil, mas de esperança”

As famílias de Marielle Franco e Anderson Gomes concederam uma entrevista coletiva, nesta terça-feira (24/2), pouco antes do início do julgamento dos cinco acusados do assassinato da vereadora e do motorista, em 2018

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“É um momento difícil, mas também de muita esperança. Eu acho que, diante do que a gente tem vivido nesses oito anos, além de uma experiência de dor que não é possível, é preciso dizer e significar o que é isso”, afirmou Marinete Franco, mãe de Marielle.

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“A gente confia muito na situação. Eu tenho dado resposta para o Brasil e para o mundo. É na hora de a gente – e também o Estado brasileiro e o estado do Rio de Janeiro, principalmente – ter uma resposta positiva em relação aos mandantes dessa barbárie”, acrescentou.

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O pai da vereadora também se emocionou ao comentar o início do julgamento.

“Todos os cinco não deram nenhuma chance de defesa a Marielle e Anderson, mas hoje eles estão com uma banca de advogados defendendo eles para que não sejam condenados pelo que fizeram. Espero e confio cegamente na Primeira Turma do STF, que são juízes com grande saber jurídico e não vão se deixar levar pelas falácias dos advogados que defendem os réus”, destacou Antonio.

Luyara Franco, filha de Marielle, classificou o julgamento como “um marco no Brasil”. “O Estado brasileiro precisa dar resposta para a sociedade, para a democracia, que a gente não pode deixar impune. A justiça plena para a minha mãe e para o Anderson passa pela responsabilização, passa pela não repetição e pela reparação para nossas famílias”, ressaltou.

O julgamento

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar, nesta terça-feira (24/2), os suspeitos de serem os mandantes dos assassinatos.

Em duas sessões, os quatro ministros do colegiado definirão se cinco pessoas são culpadas ou inocentes diante do que apontou a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Serão julgados dentro da ação que analisa o plano para mandar executar Marielle:

  • o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, Domingos Brazão;
  • o irmão dele e ex-deputado, Chiquinho Brazão;
  • o delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa;
  • o ex-major da polícia Militar Ronald Paulo de Alves Pereira; e
  • Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos Brazão.

Domingos, Chiquinho, Rivaldo Barbosa e Ronald Paulo de Alves tornaram-se réus por duplo homicídio qualificado e pela tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves, única sobrevivente do ataque ao carro da vereadora naquela noite de março de 2018.

O ex-assessor do TCE Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, responde, com os irmãos Brazão, pelo crime de organização criminosa.

Rito

Ao todo, mais de 30 advogados, além da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, pediram para acompanhar o julgamento dos supostos mandantes dos assassinatos de Marielle e Anderson no STF. A família de Marielle e de Anderson também estará presente, com espaço reservado na Corte.

O julgamento tem um rito de realização. Nesta terça-feira, quando começar, a sessão será aberta pelo presidente da Primeira Turma do STF, ministro Flávio Dino.

Na sequência, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, lê o relatório, que é uma espécie de resumo do caso.

Após o pronunciamento de Moraes, o vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Filho, terá 1 hora para sustentar a acusação da PGR. A fala pode se estender por mais 30 minutos, se necessário.

O assistente de acusação, advogado da vítima Fernanda Chaves, única sobrevivente do assassinato, falará por mais 1 hora.

Passada essa etapa, será aberto espaço para as sustentações orais dos advogados dos cinco réus. Cada um terá 60 minutos para defender o cliente perante os ministros da Primeira Turma.

Em seguida, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, apresenta seu voto. Na sequência, os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino se manifestam. Eles falarão se condenam ou absolvem os acusados e determinarão as penas.