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“Teremos forte demanda pelos imóveis”, diz presidente do BRB

Executivo afirma que projeto de lei enviado à Câmara Legislativa permitirá ao banco reforçar sua estrutura econômico-financeira após as operações com o Master. “Estamos concentrados em fortalecer as bases do banco”, diz

João Araújo
Por: João Araújo Fonte: Correio Braziliense
22/02/2026 às 10h05
“Teremos forte demanda pelos imóveis”, diz presidente do BRB

Na última sexta-feira, o Governo do Distrito Federal (GDF) enviou à Câmara Legislativa projeto de lei no qual dispõe de medidas para a estrutura financeira do Banco de Brasília (BRB) após as operações com o Banco Master, liquidado em novembro de 2025 pelo Banco Central. Entre as medidas, consta o uso de imóveis da Terracap como garantia para obtenção de um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A votação está prevista para ocorrer na terça-feira.

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À frente da operação com foco na solidez da instituição, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, acredita que o projeto de lei reforça o compromisso do GDF, principal controlador, de restabelecer as condições econômico-financeiras do banco. Para tanto, ele aposta no projeto de capitalização do BRB, particularmente no interesse de investidores pelos imóveis colocados como garantia. "Os imóveis estão em áreas valorizadas de Brasília e região, logo acreditamos que teremos forte demanda", afirma.

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Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista ao Correio:

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O projeto enviado à Câmara Legislativa do DF (CLDF) autoriza a venda de imóveis transferidos para o BRB para que o banco faça operações econômicas com eles: transformados em títulos negociáveis no mercado financeiro; usados para criação de um fundo de investimento imobiliário; e ainda apresentados como opção de garantia em empréstimos. Todas essas operações estão sendo cogitadas?

Sim, são imóveis pelos quais os investidores têm apetite, além de contribuir para várias estruturas financeiras para solução de capital e liquidez.

Qual é o foco principal?

Entendemos que a estruturação de FII (Fundos de Investimento Imobiliário) com adesão do sindicato de bancos é o melhor caminho, pois não aumentaria o endividamento do setor público.

Qual foi o critério para a escolha dos imóveis que foram colocados como garantia para o FGC?

O critério considerou a qualidade do ativo, atratividade de mercado, regularidade jurídica, ausência de impedimentos, e aderência às exigências técnicas para aceitação como garantia em eventual estruturação. A seleção foi feita com diligência jurídica e técnica, buscando ativos com melhor relação risco-benefício para a operação.

Quem vai avaliar os imóveis para entrarem na operação de empréstimo com o FGC?

A avaliação deverá ser feita por avaliadores independentes e habilitados, com metodologias e laudos técnicos, para garantir transparência e consistência com práticas de mercado e exigências regulatórias.

Como avaliam o provável deságio na venda dos ativos do banco? Está no cálculo do BRB?

O valor do ágio ou deságio dependerá do apetite do mercado. O portfólio de ativos ofertados tem demanda, pois a maioria deles tem qualidade.

De que forma a capitalização com imóveis da Terracap fortalecerá os indicadores financeiros e a capacidade de crédito do BRB no curto e no longo prazo?

O processo de capitalização não pode ser realizado diretamente por imóveis, mas podem ser usados para construção de operação financeira que monetizará esses imóveis.

Qual é a estimativa de valorização e liquidez desses imóveis, e como o banco pretende mitigar riscos caso a venda não ocorra no prazo esperado?

Os imóveis estão em áreas valorizadas de Brasília e região, logo acreditamos que teremos forte demanda.

A operação pode alterar o perfil de risco ou a governança do BRB, especialmente em relação à dependência de ativos públicos como fonte de capital?

A operação de capitalização tornará o BRB mais forte e saudável e pronto para continuar seu principal objetivo de fomentar a economia de Brasília e região.

Qual será o impacto concreto dessa capitalização na expansão da carteira de crédito, especialmente para empresas e setores estratégicos do DF?

O reforço patrimonial e a recomposição de funding melhoram a percepção de solvência do BRB e fortalecem a nossa capacidade de crescer com prudência, respeitando o apetite a risco e os critérios técnicos. Além disso, permitirão ao BRB ampliar sua capacidade de concessão de crédito, financiar projetos de infraestrutura e continuar a oferecer produtos e serviços competitivos à população e às empresas locais.

Existem alternativas à capitalização proposta, e por que o modelo baseado em ativos imobiliários foi considerado o mais viável economicamente?

É o mais adequado, porque não ficarão prestações de empréstimos a serem pagas, logo o BRB será mais forte e sólido para contribuir com a economia de Brasília.

O BRB apresentou ao Banco Central, há duas semanas, o plano de reforço patrimonial. O que avançou de lá para cá?

Desde a apresentação do plano ao Banco Central, houve avanços relevantes e concretos, especialmente no âmbito do controlador. O GDF reafirmou, de forma inequívoca, seu compromisso com o restabelecimento pleno das condições econômico-financeiras do BRB, adotando providências estruturadas para viabilizar o fortalecimento patrimonial do banco. Esse compromisso não é apenas declaratório, mas está materializado no encaminhamento do projeto de lei à CLDF.

E em relação ao BRB, especificamente?

Nos últimos dias, evoluímos na consolidação das alternativas previstas no plano, com aprofundamento das modelagens jurídicas e financeiras, interlocução permanente com o Banco Central e avanços operacionais que conferem maior previsibilidade à implementação das medidas. O foco permanece na recomposição consistente dos indicadores prudenciais, no reforço da estrutura de capital e na preservação da capacidade de crédito do BRB, assegurando estabilidade, solvência e sustentabilidade no curto e no longo prazo.

O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, pede que cinco Tribunais de Justiça justifiquem depósitos no BRB. Esses recursos estão garantidos?

Sim, o BRB segue cumprindo rigorosamente todas as suas obrigações contratuais e regulatórias, sem qualquer impacto na execução dos contratos de depósitos judiciais ou no funcionamento do Pix judicial. O banco mantém seu compromisso com segurança, conformidade e continuidade dos serviços.

Qual o horizonte que o senhor enxerga para o BRB? Um banco menor, mas sadio?

O horizonte que enxergo para o BRB é o de uma instituição sólida, sustentável e preparada para crescer com responsabilidade. Mais do que discutir tamanho, estamos concentrados em fortalecer as bases do banco: capital adequado, governança robusta, gestão prudente de riscos e foco absoluto nas pessoas — nossos empregados, clientes e a população do Distrito Federal. O crescimento será consequência natural de fundamentos consistentes. Nosso compromisso é assegurar estabilidade, credibilidade e capacidade de geração de resultados no longo prazo, preservando o papel estratégico do BRB no desenvolvimento do DF.

O patrocínio ao Flamengo será mantido? Em que condições?

A parceria com o Flamengo será ganha-ganha e está sendo redesenhada num modelo econômico adequado que o tornará o maior banco digital da América Latina, pois o BRB é sólido e o Flamengo é o time de maior torcida do Brasil.

Qual a importância do BRB para economia do DF?

Como um banco público, o BRB desempenha papel central nas políticas sociais e no desenvolvimento regional. A instituição viabiliza programas sociais, apoia soluções de mobilidade, garante a logística de benefícios à população, participa da distribuição de medicamentos e mantém parcerias fundamentais nas áreas de esporte, cultura e preservação de equipamentos públicos. Proteger o BRB significa proteger serviços que impactam diariamente milhões de brasilienses.

A apresentação do balanço do BRB em 31 de março será um divisor de águas para a história do banco. Qual a sua expectativa em relação a isso?

A expectativa é de que seja um marco de transparência e prestação de contas, refletindo o trabalho de saneamento, reforço de controles e governança, e o encaminhamento estruturado do plano de fortalecimento patrimonial.

Como pretende recuperar a imagem do BRB após o escândalo Master?

Com ações e não apenas discursos: governança forte, controles reforçados, transparência, cooperação com autoridades, responsabilização quando cabível, e foco no cliente e na solidez. A confiança se reconstrói com consistência e entrega contínua.

A inclusão desses imóveis nessa operação precisa ser aprovada pelo Conselho de Administração da Terracap?

O processo de aprovação deverá seguir toda governança necessária.

Como 49% do patrimônio da Terracap pertencem à União, acredita que haverá alguma controvérsia para aprovar essa medida?

Os imóveis são, na maioria, do próprio GDF e alguns da Terracap, mas todas as parcerias serão respeitadas.