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Alta de 327% marca nova fase da saúde corporativa

Com planos que acumularam alta de 327% (Ieps), avanço do adoecimento emocional e aumento da solidão, especialistas apontam que 2026 exigirá uma int...

Robson Silva De Jesus
Por: Robson Silva De Jesus Fonte: Agência Dino
19/02/2026 às 21h08
Alta de 327% marca nova fase da saúde corporativa
Reprodução Alice

O aumento dos custos dos planos de saúde, o avanço dos problemas emocionais e a intensificação da solidão no ambiente de trabalho indicam que 2026 exigirá das empresas uma revisão profunda sobre como cuidar da saúde de seus colaboradores.

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Os sinais observados ao longo de 2025 indicam uma mudança estrutural na saúde suplementar no Brasil. De 2006 a 2024, os planos de saúde acumularam alta de 327%, segundo dados do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps). Ao mesmo tempo, cresce dentro das empresas a demanda por soluções que lidem não apenas com doenças, mas também com saúde emocional, prevenção e bem-estar contínuo.

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Nesse cenário, especialistas defendem que 2026 marcará uma inflexão: saúde assistencial e ambiente de trabalho passarão a ser tratados como dimensões inseparáveis. A lógica tradicional, baseada no uso do plano apenas em situações de doença, tende a gerar ciclos de exames, encaminhamentos e pronto-socorro que pressionam custos e não resolvem as causas dos problemas. Essa nova perspectiva de cuidado integral é defendida por operadoras de saúde que se apoiam em modelos preventivos, como a Alice.

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"Transformar a saúde não é sobre digitalizar processos antigos. É sobre alinhar incentivos, integrar dados, redesenhar fluxos e entregar valor real. Empresas que continuarem operando no modelo reativo vão pagar mais por resultados piores. A mudança é estrutural", afirma Guilherme Azevedo, cofundador da Alice.

Uma das abordagens mencionadas por operadoras envolve prevenção estruturada, acompanhamento contínuo e ampliação do acesso à atenção primária. Nesse modelo, profissionais acompanham o histórico do paciente, coordenam encaminhamentos e atuam na gestão do cuidado.

Estudos internacionais reforçam esse diagnóstico. Em 2024, a Organização Mundial da Saúde reconheceu a solidão como um risco de saúde pública, afetando uma em cada seis pessoas no mundo. Levantamentos na área de gestão e clima organizacional indicam que ambientes com interações fragilizadas tendem a registrar níveis mais altos de estresse, maior sensação de desconexão entre equipes e crescimento nos afastamentos.

"Saúde e cultura não podem mais ser tratadas como pautas separadas. Se o ambiente adoece, o plano vira pronto-socorro. Empresas que querem sustentabilidade precisam olhar para relações, liderança e qualidade das interações como parte da estratégia de saúde", frisa Sarita Vollnhofer, CHRO da operadora.

Além do aspecto cultural, mudanças regulatórias ampliam a responsabilidade das empresas. As novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que incluem a gestão de riscos psicossociais, colocam o bem-estar emocional no centro da agenda corporativa.

Segundo representantes da operadora, modelos assistenciais baseados em atenção primária, coordenação de cuidado e uso de dados podem contribuir para maior eficiência operacional e redução de desperdícios.

Para os executivos da empresa, a integração entre ambiente de trabalho e modelo assistencial pode gerar maior previsibilidade de custos e redução de afastamentos.

"As empresas que integrarem modelo assistencial e cultura organizacional tendem a ganhar previsibilidade de custos e fortalecer a produtividade. Já aquelas que mantiverem uma lógica fragmentada podem enfrentar pressões financeiras crescentes", afirmam os executivos.