Segunda, 20 de Abril de 2026
16°C 28°C
Brasília, DF
Publicidade

Ádyla Maciel analisa conexões linguísticas entre Brasil e Japão

A escritora Ádyla Maciel lança livro que investiga conexões linguísticas entre o português e o japonês, analisando como palavras com o mesmo som ex...

Robson Silva De Jesus
Por: Robson Silva De Jesus Fonte: Agência Dino
16/02/2026 às 17h12
Ádyla Maciel analisa conexões linguísticas entre Brasil e Japão
Banco de imagens Freepik

A escritora Ádyla Maciel lança o livro E se eu tivesse nascido no Japão?, obra que propõe uma investigação poética e intercultural a partir de palavras que apresentam o mesmo som no português e no japonês, mas significados distintos. O livro parte da curiosidade linguística para refletir sobre como a linguagem estrutura modos de pensar, sentir e se relacionar com o mundo.

Continua após a publicidade
Anúncio

Voltada ao público adulto, a obra utiliza jogos sonoros e deslocamentos semânticos como eixo central da narrativa, evidenciando que a familiaridade aparente entre idiomas pode ocultar diferenças profundas de sentido. A proposta não é traduzir palavras, mas observar como diferentes línguas produzem diferentes experiências de realidade.

Continua após a publicidade
Anúncio

O livro se estrutura a partir de exemplos linguísticos que atravessam os dois idiomas. Termos como "rei", que, no português, remete à soberania, no japonês, está associado a gestos de reverência e respeito. Já "som", que em português designa ruído, no japonês se relaciona à estrutura sonora da língua. Palavras como "lua", "sol", "mar" e "rio" também ganham novos sentidos, deslocando imagens simbólicas consolidadas no imaginário ocidental.

Continua após a publicidade
Anúncio

Outros exemplos abordados na obra incluem "manga", que deixa de ser fruta ou parte da vestimenta para se tornar narrativa ilustrada; "kirá", que pode soar como nome próprio e passa a significar brilho; e "casa", que se afasta da ideia de permanência e afeto para assumir o sentido de abrigo provisório. Esses deslocamentos semânticos funcionam como metáfora dos processos de comunicação intercultural.

Segundo Ádyla Maciel, a pergunta que dá título ao livro não é geográfica, mas epistemológica. "A obra parte da ideia de que o som pode aproximar, mas o significado nunca é idêntico. Outras línguas produzem outras formas de experiência", afirma a autora.

Com escrita de caráter conceitual e abordagem poética, E se eu tivesse nascido no Japão? se insere no campo da literatura contemporânea que investiga linguagem, cultura e interculturalidade, propondo ao leitor uma reflexão sobre alteridade e convivência de sentidos.

Sobre Ádyla Maciel

Nascida em 1994, Ádyla Maciel atua nas áreas de literatura, televisão e projetos culturais no Distrito Federal. Desde a infância, demonstrou inclinação para leitura e escrita, publicando poemas aos 10 anos no Correio Braziliense e na revista Veja, o que marcou o início de sua trajetória literária.

Graduada em Letras e com especialização em neuropsicanálise, atuou como docente na área de literatura e publicou 12 livros voltados à poesia e à reflexão social. Entre 2014 e 2022, apresentou o programa Papo de Artista, no qual entrevistou artistas, escritores e pesquisadores, registrando processos criativos e trajetórias profissionais.

Além da atuação artística, trabalhou como analista de mérito cultural, elaborando pareceres técnicos para políticas públicas de fomento à cultura, e idealizou a Mostra Itinerante de Poesia Falada, projeto que integrou poesia, música, literatura e teatro em regiões fora dos grandes circuitos culturais.