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Combate à hanseníase exige diagnóstico precoce e amplo acesso à reabilitação física

CLDF realizou audiência pública sobre a prevenção e o tratamento da hanseníase. Com mais de 22 mil casos por ano, Brasil é o segundo país com maior número de diagnósticos da doença

Samuel Barbosa
Por: Samuel Barbosa Fonte: Notícia Certa
05/02/2026 às 08h48
Combate à hanseníase exige diagnóstico precoce e amplo acesso à reabilitação física

Em alusão ao Janeiro Roxo, mês de conscientização sobre a hanseníase, a Câmara Legislativa promoveu uma audiência pública nesta segunda-feira (2). O evento — proposto pelo deputado distrital Fábio Felix (Psol) — reuniu especialistas e pacientes, que enfatizaram a importância do diagnóstico precoce, do amplo acesso à reabilitação física e do combate ao preconceito em torno da doença.

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A hanseníase é provocada por uma bactéria que afeta a pele e os nervos periféricos. Sem tratamento, o dano aos nervos pode provocar fraqueza e perda de sensibilidade e de mobilidade nos locais afetados, ocasionando complicações como a “mão em garra” e o “pé caído”, como são conhecidos alguns dos agravamentos da doença. A transmissão acontece principalmente pela via respiratória, por meio de gotículas de saliva, por exemplo.

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“É inaceitável que uma doença que tem cura continue deixando milhares de brasileiros com incapacidades físicas permanentes”, afirmou a dermatologista Roseane de Deus. “Nós estamos em um país hiperendêmico. Nós somos o segundo país do mundo em número de casos, só perdemos para a Índia”, destacou.

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A dermatologista Roseane de Deus. Foto: Andressa Anholete/Agência CLDF

A médica explicou que alguns fatores podem atrasar o diagnóstico. “Um grande problema da hanseníase é que a mancha na pele não dói e não coça. Por isso o paciente não tem uma sintomatologia para procurar logo o atendimento”, alertou Roseane. Além disso, a médica ressaltou que as lesões na pele podem ser facilmente confundidas com outras questões dermatológicas, como alergia, urticária e impinge.

O paciente Filemon Ferreira contou um pouco de sua longa trajetória para conseguir o diagnóstico. Aos 14 anos de idade, ele começou a perder a sensibilidade e a força no pé. Apesar dos sintomas graves e o característicos, a hanseníase demorou para ser identificada. “Eu tive o diagnóstico depois de 10 anos com a doença”, lamentou.

Após utilizar os medicamentos corretos e passar por cirurgias de reabilitação nos pés e nas mãos, Ferreira conseguiu recuperar grande parte da mobilidade. “Hoje eu tenho uma vida normal”, comemorou.

Para evitar diagnósticos tardios, o deputado Fábio Felix ressaltou o papel da qualificação permanente dos profissionais de saúde. “Precisamos devolver a hanseníase para o repertório de diagnósticos de todos os profissionais de saúde. Isso significa haver mais informação, falar mais sobre o assunto, e tratar a hanseníase como prioridade máxima na política nacional, nos estados e no DF”, afirmou o parlamentar.

Felix também apontou a quantidade insuficiente de pessoal. “Há um déficit muito grande de servidores, o que prejudica o atendimento. E a contratação de temporários muitas vezes precariza ou descontinua os serviços, porque os contratos não são renovados”, avaliou o deputado.

Nesse sentido, o ortopedista e cirurgião de hanseníase Gabriel Rodrigues utilizou o espaço da audiência para pedir a contratação de mais cirurgiões da área pela Secretaria de Saúde do DF. Ele também ressaltou que a doença precisa ser tratada de forma multiprofissional, com assistentes sociais, enfermeiros, fisioterapeutas, dermatologistas, cirurgiões, entre outras especialidades.

“O sonho de todo mundo é erradicar essa doença no Brasil. Mas, enquanto a gente não consegue, precisamos tratar os pacientes de maneira integral, completa”, pontuou Rodrigues.

A audiência completa pode ser assistida no YouTube da TV Câmara Distrital.