
O Irã concordou, em princípio, em retomar as negociações nucleares com os EUA, numa tentativa de evitar a ameaça de novos ataques militares. Essas seriam as primeiras negociações desse tipo desde que o governo Trump bombardeou três instalações nucleares iranianas no verão passado.
O principal diplomata do Irã, Abbas Araghchi, deverá se reunir com o representante especial dos EUA, Steve Witkoff, e com Jared Kushner em Istambul nesta sexta-feira, disseram três fontes à CNN nesta segunda-feira. O presidente do Irã confirmou posteriormente que o país está em negociações, embora com algumas condições.
“Instruí meu Ministro das Relações Exteriores a, desde que exista um ambiente adequado — livre de ameaças e expectativas irrazoáveis —, buscar negociações justas e equitativas, guiadas pelos princípios da dignidade, prudência e conveniência”, escreveu o presidente iraniano Masoud Pezeshkian em sua conta no Facebook na terça-feira.
Pezeshkian afirmou ter dado sinal verde para as negociações após "pedidos de governos amigos da região".
Acredita-se que o Irã possua milhares de mísseis e drones ao alcance das tropas americanas estacionadas em diversos países do Oriente Médio e ameaçou atacá-las, assim como Israel.
Os últimos dias foram marcados por uma intensa atividade diplomática, com líderes e atores regionais buscando uma saída para evitar o conflito. Catar, Turquia e Egito lideraram esses esforços, com a Turquia oferecendo-se para sediar conversas presenciais entre os EUA e o Irã.
Ministros das Relações Exteriores do Egito, Omã, Paquistão, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos também devem participar das negociações em Istambul, disseram três fontes à CNN. O Paquistão recebeu um convite para as negociações, confirmou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores à CNN.
O conselheiro diplomático do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, afirmou na terça-feira que a região não precisa de uma guerra entre Irã e Estados Unidos e que o Oriente Médio já passou por "diversos confrontos calamitosos". Ele também disse que o Irã "precisa chegar a um acordo".
Trump expressou certo otimismo em relação às negociações, dizendo a repórteres no domingo que o Irã estava "conversando conosco, conversando seriamente conosco".
Araghchi também disse à CNN no domingo que estava "confiante de que podemos chegar a um acordo".
Mas outros líderes iranianos adotaram um tom mais firme. Ali Bagheri, chefe de política externa do Conselho Supremo de Segurança Nacional (SNSC) do Irã, afirmou na segunda-feira que o país “não tem intenção” de negociar sobre seus estoques de urânio enriquecido, segundo a emissora estatal iraniana Press TV.
Apenas algumas semanas antes de os EUA atacarem as instalações nucleares do Irã no ano passado, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) expressou "séria preocupação" com o fato de o Irã estar enriquecendo urânio a 60%, observando que era o único "Estado não detentor de armas nucleares" a fazê-lo.
Na segunda-feira, Ali Shamkhani, um importante conselheiro de Khamenei, disse à mídia libanesa que os EUA "devem oferecer algo em troca" se o Irã reduzir o nível de enriquecimento, informou a Press TV.
Segundo uma fonte familiarizada com informações recentes da inteligência americana sobre o assunto, desde os ataques dos EUA, o Irã vem tentando reconstruir suas instalações nucleares ainda mais profundamente no subsolo. O regime também proibiu a agência nuclear da ONU de inspecionar suas instalações nucleares.
O Irã e os EUA realizaram várias rodadas de negociações nucleares indiretas em abril e maio de 2025, antes de um ataque surpresa de Israel ao Irã em meados de junho levar ao cancelamento de novas negociações, seguido dias depois pelo ataque dos EUA ao Irã – que efetivamente encerrou o processo.
O Irã havia descartado anteriormente negociações diretas com os EUA.
*Sophia Saifi e Azaz Syed, da CNN, contribuíram para esta reportagem.