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Mortes no Hospital Anchieta: casos suspeitos continuam a chegar às mãos da Polícia Civil do DF

Famílias de pacientes que morreram na UTI da unidade, em Taguatinga, dizem suspeitar de atuação dos profissionais presos. Polícia ainda não abriu inquérito específico para novos relatos.

Samuel Barbosa
Por: Samuel Barbosa Fonte: Noticia Certa
29/01/2026 às 20h41
Mortes no Hospital Anchieta: casos suspeitos continuam a chegar às mãos da Polícia Civil do DF

Passadas quase duas semanas da revelação de possíveis mortes provocadas intencionalmente por técnicos de enfermagem no Hospital Anchieta, no Distrito Federal, a Polícia Civil continua recebendo novos relatos de pacientes que morreram em circunstâncias similares.

Nesta semana, mais uma família procurou a delegacia por suspeitar que uma parente, que também morreu no hospital, pode ter sido assassinada pelos três técnicos de enfermagem da UTI apontados como suspeitos.

Rosângela Mendes Ramos morreu após uma parada cardíaca em janeiro do ano passado, aos 55 anos. Outras duas famílias, que tiveram parentes internados no hospital em agosto e setembro, também procuraram a polícia (saiba mais detalhes abaixo).

➡️ As denúncias vieram de familiares que dizem ter reconhecido, nas reportagens sobre o caso, o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos. Além deles, Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, também foi presa.

Questionada, a Polícia Civil informou que ainda não tem um balanço com o número de ocorrências de pedidos de abertura de investigação. O inquérito que deve apurar os novos casos suspeitos ainda não foi aberto.

A orientação da polícia é que, em caso de novas suspeitas, as famílias procurem a delegacia mais próxima. Se os registros tiverem elementos parecidos com os já investigados, serão encaminhados para a Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa.

Caso Rosângela

Rosângela Mendes Ramos foi internada com pneumonia no Hospital Anchieta. Segundo a filha, ao assistir à reportagem sobre a prisão dos técnicos, ela reconheceu a técnica de enfermagem Marcella.

A família conta que Rosângela morreu pouco depois de tomar um medicamento.

Rosângela deixou duas filhas e três netos. Ela era servidora pública do GDF e trabalhava na área administrativa do Hospital de Ceilândia.

Caso Ivone

 

Ivone Domiciano Azevedo morreu em 14 de setembro do ano passado, após sofrer uma parada cardiorrespiratória na UTI do Hospital Anchieta. Ela tinha 80 anos.

Segundo a família, a idosa deu entrada no hospital em 26 de agosto, com tontura. Nos exames, os médicos identificaram um aneurisma e ela permaneceu internada.

A filha já prestou depoimento na Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa. Ela contou que, minutos antes da parada cardíaca, a mãe recebeu uma medicação na veia aplicada pelo técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo.

A advogada afirma que Ivone chegou lúcida ao hospital e vinha se recuperando. A família tenta agora obter o prontuário médico junto ao hospital.

Ivone deixou três filhos, quatro netos e três bisnetos.

outro caso suspeito é de um homem de 89 anos. Ele morreu em agosto, também no Hospital Anchieta. O g1 e a TV Globo tentam contato com a família.

Principal suspeito confessou os crimes

Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo chegou a negar envolvimento, mas confessou os crimes em depoimento à Polícia Civil após ser confrontado com imagens das câmeras de segurança da unidade. Marcela também confessou.

Segundo a investigação, o homem injetou doses altas de um medicamento nos pacientes – ou seja, usou o produto como um veneno. Em uma das vítimas, ele também injetou desinfetante na veia.

Já as mulheres são acusadas de participar dos crimes "dando cobertura" ao outro técnico.

Ainda segundo a Polícia Civil, Marcos trabalhava há cinco anos na área. Após abrir a investigação interna, o Hospital Anchieta demitiu os três suspeitos.

*Com informações do G1