
Um rompimento na rede de esgoto abriu uma cratera de grandes proporções na L2 Sul, na altura da entrequadra 414/415, provocando a interdição da via, no sentido norte/sul. O buraco, com aproximadamente sete metros de profundidade, apresentou risco iminente de acidentes e exigiu atuação emergencial do Corpo de Bombeiros Militar (CBMDF), Defesa Civil, Caesb, Polícia Militar (PMDF) e órgãos de trânsito.
O CBMDF foi acionado após o asfalto ceder repentinamente, no sábado. No interior da cavidade, os militares identificaram forte fluxo de água e odor característico de esgoto, o que indicou o rompimento de uma tubulação subterrânea.
De acordo com a Defesa Civil, a erosão provavelmente foi causada pela ruptura de uma canalização de esgoto subterrânea. A vistoria técnica apontou uma instabilidade do solo e risco de colapso progressivo das bordas. Entre os perigos identificados estão o afundamento repentino do pavimento, queda de veículos ou pedestres, comprometimento de outras redes subterrâneas e agravamento do dano em caso de novas chuvas.
A Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) informou que o rompimento ocorreu em uma rede de esgoto localizada sob a L2 Sul, em um ponto onde há cruzamento com a rede de águas pluviais.
“Há uma rede de águas pluviais mais alta, por onde passa a água da chuva, e uma rede de esgoto mais profunda. Com o volume muito grande de chuva, pode ter ocorrido um extravasamento da água pluvial, que amolece o solo ao redor. Com o movimento dos veículos, isso acaba provocando o rompimento da rede de esgoto”, detalhou o presidente da Caesb, Luís Antônio Reis.
Ele explicou que a rede afetada é antiga e que situações como essa podem ocorrer em sistemas implantados há décadas. “São redes que estão aqui desde a década de 1960. É natural que haja uma fadiga de material e, eventualmente, isso pode causar um rompimento”, afirmou.
Segundo a Caesb, assim que o problema foi identificado, equipes da companhia iniciaram os reparos ainda no sábado (17/1). A substituição da tubulação de esgoto foi concluída no mesmo dia. Em seguida, teve início a recomposição da rede de águas pluviais, que segue em andamento, além do reaterro e da compactação do solo.
“A equipe virou a noite trabalhando. Já reparamos a rede de esgoto, estamos fazendo o reaterro e agora vamos recompor a rede pluvial, para então finalizar o aterro e a recomposição do asfalto”, explicou o presidente da companhia. Segundo ele, a expectativa é de que todo o serviço seja concluído até o fim desta segunda-feira (19/1) e a via liberada.
Enquanto isso, o trânsito permanece parcialmente interditado. Os motoristas estão sendo orientados a retornar pela entrequadra 412/413 Sul e acessar a 414/415 Sul pelas vias internas.
Como medida preventiva, a Caesb informou que irá implantar, nos próximos 20 dias, uma nova rede paralela de esgoto na região, com o objetivo de reforçar o sistema e facilitar futuras manutenções. Segundo o presidente, investimentos desse tipo já vêm sendo feitos em outras áreas do DF. “A chamada reforma preventiva é justamente a instalação de novas redes. Essa região já conta com uma rede nova quase concluída, faltando apenas um pequeno trecho para entrar em operação”, destacou.
Apesar da interdição, a Secretaria de Transporte e Mobilidade informou que não houve impacto na operação dos ônibus. As linhas estão circulando por dentro das quadras e atendendo a população normalmente. O retorno ao trajeto habitual ocorrerá após a liberação total da via pelos órgãos de trânsito.
Um caso semelhante ao registrado na L2 Sul ocorreu em dezembro, no Setor P Sul, em Ceilândia, quando um deslizamento de terra abriu uma cratera na QNP 28, conjunto M, após o piso de uma calçada ceder em razão de um buraco formado ao redor de uma tubulação de esgoto. O incidente foi registrado na manhã do dia 19 de dezembro.
Na ocasião, dois irmãos — um homem adulto e uma adolescente — passavam pelo local no momento do colapso e caíram na abertura, com cerca de cinco metros de profundidade. Durante a tentativa de resgate, duas cadelas de um vizinho também caíram no buraco. A Defesa Civil interditou parcialmente a garagem de uma residência próxima, e a Caesb e a concessionária de energia foram acionadas para avaliar possíveis danos às redes subterrâneas.
Duas semanas depois, em 29 de dezembro, a cratera voltou a se abrir no mesmo ponto, ampliando o buraco e elevando o risco para os imóveis vizinhos. Moradores relataram rachaduras nas estruturas e transbordamento de esgoto, mesmo após reparos realizados dias antes. Em nota, a Caesb atribuiu o novo colapso ao grande volume de chuvas, informou que manteve o monitoramento da área e reforçou o isolamento para garantir a segurança da população.
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