
Drones não identificados foram vistos na noite desta segunda-feira (5/1) sobre o Palácio de Miraflores, sede do governo venezuelano, no centro de Caracas. Nas redes sociais, usuários publicaram vídeos em que é possível ouvir vários disparos, que, segundo informações preliminares, teriam sido feitos por forças de segurança para tentar abater os artefatos.
De acordo com moradores, os disparos começaram por volta das 20h no horário local (21h em Brasília). Até o momento, não há informações sobre a origem dos aparelhos ou se algum deles foi abatido.
Em resposta à CNN Internacional, uma fonte da Casa Branca informou que os Estados Unidos não têm relação com os drones avistados em Caracas.
A movimentação ocorre em um momento de forte tensão no país. No último sábado (3/1), os Estados Unidos conduziram uma operação em Caracas para capturar Nicolás Maduro. A esposa dele, a deputada Cilia Flores, também foi levada. A capital registrou explosões e, segundo balanços, ao menos 80 pessoas morreram.
“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e levado para fora do país juntamente com sua esposa”, afirmou o presidente norte-americano Donald Trump.
Um grande júri federal dos Estados Unidos indiciou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas. A acusação prevê pena mínima de 20 anos de prisão, podendo chegar à prisão perpétua, conforme denúncia apresentada em Nova York.
O processo tramitava sob sigilo, mas teve o conteúdo tornado público por decisão da procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi.
De acordo com a acusação, Maduro teria liderado, por mais de duas décadas, uma estrutura criminosa instalada no alto escalão do Estado venezuelano, que utilizava instituições públicas, forças de segurança, aeroportos, portos e canais diplomáticos para facilitar o envio de toneladas de cocaína aos Estados Unidos.
A denúncia sustenta ainda que o esquema operava em parceria com organizações classificadas como terroristas ou narco-terroristas, entre elas as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o Exército de Libertação Nacional (ELN), o Cartel de Sinaloa, os Los Zetas e o Tren de Aragua.
Além de Maduro, o grande júri também indiciou Diosdado Cabello, ministro do Interior da Venezuela; Cilia Flores, esposa do presidente; o deputado Nicolás Maduro Guerra, filho do chefe do Executivo; e outros aliados do regime, apontados como integrantes ou facilitadores da suposta organização criminosa.
Os crimes teriam ocorrido entre 1999 e 2025 e incluem, além do narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, uso de armas de guerra — como metralhadoras e explosivos — e lavagem de recursos provenientes do tráfico. Para esses delitos, a pena mínima prevista é de 20 anos de prisão, podendo chegar à prisão perpétua.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, se declarou inocente durante audiência de instrução em um tribunal de Manhattan, em Nova York, nesta segunda-feira (5/1).
“Não sou culpado. Sou inocente de tudo o que foi mencionado aqui”, disse Maduro ao juiz. Ele também disse que é um homem decente e ressaltou que é um “presidente sequestrado”.
Cilia Flores, esposa de Maduro, acompanhou o marido e também se declarou “completamente inocente”.
Ainda durante a audiência, o juiz Alvin K. Hellerstein comunicou ao chavista e à esposa que ambos têm o direito de solicitar contato com o consulado da Venezuela.
O presidente venezuelano, então, afirmou compreender a prerrogativa e manifestou interesse em receber a visita consular. A esposa, Flores, também declarou entender o direito e solicitou que o encontro fosse realizado.
A defesa de Cilia Flores informou ao juiz que ela não pretende solicitar liberdade sob fiança atualmente. Os advogados de ambos os réus afirmaram que o pedido poderá ser apresentado posteriormente. Em linha semelhante, o advogado de Nicolás Maduro declarou em audiência que o venezuelano também não busca a liberdade provisória agora.
Hellerstein disse acreditar que havia base legal para manter os réus sob custódia. Um promotor afirmou que o Ministério Público irá trabalhar em conjunto com os advogados de defesa e agentes federais para resolver a situação.