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IA amplia a personalização da experiência do cliente

A personalização é decisiva para a lealdade do cliente, e a inteligência artificial amplia esse processo ao prever necessidades, criar comunicações...

Robson Silva De Jesus
Por: Robson Silva De Jesus Fonte: Agência Dino
29/08/2025 às 16h07
IA amplia a personalização da experiência do cliente
Pexels

Estudos indicam que a personalização tem papel decisivo na lealdade do consumidor. Levantamento da McKinsey & Company, mostra que 71% dos clientes esperam interações personalizadas e 76% demonstram frustração quando isso não ocorre. O dado sugere que a diferenciação competitiva não depende apenas de preço ou qualidade do produto, mas da capacidade das empresas em compreender expectativas e adaptar serviços.

Da segmentação tradicional às experiências em tempo real

Modelos anteriores de personalização, limitavam-se a dados demográficos e históricos de compra. O resultado, em muitos casos, era a comunicação padronizada e pouco eficiente. A introdução da inteligência artificial (IA), amplia esse processo ao possibilitar a análise contínua de grandes volumes de informações, como padrões de navegação, interações com chatbots e até sinais que indicam intenção de compra ou risco de cancelamento.

Esse tipo de processamento gera perfis dinâmicos, que se atualizam de acordo com a evolução da jornada do cliente. Em vez de apenas recomendar itens semelhantes ao último adquirido, a IA pode prever necessidades futuras, sugerir soluções preventivas e identificar potenciais problemas antes de qualquer contato direto.

O papel da IA generativa

A IA generativa acrescenta escala, e velocidade ao processo de personalização. A tecnologia permite a criação de mensagens e conteúdos adaptados ao contexto individual, simulando comunicações exclusivas em segundos. Com isso, empresas conseguem manter a relevância da interação mesmo em operações de grande porte, sem depender exclusivamente de equipes humanas para ajustar cada ponto de contato.

Atendimento proativo e “serviço invisível”

A aplicação da IA também contribui para a mudança do modelo reativo para o proativo. Em setores como energia, sistemas já enviam alertas antecipados sobre eventos climáticos que podem comprometer o fornecimento. No varejo, notificações automáticas de atrasos em entregas, são acompanhadas de reenvios imediatos. Na indústria automotiva, atualizações de software são feitas remotamente, sem necessidade de deslocamento do cliente.

Esse padrão, conhecido como “serviço invisível”, tende a reduzir atritos e aumentar a percepção de confiabilidade. Além disso, diminui a sobrecarga nos canais de atendimento, uma vez que problemas são solucionados antes de se transformarem em reclamações.

Fidelização impulsionada pela inteligência artificial

A utilização de IA em programas de fidelidade, também vem se destacando. A LiHai, empresa especializada em fidelização de clientes, desenvolveu soluções que aplicam inteligência artificial à personalização em tempo real. A tecnologia possibilita campanhas que aprendem com o comportamento do consumidor e ativam jornadas sob medida, sem comprometer a operação de outros segmentos.

Um exemplo, ocorre em empresas varejistas de moda com atuação nacional. Ao identificar desempenho inferior nas regiões norte e nordeste, a funcionalidade de múltiplas wallets da LiHai permite o lançamento de campanhas promocionais específicas para esses mercados, oferecendo acúmulo acelerado de pontos, recompensas diferenciadas ou bônus de boas-vindas. A abordagem garante que a estratégia seja ajustada às necessidades locais, mantendo consistência com o restante da operação.

Integração entre IA e atuação humana

Apesar do avanço tecnológico, a personalização não elimina a participação de profissionais. A automação assume tarefas repetitivas, enquanto as equipes concentram-se em atividades que exigem análise crítica, empatia e tomada de decisão. A expectativa é que consultores e atendentes utilizem sistemas de apoio baseados em IA, que oferecem recomendações em tempo real e consolidam informações do histórico do cliente.

Esse modelo busca proporcionar fluidez na comunicação, com transição imperceptível entre interações automatizadas e atendimento humano. Assim, o consumidor não precisa repetir dados já fornecidos em etapas anteriores, mantendo uma jornada contínua em diferentes canais.

Perspectivas para o futuro da experiência do cliente

A tendência observada aponta para a integração entre inteligência artificial e inteligência humana. Para alcançar esse padrão, especialistas indicam fatores como a construção de uma estratégia de dados integrada, a compreensão das preferências individuais dos clientes e o uso da IA como ferramenta de suporte às equipes de atendimento.

Além da inteligência artificial, outras práticas vêm sendo consideradas como próximos marcos da personalização. A gamificação, aplicada em programas de fidelidade de diferentes mercados globais, utiliza mecânicas de jogo como desafios, missões, rankings e prêmios instantâneos. Estudos indicam que marcas que adotam esse modelo registram até 47% de aumento em engajamento e 22% em lealdade. No Brasil, a prática ainda é incipiente, mas tende a atrair principalmente consumidores da geração z e millennials, que respondem de forma positiva a estímulos lúdicos e interativos.

Outro movimento em expansão, envolve carteiras digitais e pagamentos instantâneos. O uso do Pix e a integração em superapps já permitem transformar pontos de programas de fidelidade em dinheiro imediato, reduzindo atritos e tornando as recompensas uma “moeda viva”. No mercado brasileiro, iniciativas como as da Livelo e da Gol/Smiles já avançam nesse sentido, enquanto exemplos internacionais, como Starbucks Rewards e WeChat, mostram a convergência entre fidelidade e pagamento dentro de uma mesma jornada.

Essas tendências indicam que a personalização não se limita a prever necessidades, mas avança para transformar a experiência do cliente em algo contínuo, lúdico e financeiramente tangível.