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Aumentam as internações por gripe em hospitais do DF

Vírus como a influenza A e o rinovírus voltaram a circular. Associados ao frio, eles elevam a quantidade de casos de síndromes gripais e o número de atendimentos na rede de saúde. Especialistas alertam para os cuidados necessários neste período

João Araújo
Por: João Araújo Fonte: Notícia Certa
02/07/2025 às 09h48
Aumentam as internações por gripe em hospitais do DF

O inverno chegou e reacendeu o alerta para as viroses respiratórias no Distrito Federal. Com a combinação entre temperaturas mais baixas e ambientes fechados, vírus como a influenza A e o rinovírus voltaram a circular. E mesmo quem está com a vacinação em dia não está totalmente imune, o que reforça a importância da prevenção. No primeiro semestre de 2025, o DF registrou 10.772 internações por síndromes gripais, segundo o Painel InfoSaúde. Em maio, foram 2.419. Na comparação com 2024, todos os meses tiveram aumento nas internações na rede pública, com exceção de abril. 

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No Hospital Santa Lúcia Sul da Asa Sul, o aumento foi de mais de 6% de 2024 para cá. O coordenador da emergência da unidade, Arthur Seabra, disse que de janeiro a 30 de junho de 2024, foram atendidos 3.073 pacientes no PS com diagnóstico de síndrome gripal, contra 3.259 em 2025. Os números de infecções preocupam: em maio, foram registrados 1.103 casos de vírus sincicial respiratório (VSR) e 1.089 de influenza A. Em junho, foram 1.018 casos de rinovírus e 648 e influenza A.

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Atenção

Aos 73 anos, Severiano Moreira Neve conhece bem os impactos do inverno sobre a saúde de quem tem predisposição a problemas respiratórios. Morador de Valparaíso (GO), ele convive com bronquite, rinite e asma, e relata que o frio agrava bastante os sintomas. "Quem tem essas coisas sofre mais nesta época. Quando vem a crise, a gente tem que usar os remédios direto", contou.

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Recentemente, ele enfrentou um episódio de gripe que se somou aos problemas alérgicos. "Vem rinite, depois bronquite, e aí vem a asma. Tudo em cima. Quando é assim, fico no médico o tempo todo para avaliar os sintomas", relatou. Apesar da rotina difícil, Severiano mantém a vacinação em dia. "Tomei a (vacina) da gripe este ano."

Para idosos, o cuidado é redobrado, mas com as crianças, não pode ser diferente. Apesar de estar com todas as vacinas em dia, a pequena Amélia Coelho, de 1 ano, segue com sintomas gripais, como febre, tosse seca e secreção nasal, há pelo menos uma semana. A mãe, Alana Coelho, 25, afirma que ela foi atendida no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) na última semana, mas voltou a apresentar febre. Na segunda-feira, ela retornou ao HMIB para ser atendida.

Miguel Tavares, de apenas 2 meses, também apresenta sintomas gripais. A mãe, Ana Paula Tavares, 23, conta que ele já enfrentou uma bronquiolite grave, que exigiu nove dias de internação. Desde a última semana, tanto Miguel quanto outros membros da família têm apresentado sintomas como secreção nasal intensa, tosse, cansaço e dificuldade para respirar. Apesar disso, Miguel também está com a caderneta de vacinação em dia. "Ele é amamentado e está com bastante dificuldade para se alimentar. Fica engasgando por conta da dificuldade de respirar, e isso me deixa muito preocupada", relatou a mãe.

Vacinação

Segundo o médico infectologista Julival Ribeiro, a vacina não impede totalmente a infecção, mas reduz o risco de agravamento. "Mesmo vacinada, se a pessoa contrair influenza, por exemplo, há uma probabilidade menor de hospitalização, de internação em unidade de terapia intensiva e até de óbito", explica.

De acordo com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, entre os principais vírus respiratórios responsáveis pelos quadros de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), destaca-se o vírus sincicial respiratório. Também são frequentemente identificados o rinovírus, adenovírus, metapneumovírus e os vírus da influenza.

Além disso, como os sintomas dessas infecções são semelhantes, os registros são agrupados sob a classificação de "SRAG", que engloba diversos quadros de infecção respiratória severa, independentemente do agente causador. A pasta informa que são monitoradas as internações de pacientes com perfil viral — ou seja, com sintomas compatíveis com infecções respiratórias de origem viral, como a bronquiolite.

Cuidados com idosos

Coordenadora de Geriatria e do Cuidar Idoso do Hospital Santa Lúcia de Brasília, a médica Priscilla Mussi comenta que, quando envelhecemos, há uma diminuição das células de defesa, ou seja, o sistema imunológico demora mais para reconhecer um quadro viral simples. "Além disso, ele responde mais devagar, mesmo quando consegue reconhecer o vírus. Portanto, a resposta inflamatória é menor, mais demorada e, nesse intervalo, o vírus já se propagou demais", ressalta.

Segundo a especialista, quanto mais descontrolada a comorbidade do idoso, mais o sistema imunológico estará frágil e, consequentemente, com dificuldade maior de resposta. Por isso, a geriatra alerta que é preciso cuidar adequadamente das comorbidades. "O principal cuidado a ser tomado, para evitar um quadro de insuficiência respiratória mais grave, é a vacina", avalia.

Assistência

Com o aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), especialmente entre crianças, o tempo de espera nas emergências pediátricas também tem crescido. Ainda assim, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) afirma que as unidades têm se esforçado para garantir acolhimento e assistência de qualidade aos pacientes.

"A alta de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) está associada à circulação de diversos vírus respiratórios, como o vírus sincicial respiratório em crianças de até 2 anos e o rinovírus em crianças de 2 a 14 anos. Esses fatores têm levado a um aumento na procura por atendimento médico pediátrico, impactando diretamente o tempo de espera nos serviços de emergência", informa a pasta.

Para alguns dos agentes que circulam pelo DF, como a influenza, há vacinas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). É importante manter o esquema vacinal atualizado para reduzir o risco de complicações e internações. No caso da influenza, cerca de 2,8 milhões de pessoas estão aptas a receber a vacina contra a influenza. A meta da SES-DF é imunizar 90% dos grupos prioritários.

Riscos da baixa vacinação

Com o aumento da circulação de vírus respiratórios e a lotação dos serviços de saúde, especialistas acendem um sinal de alerta: o receio da queda na adesão às campanhas de vacinação deixar a população mais exposta a infecções graves e complicações evitáveis. A médica infectologista Joana D'arc Gonçalves destaca que, quanto menor a cobertura vacinal, maior o número de pessoas suscetíveis à doença. "O acúmulo de pessoas suscetíveis sem anticorpos pode levar ao surgimento de surtos, de epidemias", alerta.

Segundo ela, a vacinação não apenas reduz as chances de infecção, mas também a gravidade dos quadros clínicos. "Se poucas pessoas se vacinam e acabam se infectando, o risco de complicações é maior", afirma. Com isso, cresce a pressão sobre os serviços de saúde, assim como a possibilidade de mortes por doenças que poderiam ser evitadas.

Pontos de atenção

Em tempos de viroses, o infectologista Julival Ribeiro orienta que pessoas com sintomas gripais permaneçam em casa, a fim de evitar a propagação dos vírus. “Se for necessário ir ao hospital, vá de máscara”, recomenda.

Ele ressalta que a higienização das mãos é muito importante, sobretudo no inverno, onde ocorrem os casos de infecções respiratórias. “O vírus pode ficar em superfícies como a maçaneta. Por isso, é importante a gente fazer a higienização das mãos com água, sabão ou álcool 70%. Evite sempre levar as mãos aos olhos, à boca, ao nariz e à mucosa dos olhos", alerta.