
No intervalo do primeiro dia do interrogatório dos réus da ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado, nesta segunda-feira (9/6), o ex-presidente Jair Bolsonaro minimizou as declarações do tenente-coronel Mauro Cid, delator do suposto plano criminoso. O ex-ajudante de ordens chamou de “bravatas” e de “conversas de bar” algumas das hipóteses levantadas pela investigação para o início da elaboração da trama golpista.
Questionado sobre o assunto por jornalistas, Bolsonaro minimizou: “O que é bravata? Cascata. E, portanto, bravata é como se diz no quartel: você sai de uma educação física, tem 20 minutos de futebol, passa na cantina rapidamente para tomar uma Coca-Cola, com pastel e tomar um banho, começar o expediente. Na cantina você resolve os problemas do mundo. Cada um fala uma coisa e resolve o problema do mundo”.
O ex-presidente também afirmou que não gostaria de estar na Corte sentado no banco dos réus. “Quem é que queria estar aqui?”, disse. Bolsonaro também se esquivou de perguntas sobre a declaração de Mauro Cid de que ele teria pressionado as Forças Armadas pelo golpe.
“Desconheço (as mensagens). Meus advogados não conseguiram ver, não tiveram acesso a todas as informações ainda”, declarou. Ele também negou a informação de que teria editado a chamada minuta golpista — documento que previa Estado de sítio e a criação de um gabinete de crise.
“Eu não vou confrontar o Cid aqui”, disse. “Sem problemas com ele. Não quero entrar em detalhes aqui. Vocês estão acompanhando o que está acontecendo”, afirmou Jair Bolsonaro.
Segundo o ex-presidente, a Primeira Turma do STF não tem motivos para condená-lo. “Não tem por que me condenar, eu estou com a consciência tranquila. Quando fala o tempo todo ‘assinar o decreto’, não é assinar o decreto, pessoal. (Para) Assinar um decreto de defesa e de sítio o primeiro passo é convocar os conselhos da República e da Defesa, e nem isso foi feito”, afirmou
A Primeira Turma iniciou, nesta segunda-feira (9/6), o interrogatório do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de mais sete réus no âmbito da ação penal que investiga a tentativa de golpe de Estado em 2022. A oitiva coloca, pela primeira vez, no mesmo ambiente, desde o final do governo, o ex-chefe do Planalto e os aliados de sua gestão, que fazem parte do chamado "núcleo crucial" do esquema criminoso.
Mauro Cid foi o primeiro a ser interrogado no STF sobre a trama golpista. Ele confirmou a veracidade de seus depoimentos à Polícia Federal. Segundo o militar, Bolsonaro editou e pediu mudanças na minuta golpista. Também foi confirmada a tentativa de descredibilizar o processo eleitoral brasileiro para manter o governo derrotado no poder.
Os demais réus serão ouvidos ao longo da semana em ordem alfabética. Jair Bolsonaro será o sexto, podendo falar entre terça-feira e quarta-feira. As oitivas podem se estender até sexta-feira.
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