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Experiência técnica desafia avanço da automação offshore

Com a crescente demanda por energia limpa, especialistas alertam para a escassez de profissionais experientes na indústria offshore, destacando a i...

Robson Silva De Jesus
Por: Robson Silva De Jesus Fonte: Agência Dino
30/05/2025 às 16h32
Experiência técnica desafia avanço da automação offshore
Pixaby

A transição para fontes de energia limpa tem impulsionado investimentos significativos na indústria offshore. No entanto, a rápida expansão do setor expõe uma lacuna crítica: a escassez de profissionais experientes capazes de garantir a segurança e eficiência das operações.

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A Siemens Energy estima que serão necessários até 500 mil novos trabalhadores qualificados para atender às metas de neutralidade de carbono nos próximos anos. O setor offshore do Reino Unido precisa atrair 10 mil novos profissionais anualmente até 2030 para cumprir os objetivos de descarbonização da rede elétrica.

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Carlos Augusto Alves Santos, Supervisor de Perfuração Marítima com mais de 40 anos de experiência embarcada e membro honorário da Science Academy, ressalta:

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“A resposta adequada em momentos críticos depende de um repertório técnico construído ao longo de anos de experiência. Algoritmos e simulações são ferramentas valiosas, mas não substituem a vivência operacional”, afirma.

Em 1996, Santos participou da resolução de um incidente significativo na plataforma Petrobras IV, quando uma falha no sistema de geração elétrica resultou em incêndio e risco de colapso. A equipe técnica, liderada por profissionais experientes, implementou ajustes no sistema de Controle PID (Proporcional, Integral, Derivativo), contendo o incêndio e restabelecendo o equilíbrio energético da unidade. A metodologia aplicada foi posteriormente registrada, servindo como referência para outras plataformas.

A escassez de profissionais experientes não é exclusiva do setor offshore. A indústria manufatureira enfrenta um déficit de 600 mil trabalhadores, com projeção de 3,8 milhões de vagas até 2033.

O governo britânico lançou iniciativas para treinar milhares de trabalhadores em habilidades verdes, visando apoiar a transição para energia limpa.

Santos enfatiza a importância de programas de mentoria e transferência de conhecimento:

“A digitalização é uma aliada poderosa, mas deve caminhar junto com o conhecimento técnico embarcado. A engenharia de risco marítimo exige decisões em segundos, e nem todo cenário pode ser previsto por sistemas automatizados”, conclui.

Enquanto a automação avança, o desafio da indústria offshore permanece em encontrar um ponto de equilíbrio entre a inovação tecnológica e a preservação do conhecimento embarcado — componente essencial para garantir a segurança, a continuidade e a eficiência das operações marítimas.