Polícia Crime na Asa Sul
Gritos e desespero na 302 Sul após PM atirar contra amigos em posto
Porteiro relata correria, gritos e moradores assustados após policial militar efetuar disparos contra os próprios amigos na 302 Sul
08/11/2026 15h15
Por: Redação Fonte: Notícia Certa

A madrugada deste domingo (8/11) foi marcada por gritos, correria e desespero na Asa Sul. Por volta das 3h40, moradores e trabalhadores das proximidades da quadra 302 foram surpreendidos por uma sequência de disparos de arma de fogo. Dentro de uma van, que transportava um grupo de amigos de volta de uma festa de aniversário, um policial militar atirou contra os passageiros. Uma mulher, de 26 anos, morreu ainda no local e outras quatro pessoas ficaram feridas.

De plantão em um prédio nas redondezas, um porteiro que preferiu não se identificar acompanhou a movimentação provocada pelo crime. Segundo ele, pouco depois dos tiros, pessoas começaram a correr em direção ao edifício em busca de abrigo. O cenário foi de confusão, com gritos e moradores tentando entender o que havia acontecido.

“Teve gente correndo para debaixo do prédio. Começaram a gritar, uma muvuca de pessoas gritando”, contou. O funcionário relata que tudo aconteceu muito rápido. Assustados com o barulho, moradores abriram as janelas e perguntaram o que estava acontecendo na rua.

A movimentação também assustou quem estava em quadras próximas. Patrícia Carvalho, prefeita comunitária da SQS 102 e moradora do Bloco E, conta que acordou com os gritos e, em seguida, ouviu o que calculou serem aproximadamente sete disparos. Embora o som parecesse distante de onde estava, a notícia de que os tiros haviam sido efetuados dentro de uma van, na quadra vizinha, aumentou a apreensão.

“Os moradores dos blocos A, B e E ficaram muito assustados. Muitos já não conseguiram voltar a dormir”, relata.

Para Patrícia, a tragédia poderia ter acontecido em qualquer outro ponto do trajeto do grupo, mas ocorreu ao lado dos prédios residenciais. Ela também chama a atenção para os riscos que os disparos representaram para outras pessoas que estavam nas proximidades.

“Foi uma tragédia. Poderia ter acontecido em qualquer outro trecho do trajeto, mas aconteceu aqui, ao lado dos nossos prédios. Uma pessoa morreu e outras quatro ficaram feridas”, afirma.

Na avaliação da prefeita comunitária, a conduta do policial levanta questionamentos sobre o preparo de profissionais que trabalham armados. “Na minha avaliação, a conduta do policial militar foi de uma enorme irresponsabilidade e levanta uma questão séria sobre o preparo emocional de quem porta uma arma”, diz.

Ela ressalta que, caso os disparos tivessem ocorrido do lado de fora da van, funcionários do posto de combustíveis ou moradores dos edifícios poderiam ter sido atingidos. “Os apartamentos ficam muito próximos”, observa.

A violência também preocupa o porteiro, que trabalha regularmente durante a madrugada. Para ele, os episódios têm se tornado cada vez mais frequentes na capital. “Os crimes estão cada vez mais frequentes em Brasília. As pessoas dizem que o Plano é seguro, mas isso vem acontecendo sempre”, lamentou.

Ele também questionou a presença de policiamento durante a noite na região. De acordo com o relato, a equipe policial demorou a chegar ao local. “A polícia demorou a chegar, só chegou uns 40 minutos após o ocorrido. Não tem policiamento aqui à noite”, afirmou.

O trabalhador diz que tem presenciado diferentes episódios de violência na região. “Está tendo muita violência. Fico no plantão da noite e tem vários acontecimentos”, relatou.

Patrícia também afirma que os moradores já convivem com a apreensão em relação à segurança nas quadras. Depois do episódio, ela espera que a investigação esclareça as circunstâncias do crime e que haja reforço no policiamento noturno. “Acordar de madrugada com gritos e tiros tão perto de casa aumenta esse medo. Esperamos que o caso seja apurado com rigor e que haja rondas mais frequentes nas quadras, principalmente à noite”, pede.

O crime

Os disparos foram efetuados por um policial militar do Distrito Federal. Segundo informações preliminares da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), o grupo retornava de uma comemoração do aniversário do próprio atirador em uma van alugada para transportar os convidados. Cerca de 16 pessoas estavam no veículo.

A van parou em um posto de combustíveis na 302 Sul. Por motivos ainda desconhecidos, o policial efetuou os disparos contra os passageiros. Cinco pessoas foram atingidas. Uma mulher, de aproximadamente 26 anos, morreu ainda no local. Das quatro pessoas feridas, uma está em estado grave, outro policial militar da corporação. As demais foram encaminhadas a unidades de saúde conscientes e estáveis.

O autor dos disparos foi identificado como Bruno Cardoso dos Passos, soldado de segunda classe da PMDF. Ele ingressou na corporação em janeiro de 2026 e foi localizado e preso horas depois, no Parque da Cidade. O policial faz aniversário neste domingo.

A motivação do crime ainda é desconhecida. O caso está sob investigação da Polícia Civil, que dará andamento aos procedimentos legais e à apuração dos fatos.

Em nota, a PMDF lamentou o episódio e manifestou solidariedade aos familiares e amigos da vítima. A corporação afirmou que não compactua com condutas dessa natureza e que adotará as medidas criminais, disciplinares e administrativas cabíveis.